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Imagem dividida verticalmente em duas partes com dois retratos lado a lado. À esquerda, uma pessoa adulta enquadrada do rosto até os ombros, com cabelo claro na altura dos ombros, olhando para a câmera. O fundo é interno e desfocado, com tons escuros. À direita, outra pessoa adulta enquadrada do peito para cima, usando blazer azul sobre camiseta escura, olhando para a câmera. O fundo é uma parede em tom bege com textura de concreto. A iluminação em ambos os retratos é suave e uniforme, criando um visual profissional. (corporativa)

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma força inevitável de transformação corporativa. Em mercados pressionados por velocidade, volatilidade, novos modelos de consumo, competição digital e margens cada vez mais desafiadas, a pergunta já não é se as empresas devem adotar IA. A questão central passou a ser outra: como usar essa tecnologia para ampliar o poder de decisão do negócio sem abrir mão de controle, ética, rastreabilidade e responsabilidade humana?

O alerta vem da NTT Data, consultoria de tecnologia, em encontro com jornalistas nesta semana, para discutir, esclarecer e enriquecer conhecimento sobre os rumos da IA nas estratégias corporativas. Segundo a empresa, embora a IA já esteja presente em grande parte das organizações, seu impacto ainda está longe de ser plenamente capturado.

Segundo análise da NTT Data, apenas 12% das empresas podem ser consideradas líderes reais em maturidade de IA operacional. O mesmo levantamento aponta que 80% das empresas ainda não reportam impacto material nos resultados do negócio e que, em 2025, 42% dos projetos com IA foram abandonados por falta de transformação operacional prévia.

Na avaliação de Daniela Griecco, head de Data & Analytics da NTT Data, esses dados revelam uma contradição importante. A tecnologia avança em ritmo acelerado, mas muitas empresas continuam operando com estruturas criadas para uma era de evolução estável. “O mundo, porém, passou a exigir recalibração contínua. Processos rígidos, sistemas legados, dados fragmentados e governança pouco clara tornam a IA menos estratégica e mais experimental”, afirma Daniela. E avisa que o resultado disso é conhecido. Ou seja, pilotos promissores, automações isoladas, ganhos pontuais de produtividade e dificuldade de demonstrar retorno concreto.

Autonomia não é ausência de controle

A nova fronteira da IA nas empresas está na chamada autonomia orquestrada por humanos. Bruno Magalhães, head de Business Process Services (BPS) da NTT Data, explica que o conceito não propõe entregar decisões críticas a máquinas sem supervisão. Ao contrário. Segundo o executivo, sugere criar sistemas capazes de agir, aprender e escalar em domínios definidos, sempre guiados por intenção estratégica, governança humana e limites claros de risco. A própria NTT Data define essa transição como uma mudança que vai além da adoção de ferramentas. Trata-se de transformar a operação de ponta a ponta, com humanos definindo intenção, controle e governança.

Nesse modelo, autonomia responsável exige rastreabilidade, auditoria, reversibilidade e supervisão dinâmica. Nem toda decisão deve ter o mesmo nível de liberdade. Uma recomendação de atendimento, uma análise de crédito, uma ação de manutenção preditiva ou uma decisão com impacto regulatório possuem riscos diferentes e, portanto, precisam de mecanismos distintos de supervisão, orientam os executivos.

É nesse ponto, eles alertaram, que entra a autonomia assistida por humanos. A confiança não nasce da promessa tecnológica, mas da capacidade de saber quem decidiu, com base em quais dados, sob quais regras, com qual margem de erro e com que possibilidade de correção. Algumas empresas reforçam essa direção ao indicar que os profissionais mais avançados em IA tratem as respostas da tecnologia como ponto de partida, não como conclusão definitiva, sendo responsáveis pelo pensamento e pela avaliação final.

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Portanto, o objetivo estratégico, afirma a NTT Data, não é substituir o julgamento humano, mas ampliá-lo. A IA pode acelerar análises, identificar padrões, sugerir caminhos e executar tarefas complexas. Mas cabe aos líderes definir propósito, critérios de valor, limites éticos e prioridades do negócio.

Da gestão de processos à governança de decisões

A avaliação atual da consultoria é que a adoção estratégica da IA exige uma mudança profunda no papel da gestão e das equipes. Administrar processos já não basta. Na era da IA, será necessário desenhar e governar sistemas de decisão embutidos na operação. Isso significa sair de uma lógica de automação simples para uma lógica de inteligência operacional, na qual dados, sistemas, pessoas e agentes de IA atuam de forma conectada.

Por isso, recomendam, começar pela simples automação de tarefas pode ser insuficiente. O pontapé inicial mais consistente é escolher uma dor relevante do negócio: um problema real, mensurável, com impacto estratégico. A partir dele, a empresa pode desenhar um projeto de IA com indicadores claros, comparar o antes e o depois, medir investimentos, ganhos, aprendizados e riscos. Assim, o ROI deixa de ser uma abstração e passa a ser observado em resultados concretos.

Mas tecnologia, sozinha, não sustenta essa virada argumentada pela NTT Data. Para a consultoria, será indispensável investir em letramento dos colaboradores, qualificação técnica, cultura de experimentação e formação de líderes capazes de traduzir IA em estratégia. A mídia divulga que quase todas as empresas investem em IA, mas apenas uma pequena parte se considera madura na adoção, com a tecnologia integrada aos fluxos de trabalho e gerando resultados substanciais.

Até 2030, imagina a NTT Data, boa parte das tecnologias necessárias para essa transformação já estará disponível. A diferença estará na criatividade humana, na capacidade de integração e na maturidade de governança. Copilotos generativos, agentes autônomos em domínios fechados e sistemas multiagentes orquestrados devem se tornar parte natural da operação. O futuro das empresas, portanto, não será definido apenas por quem adotar IA primeiro, mas por quem souber combiná-la com visão, responsabilidade e capacidade contínua de evolução.

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