
As ferramentas digitais mais convencionais enfrentarão um enorme desafio daqui para frente. Isso porque o Gartner anunciou a lista de principais tendências em tecnologia para 2026 e o destaque é a ascensão dos agentes de IA, além da inteligência artificial generativa (GenAI). Segundo as previsões, tais evoluções irão provocar uma reestruturação de US$ 58 bilhões, nos próximos dois anos, no mercado de tecnologia.
A projeção se baseia na busca por inovação responsável e excelência operacional, segundo a instituição. A adaptação será crucial, e o Gartner prevê que, até 2027, 75% dos processos de contratação incluirão certificações e testes de proficiência em IA.
Os agentes despontam como tendência, pois permitem que as organizações tenham aumento de produtividade, agilidade e redução de custos. De acordo com João Santos, especialista de soluções do SiDi, a principal vantagem da ferramenta sobre tecnologias anteriores é a capacidade de compreensão e execução correta.
“Uma empresa é formada por pessoas com tarefas específicas. O uso de LLMs até pode aumentar a produtividade ou substituir algumas funções, mas peca na falta de interações específicas. Os agentes de IA são melhores neste ponto, pois podem ser criados em camadas com especialidade e acesso a sistemas bem definidos”, explica.
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Como exemplo, o especialista cita o uso de diferentes agentes em uma tomada de uma decisão. Enquanto um deles avalia a legislação, outro analisa cenários específicos, operando individualmente ou em conjunto até atingir uma análise robusta e uma decisão correta. O executivo cita ainda a integração de agentes distintos, como um de previsão do tempo, um de semáforos e um de monitoramento de trânsito, para coordenar a evacuação de uma via em caso de uma tempestade.
Enquanto as empresas vêem com bons olhos a possibilidade de melhora de performance e diminuição de custo, o mercado de trabalho enfrenta um dilema. “O principal desafio é como absorver os profissionais que serão impactados, geralmente os que estão em início de carreira, pois atualmente alguns sistemas de agentes IA são capazes de realizar tarefas de profissionais entrantes no mercado”, pondera Santos.
O especialista do SiDi reflete sobre a GenAI, outra tendência apontada. Para ele, embora o uso da IA generativa seja comum no âmbito pessoal, ainda há espaço para crescer e demonstrar potencial no ambiente corporativo. “Sistemas de assistência e copilotos e plataformas Retrieval-Augmented Generation (RAG), em especial para segmentos com preocupação com a privacidade de suas informações, terão resultados ótimos se a ferramenta ganhar o mercado e for bem implementada”.
Cibersegurança impactada por agentes de IA
Outra tendência que impacta o mercado de cibersegurança a partir de 2026 é a computação quântica. Leonardo Lemes, sócio-diretor da Service Security, da Service IT, ressalta que, embora ainda não existam mudanças concretas no Brasil, o futuro da segurança da informação já está sendo redesenhado.
“O governo espanhol já homologou plataformas de proteção de dados com base em modelo de criptografia pós-quântica. Em julho de 2025, a União Europeia publicou a estratégia intitulada Quantum Europe Strategy, cujo objetivo é posicionar a EU como líder global em tecnologias quânticas até 2030, o que será um marco”, afirma.
Os agentes de IA são tendência pelo ganho de produtividade em todos os setores, inclusive em tecnologia, pois oferecem análises de dados e tomadas de decisão também no ambiente digital. Para o executivo, essas movimentações indicam que 2026 será o primeiro passo de uma grande mudança.
“Na Europa, já existe uma estratégia clara e planos para regulação. Para nós, ainda não há um efeito direto, mas devemos estar extremamente atentos a partir do ano que vem. São tendências que baterão à nossa porta e trarão mudanças, por exemplo, na Internet e nos modelos de segurança como conhecemos hoje ”, conclui Lemes.
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