
A Receita Previsível adquiriu a carteira de clientes de prospecção da Meetz, movimento que diz mais sobre como dois fundadores leram um momento de mercado do que sobre uma simples transação. Para a Receita Previsível, a compra se alinha com a estratégia de construção de ecossistema que a empresa vem tocando nos últimos anos. Do lado da Meetz, a venda é o ponto de virada de uma visão de plataforma e prospecção terceirizada para uma abordagem mais de consultoria.
Pelo negócio, que já foi concluído, tanto a carteira (de pouco mais de 200 clientes) quanto parte do time da Meetzjá foram absorvidos pela Receita Previsível, em uma operação que, segundo os CEOs Thiago Muniz (Receita Previsível) e Juliano Dias (Meetz), se tornou uma parceria colaborativa de verdade.
“Em vez de a gente entender que as empresas são competidoras, a gente entende que existe uma abundância no mercado e que o serviço consultivo não é escalável. Então, em vez de ficar inchando a nossa estrutura, temos esses parceiros externos que orbitam dentro do ecossistema”, diz Thiago Muniz, em conversa com o Startups.
O deal com a Meetznão é o primeiro de aquisição de carteira pela Receita Previsível. A bem da verdade, é uma estratégia constante na empresa desde a chegada de Thiago Muniz, em 2021 – movimento que fez a companhia sair de uma atuação focada apenas em metodologia de vendas para a criação de um ecossistema de soluções.
No ano passado, ela comprou aB2B Stack, plataforma de reviews de softwares. Antes disso, no fim de 2024, adquiriu a Salesdev, empresa de soluções de agendamento de reuniões qualificadas de vendas, uma solução na mesma linha que a Meetze outros players maiores, como a ExactSales(comprada pela RD Station), oferecem.
O portfólio hoje inclui consultoria de máquina de vendas, a B2B Stack (na qual Thiago também é CEO) e, agora, uma vertical dedicada à terceirização de prospecção, reforçada com a carteira da Meetz. “A ideia é que a gente tenha todo um ecossistema em que, se esse cliente estiver num mercado em que o decisor é muito fechado, eu tenha várias soluções de portfólio que façam com que essa pessoa queira fazer negócio”, explica o CEO.
Segundo Thiago, com essa estratégia de ecossistema, a companhia tem registrado um crescimento anual de 30% a 40%. “A ideia é manter essa velocidade, somando com a carteira que a Meetztraz para a gente”, diz o executivo.
O novo foco da Meetz
A partir do deal, a Meetznão desaparece — ela muda de camada. Juliano Dias passa a atuar como embaixador no ecossistema da Receita Previsível, com a Meetzutilizando a metodologia da empresa em seus serviços de consultoria em vendas.
Contudo, a decisão de vender a carteira representa uma virada considerável, ainda mais em comparação com a forma como a companhia buscava crescimento há poucos anos. Em entrevista ao Startups, em 2024, a Meetzestava em outro momento, com quase 200 clientes ativos e buscando mais volume para sua plataforma.
Juliano revela que a companhia resolveu estreitar um pouco mais o seu foco, saindo de uma visão de escala e plataforma SaaS para entregar mais na camada de serviço. “A gente começou a entender: chegou o momento de respirar. Será que não faz sentido diminuir essa base e focar realmente nos perfis em que a gente entrega muito mais valor?”, diz o executivo.
O resultado foi uma redução estratégica da base e uma mudança de posicionamento que transformou a Meetznuma espécie de boutique de prospecção, focada agora em clientes mais exclusivos. “É o cara que tem ticket alto, de maneira geral, e que está buscando reunião com qualidade. Esse cara não quer volume. Ele quer reuniões que vendam. Eu deixo de operar prospecção terceirizada e vendo a consultoria para empresas que querem construir essa capacidade internamente”, explica Juliano.
A base de clientes de consultoria já existe e, em termos de faturamento para o ano, Juliano projeta manter o crescimento esperado, mesmo com a perda de volume na base. “Queremos superar a receita do ano passado em 20%”, algo que, segundo o CEO, é mais factível agora com uma estrutura muito mais enxuta, já que parte do time migrou para a Receita Previsível.
O foco em plataforma, que dois anos atrás era uma das apostas centrais da empresa, ficou em segundo plano. “O foco de plataforma mudou completamente. Absolutamente. Hoje não é meu foco. Estou olhando para a IA, mas mais com uma tese de ‘serviço com software’”, diz o CEO. “Estou olhando com carinho e interesse, mas o SaaS não é a minha pauta hoje”, finaliza.
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