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Por André Sih

Você já ouviu falar sobre transição energético 4D? Ela promete descarbonizar, digitalizar, descentralizar e democratizar o setor de maneira mais madura. Também estamos falando de processos de modernização e resiliência de redes (T&D) quando abordamos esse tema. No entanto, ao contrário de outras demandas desse campo, para a implantação 100% da transição energética 4D, o foco não tem sido apenas o desenvolvimento de novas tecnologias de Inteligência Artificial, mas também a necessidade de trabalhar o equilíbrio da urgência climática e no medo de mudanças rápidas em um sistema que não pode falhar com a infraestrutura que já temos e que é muito tradicional.

Ao contrário de outros eventos, no Enlit Europe 2025, a IA não foi colocada como protagonista, mas sim no lugar de coadjuvante. Isso porque durante a edição deste ano, debates e constatações sobre a crise climática e a mudança urgente atravessaram a feira de maneira quase involuntária, mostrando que as redes de transmissão e distribuição já operam no limite.

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Diante disso, a demanda não é só lançar tecnologias visionárias, mas impedir que a infraestrutura atual ceda diante de uma matriz elétrica cada vez mais complexa e imprevisível. A transição parou de ser apenas um ideal global e se tornou um problema de engenharia, e a pergunta não é mais o que construir, e sim se o sistema suporta o que está sendo construído.

Essa realidade explica a mudança de tom entre 2024 e 2025. O foco passou para a flexibilidade do sistema, com um redesenho do mercado elétrico e uma nova lógica de consumo e oferta, em que consumidores e empresas funcionam como agentes ativos na estabilização da rede.

Dentro dessa dinâmica, é evidente como as tecnologias deixaram de ser exibidas como soluções complementares e passaram a ocupar o papel de infraestrutura crítica. O setor já não discute se o armazenamento, por exemplo, é importante, e sim qual é o modelo mais viável para implementá-lo.

A hibridização solar, eólica e storage, por exemplo, também não foram tratadas como inovação futurista, mas como modelos de negócios dominantes, essenciais para previsibilidade e confiança do investidor. Na mesma linha, outro ponto abordado foi o hidrogênio verde, que há poucos anos aparecia como símbolo de futurismo e assume agora uma postura mais pragmática. Não existe mais a dúvida sobre sua necessidade, pois os debates se concentraram em custos de eletrólise, infraestrutura logística, incentivos regulatórios e escala industrial.

No Enlit 2025, as empresas continuaram a mostrar que a inovação é mais do que só tecnologia, mas ações, pensamentos e posicionamentos disruptivos, seja em qualquer setor, inclusive no elétrico.

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