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Brenda Bown, CMO para Business IA da SAP. Foto: Déborah Oliveira

Boa parte do mercado usa inteligência artificial (IA) para aprimorar produtividade, e gerar automações pontuais. A SAP quer agora evoluir a conversa para outro patamar: a reinvenção estrutural das empresas. No Sapphire 2026, em Orlando, a companhia reforçou o conceito de “autonomous enterprise”, ou empresa autônoma, como direção estratégica para os próximos anos, um movimento que, segundo Brenda Bown, CMO para Business IA da SAP, não significa substituir totalmente pessoas, mas transformar processos, operações e até os próprios papéis nas organizações.

“Os benefícios evoluíram significativamente”, afirmou durante conversa com jornalistas latino-americanos durante o evento. “Antes falávamos muito sobre eficiência e redução de custos. Agora falamos sobre reinventar processos, reinventar como uma companhia funciona e como as pessoas trabalham”, completou.

A fala explica o tom adotado pela SAP no evento deste ano. Mais do que lançar funcionalidades isoladas de IA, a empresa está reposicionando o próprio ERP como o núcleo operacional da empresa autônoma. A lógica passa pela combinação entre aplicações corporativas, dados, IA generativa e uma camada crescente de agentes capazes de executar tarefas de maneira contextual e integrada aos fluxos de negócio.

Segundo Brenda, o conceito apresentado pela SAP não pressupõe organizações operando totalmente sozinhas, mas em ambientes em que parte relevante dos processos se tornará progressivamente autônoma. “Não é que toda a companhia vá operar de forma independente, mas muitos processos serão mais autônomos e isso permite reinventar como a empresa funciona”, explicou.

Trabalho vai mudar

Quando questionada sobre empregos e transformação do trabalho gerados por conta da IA, Brenda reconheceu que a IA já está alterando funções corporativas, mas argumentou que o impacto mais imediato não será necessariamente a substituição completa de profissionais, e, sim, a mudança radical do tipo de trabalho executado. “É como dizem: a inteligência artificial não vai substituir você, mas alguém usando inteligência artificial vai”, afirmou.

Na visão da executiva, agentes e assistentes especializados devem assumir etapas operacionais, repetitivas e manuais de diversos fluxos corporativos. Em áreas como finanças, por exemplo, agentes poderão automatizar tarefas em contas a pagar, compliance ou validações operacionais, enquanto os profissionais passam a atuar mais próximos de decisão, análise de risco e julgamento crítico.

Ela argumenta que as empresas ainda não estão prontas para delegar completamente decisões críticas à IA, principalmente em ambientes corporativos altamente regulados. “Há muito risco para deixar a IA assumir completamente o processo e a decisão”, sinalizou.

Ao mesmo tempo, Brenda defende que novas funções começam a surgir justamente na construção, governança e operacionalização desses agentes. Segundo ela, a criação de agentes caminha para um cenário muito mais intuitivo, menos dependente de grandes times de desenvolvimento tradicionais. “Você dá a intenção para a IA e ela pode construir o agente”, comentou.

Transformação do ERP

Outro movimento importante reforçado pela executiva envolve a mudança na forma como usuários interagem com aplicações corporativas. Brenda citou diretamente o conceito de um mundo “appless”, no qual o usuário deixa de navegar por sistemas tradicionais da maneira como faz hoje. “Já não é mais entrar no login do ERP ou da aplicação. A aplicação passa a ter outro papel e fica no background”, afirmou.

Esse movimento ajuda a explicar por que a SAP vem posicionando a Joule, seus agentes e a Business AI Platform como peças centrais da estratégia. A ideia é que a interação aconteça cada vez mais por linguagem natural, contexto e agentes especializados, enquanto o ERP continua funcionando como camada transacional, de dados e governança.

De acordo com Brenda, a companhia trabalha em três frentes simultâneas. A primeira experiência e interação com IA; a segunda aplicações corporativas integradas a IA; e a terceira uma camada agêntica formada por centenas de agentes e assistentes prontos para diferentes áreas de negócio.

Interoperabilidade com governança

A transformação também atinge a postura histórica da SAP em relação ao ecossistema. Durante a conversa, Brenda refor;cou que a empresa adota hoje uma estratégia muito mais aberta, baseada em integração com múltiplos modelos, hyperscalers e provedores de IA.

Ela citou, por exemplo, parcerias com diferentes provedores de LLMs e integrações recentes com empresas como AWS. Ao mesmo tempo, reforçou que esse “aberto” não significa ausência de controle. Segundo a executiva, cada modelo precisa passar por validações internas de segurança, privacidade e governança antes de ser integrado ao ecossistema SAP. “Ser aberto é permitir integração com tudo o que está disponível para os clientes, mas de forma regulada e segura”, relatou.

A preocupação aparece especialmente porque os ambientes SAP concentram alguns dos dados mais críticos das empresas, incluindo informações financeiras, operacionais e estratégicas. “Esses dados não podem parar em domínio público”, destacou.

IA não é bolha

Em outro momento da conversa, Brenda também rebateu a percepção de que a corrida atual por IA possa representar uma bolha semelhante à internet nos anos 2000. Para ela, o movimento é estrutural e transformacional. “Não é uma bolha. É uma transformação”, afirmou.

Ela acredita que haverá consolidação no mercado, especialmente diante da quantidade de empresas lançando soluções de IA simultaneamente, mas argumenta que a tecnologia seguirá avançando em ritmo acelerado.

A executiva revelou ainda que a SAP criou internamente uma iniciativa chamada “All In On AI”, acelerando significativamente o desenvolvimento de produtos e inovação nos últimos oito meses. “Não vamos lançar inovação apenas a cada cinco ou seis meses. Vai ser semanal, mensal”, finalizou ela.

*A jornalista viajou a convite da SAP

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