
O Jeitto, fintech de crédito e consumo focada nas classes C e D, acaba de lançar um agregador de boletos e a funcionalidade de pagamento de contas diretamente pelo aplicativo. O movimento reforça a aposta da empresa em se tornar um hub financeiro completo para os mais de 15 milhões de clientes da plataforma e sinaliza o que a companhia enxerga como a próxima onda do mercado de fintechs no Brasil.
Se a primeira geração de fintechs B2C, liderada por players como Nubank e PicPay, foi marcada pela bancarização — levar conta digital a quem não tinha acesso ao sistema financeiro —, o Jeitto quer protagonizar o próximo capítulo: a democratização do crédito com inteligência financeira para quem já está bancarizado, mas ainda enfrenta dificuldades para organizar e planejar as próprias finanças.
A companhia identificou dois perfis que resumem o desafio financeiro do seu público. O primeiro é o “malabarista financeiro”: alguém que tem renda, paga todas as contas, mas vive fazendo ginástica para encaixar os vencimentos no orçamento. O segundo é o profissional sem tempo para se organizar, que tem meios, mas não sabe ao certo quando cada boleto vence.
Para esses dois perfis, o agregador de boletos (chamado de Débito Direto Autorizado – DDA) chega como resposta. Com o novo recurso, os clientes passam a visualizar, em um único ambiente, todos os boletos emitidos em seu CPF, ganhando mais controle e previsibilidade sobre as próprias finanças. Já o pagamento de contas pelo app, inclusive com o limite de crédito do Jeitto, oferece flexibilidade para quem precisa organizar o fluxo de caixa ao longo do mês.
“O nosso foco é simplificar a vida financeira dos clientes e aumentar a recorrência dentro do app. Quando integramos crédito, consumo e gestão em uma única jornada, ampliamos valor para o usuário e fortalecemos nosso modelo de crescimento sustentável”, afirma Fabiano Camperlingo, VP de Negócios do Jeitto.
Crédito com responsabilidade
Fundado há 12 anos, o Jeitto sempre teve o crédito como eixo central. O primeiro grande produto da companhia, o e-GRANA, é um crédito digital mensal sem cartão físico, com limite rotativo que começa em R$ 100 ou R$ 150 e cresce conforme o histórico de pagamentos. Hoje, o produto soma cerca de 1 milhão de usuários ativos por mês.
Nos últimos anos, o Jeittofoi além. Lançou o Shópi Jeitto, marketplace proprietário integrado ao app; entrou no crédito consignado privado — movimento que incluiu a aquisição da fintech Pilla — e passou a oferecer seguros 100% digitais com mensalidades acessíveis. Agora, com o agregador de boletos e o pagamento de contas, a fintech avança na construção de um ecossistema onde crédito, consumo e gestão financeira coexistem em um único ambiente digital.
“Sempre focamos nas classes C e D. A gente acredita que a principal dor que esse cliente tem hoje é no crédito. Fizemos uma pesquisa recente e tem duas coisas que esses clientes citam como sinônimo de felicidade: sorriso e geladeira cheia. Então nosso papel é pensar como dar acesso a tratamentos odontológicos, consultas, como podemos participar da jornada de compra de mantimentos ou da própria geladeira”, afirma Fabiano.
Segundo a companhia, um terço dos clientes do Jeitto toma crédito pela primeira vez na vida. Por isso, existe uma preocupação com uma oferta de crédito responsável, com juros que se aproximam do que é cobrado no mercado pelo cheque especial, mas um cuidado em não oferecer mais do que o cliente precisa.
“Muitas vezes, no mercado, o cliente precisa de R$ 200, mas sai da financeira com um empréstimo de R$ 2 mil. Nossos clientes começam com R$ 100, R$ 150. E, aos poucos, dependendo de como eles vão pagando, nós aumentamos o limite. Não adianta estrangular o cliente e ele não conseguir pagar”, explica o executivo.
A estratégia de captação também evoluiu. Só no ano passado, a Jeittoabriu três novos veículos financeiros e captou cerca de R$ 700 milhões, com uma combinação de FIDCs e debêntures.
No horizonte, a companhia quer ir além da organização do dia a dia. O plano é desenvolver um planejador financeiro com inteligência artificial, capaz de ajudar o cliente não só a pagar contas em dia, mas a dar o segundo passo na organização da própria vida financeira.
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