
A startup carioca Dharma AI, especializada em Small Language Models (SLMs), acaba de anunciar a chegada de um late co-founder para liderar sua expansão comercial. Com passagens por Oracle, Microsoft e AWS — uma década em cada —, Umberto Mancebo assume o cargo de Chief Commercial Officer (CCO) com a missão de estruturar a área de vendas da empresa e acelerar o pipeline de clientes em meio à captação de uma rodada estimada em US$ 8 milhões.
A contratação marca uma virada de página na trajetória de Umberto, que construiu sua carreira criando estruturas do zero dentro de grandes corporações. Baseado em Brasília, ele liderou a criação da área de governo na AWS, projeto que incluiu a infraestrutura do Conecte SUS, o certificado de vacinação de toda a população brasileira durante a pandemia, e a plataforma de divulgação dos resultados das últimas duas eleições nacionais.
Essa experiência ajudará a Dharmaa se posicionar como fornecedora de IA para o poder público, em um momento em que a questão da soberania vem ganhando cada vez mais força.
“O cenário global de IA ainda é dominado por soluções americanas e chinesas. Ter uma alternativa brasileira, com performance muitas vezes melhor e muito mais barata, muda completamente a conversa sobre dependência tecnológica”, diz Umberto. Para ele, o argumento de soberania vai além dos governos: empresas privadas de grande porte também passam a buscar independência de fornecedores estrangeiros à medida que a IA se torna infraestrutura crítica.
Big tech brasileira
Sediada no Maravalley, no Rio de Janeiro, a Dharma foi fundada no fim de 2024 por seis engenheiros e cientistas de dados: Gabriel Renault, Elisa Mussumeci, Francisco Alves, Felipe Gochi, Gustavo Lucchetti e Gabriel Pimenta. O nome significa “fazer o certo, do jeito certo para a pessoa certa” em sânscrito.
Combinando tecnologia proprietária, engenharia de alta performance e pesquisa
aplicada, o grupo desenvolveu a tese dos Specialized Small Language Models (SSLMs) —
modelos especializados, mais rápidos, mais seguros, de 50 a 200 vezes mais econômicos
garantindo acurácia igual ou maior em contextos corporativos complexos que os grandes
LLMs (Large Language Models).
A deeptech começou a operar de forma mais estruturada em janeiro de 2025 e já captou uma rodada de R$ 15 milhões, liderada pelo family office Lorinvest, do Rio de Janeiro. Agora mira uma nova captação de US$ 8 milhões, prevista para o terceiro trimestre, que deve acelerar tanto a expansão comercial e os planos de internacionalização, quanto os investimentos em pesquisa.
No plano técnico, a startup tem mostrado que compete de igual para igual com os pares internacionais. Em abril, publicou no arXiv um paper científico sobre seu modelo de OCR — tecnologia que, em termos simples, ensina máquinas a ler documentos. Se um banco precisa processar milhares de contratos escaneados por dia, ou um tribunal precisa digitalizar processos físicos, é o OCR que faz esse trabalho. O problema é que as soluções existentes costumam ser caras, lentas ou pouco confiáveis em documentos complexos, como textos manuscritos ou formulários jurídicos.
A Dharma desenvolveu modelos menores e especializados que, segundo o paper, superam alternativas de código aberto e comerciais em qualidade, estabilidade e custo. A publicação em um repositório científico de referência como o arXiv — onde pesquisadores do mundo todo submetem seus trabalhos para avaliação da comunidade — é o que transforma uma alegação de marketing em evidência técnica verificável. “O paper é a comprovação de que não é só argumento de vendas. É tecnologia de ponta sendo produzida e entregue”, diz o CEO Gabriel Renault.
Para Umberto, a qualidade técnica da empresa foi um dos principais atrativos para aceitar a proposta. “Depois de décadas trabalhando em big techs, neste momento da minha carreira eu não estou buscando mais ocupar um cargo em uma grande empresa. O sonho que eu tenho é criar uma big tech brasileira. A Dharma se posiciona de forma estratégica e reuniu um time forte ao qual eu tenho a honra de me juntar”, afirma o novo CCO.
Visão de futuro
Do lado da Dharma, a contratação do executivo é tratada como um investimento feito antes mesmo de fechar a próxima rodada. “O Umberto sempre casou muito com a nossa cultura. Não é só competência: é fit de valores, de comprometimento, de querer fazer história”, diz Gabriel. “A gente não quer construir uma grande empresa a qualquer custo.”
Com Umberto à frente do comercial, os focos imediatos da Dharma são o setor financeiro e o judiciário, segmentos com volume massivo de documentos e demanda crescente por IA eficiente e auditável.
Além de tocar as vendas estratégicas, o executivo tem a missão de montar o time comercial do zero, estruturar políticas de remuneração e construir uma rede de parceiros que ajude a escalar o negócio.
“O que a gente precisa fazer agora é colher as frutas que estão à mão, que vão gerar um dia a dia saudável de empresa. Mas tendo em mente os think bigs“, explica Umberto.
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