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Presidente Lula representando o Brasil na cúpula da IA, na Índia.

Nesse domingo (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Hannover Messe 2026, na Alemanha, posicionando o Brasil como o parceiro estratégico central para a descarbonização da indústria global e o desenvolvimento de novas tecnologias.

No discurso de abertura, acompanhado pelo chanceler alemão Friedrich Merz, Lula defendeu uma matriz energética limpa integrada à evolução da inteligência artificial (IA), com um apelo direto à proteção do trabalhador e à ética tecnológica.

“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, criticou o presidente Lula em seu discurso; em seguida convocou empresários e pesquisadores a contabilizarem os impactos sociais da evolução da IA, reforçando que a tecnologia deve gerar eficiência sem excluir o ser humano do mercado de trabalho.

Aporte bilionário para o fundo clima e mobilidade

A participação brasileira já rendeu frutos financeiros. Nesta segunda-feira (20), o BNDES e o banco alemão KfW assinaram duas declarações de intenção que totalizam R$ 4,1 bilhões (EUR 700 milhões) em aportes.

Nessas declarações R$ 2,94 bilhões são destinados ao Fundo Clima (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima) instrumento do Governo Federal para financiar projetos que ajudem o Brasil a cumprir suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

Enquanto a outra parte, de R$ 1,17 bilhão foi investido em tecnologias de transporte sustentável e mobilidade verde.

Leia mais: Tendências de IA do Vale do Silício são adaptadas ao varejo brasileiro

Para o ministro do meio ambiente e mudança do clima em exercício, João Paulo Capobianco, o investimento é uma prova de credibilidade no plano de transformação ecológica brasileiro, que em 2026 alcançou a marca de R$ 27 bilhões para estimular bioeconomia e adensamento tecnológico.

Industrialização e minerais críticos

Um dos eixos centrais no mercado B2B discutidos na feira é a exploração de minerais críticos (como nióbio, grafita e terras raras). Lula enfatizou que o Brasil não aceita ser um “mero exportador” dessas commodities essenciais para a transformação digital. O objetivo é atrair parcerias internacionais que incluam transferência de tecnologia e criação de cadeias de valor locais.

O ministro do desenvolvimento, indústria, comércio e serviços, Márcio Elias Rosa, reforçou a mensagem durante a comissão mista Brasil-Alemanha (Comista), destacando que a Nova Indústria Brasil (NIB) oferece o ambiente de segurança jurídica necessário para atrair investimentos em infraestrutura digital e simplificação de processos industriais.

Acordo Mercosul-União Europeia

A geopolítica comercial também ganhou destaque com o anúncio de que o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor em menos de duas semanas. O tratado cria um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões, facilitando a convergência regulatória e o intercâmbio tecnológico entre os blocos.

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