
Mais do que implementar governança, é preciso mudar a mentalidade em relação a ela. Este foi um dos pontos centrais explorados pelo Gartner nesta terça-feira (28), durante a Conferência Gartner Data & Analytics. O evento, realizado em São Paulo, traz em sua palestra principal três pilares para extrair valor da inteligência artificial (IA), sendo o fortalecimento das bases da IA, por meio da governança, uma delas.
Segundo Sarah James, diretora analista sênior do Gartner, antes de tudo, é preciso diversificar o olhar sobre geração de valor, sendo o ROI apenas um dos possíveis retornos da tecnologia. “A geração de valor é frequentemente medida pelo ROI, mas os líderes precisam considerar a IA como algo mais do que apenas uma métrica financeira. Existem três maneiras de abordar o seu valor: inteligência, integridade e indivíduos”, afirma.
Nesse sentido, a governança seria como um retorno à integridade, garantindo não apenas a segurança de dados sensíveis, mas também que estes serão analisados de forma ética. O gargalo, neste caso, está na forma como a área tem sido abordada. De acordo com o Gartner, apesar das empresas já possuírem certo nível de governança de dados, esta ainda é vista como um entrave e realizada de forma fragmentada. E é com cada departamento tendo um tipo de gestão diferente sob seus dados que as organizações acabam não vendo o retorno sobre o uso da IA.
O caminho seria, então, criar bases sólidas, utilizando uma camada de contexto unificada e que esteja alinhada com as iniciativas de IA desenvolvidas. Sem bases sólidas, a IA continuará sendo o que é hoje para a maioria das organizações: um experimento caro.
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“Esperar que a IA compense atualizações atrasadas, equipes isoladas e anos de dívida técnica é uma ilusão”, diz Gareth Herschel, vice-presidente analistado Gartner. “Os líderes de D&A devem garantir que seus dados estejam prontos para a IA, prevenir a exposição de dados errados às pessoas erradas e evitar imprecisões, mal-entendidos e alucinações com uma camada de contexto bem projetada.”
Ao falar sobre contexto unificado, Herschel também traz para o público a necessidade de definir a ambição da empresa em relação à inteligência artificial. Com o aumento da velocidade da tecnologia, o vice-presidente reforça que, para unir integridade e inteligência, as organizações precisam ter um plano para o que desejam extrair da tecnologia. “É preciso experimentar, mas experimentar demais significa correr o risco de ficar para trás. Os líderes devem definir sua ambição em relação à IA para ajudá-los a maximizar o valor dos insights que seus dados fornecem, juntamente com o conhecimento e a intuição de sua equipe.”
Por fim, os analistas trazem a importância de retornar ao humano. Segundo Sarah, embora 32% dos CIOs esperem uma redução no tamanho de suas equipes nos próximos três anos, no último ano, apenas 8% reduziram efetivamente seus times e 45% deles aumentaram sua força de trabalho. O movimento, contraditório diante da crença, vem com uma provocação: será que as empresas têm investido em pessoas tanto quanto investem em IA?
Para Herschel, as companhias que desejam ter um retorno de seus indivíduos devem capacitar as pessoas para a transformação impulsionada pela IA, alocando um orçamento substancial para a gestão de mudanças, priorizando a mentalidade e o conjunto de competências em vez do conjunto de ferramentas, e abordando as preocupações dos funcionários com um roteiro de desenvolvimento de competências.
“É preciso deixar de pensar em funções e passar a se concentrar em competências no que diz respeito à IA. Os líderes obterão valor de seus investimentos no desenvolvimento de sua força de trabalho. E, ao se concentrarem em competências, mentalidade e mudanças comportamentais, eles podem desbloquear o potencial tanto individual quanto coletivo”, finaliza.
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