Skip to main content
Notícias

BluStone fecha Fundo II em R$ 70M com foco em logística

By dezembro 11th, 2025No Comments
Carlos Lopes, fundador da BluStone (no centro) e a equipe | Foto: Divulgação
Carlos Lopes, fundador da BluStone (no centro) e a equipe | Foto: Divulgação

Enquanto alguns setores já incorporam inteligência artificial aos seus negócios, outros mal começaram a abandonar planilhas e processos manuais. É o caso da logística — um mercado ainda analógico que a gestora BluStone identificou como oportunidade de investimento. A casa acaba de concluir a captação do seu segundo fundo, no valor de R$ 70 milhões, alcançando a marca de R$ 100 milhões sob gestão.

“Ao longo de anos acompanhando esse segmento, percebi que o mundo de logística era bem analógico, tudo era feito com papel e caneta, havia muita informalidade, o que gerava uma oportunidade enorme de trazer tecnologia. Ainda não havia um fundo de venture capital especializado nesse segmento, o que nos levou a lançar a BluStone em 2021″, conta Carlos Lopes, fundador e Managing Partner da BluStone.

Com o Fundo I, no valor de R$ 20 milhões, a ideia era trazer a expertise de Carlos no private equity, após sua passagem pela Patria, para os investimentos early-stage. “A estratégia era ser seletivo, disciplinado e com dedicação para apoiar os empreendedores”, afirma o investidor.

Enquanto muitos fundos early-stage avaliam centenas de startups por ano e investem em dezenas delas, a gestora adota um modelo mais concentrado: analisa cerca de mil empresas anualmente e seleciona apenas três a cinco para investir.

A tese vem trazendo bons resultados. Dos R$ 20 milhões disponíveis para o Fundo I, foram alocados R$ 10 milhões em cinco empresas. Todas captaram rodadas Série A e continuam sendo investidas da BluStone. O fundo tem o objetivo de sair por meio de venda para um estratégico ou rodadas mais avançadas, como séries C ou D.

Além disso, a casa aposta no conhecimento setorial como diferencial. A BluStone construiu uma rede de mais de 100 investidores e conselheiros estratégicos — entre eles executivos seniores de grandes corporações, sócios da McKinsey, diretores da Uber e fundadores de startups como Logcomexe Infleet. “Quando uma startup entra no fundo, ela já tem acesso a todos esses contatos. Isso ajuda demais nas apresentações e na abertura de portas”, diz Carlos.

Essa rede se mostrou fundamental para reduzir a taxa de mortalidade entre Seed e Série A. Das 11 empresas investidas pela BluStone até agora — somando os dois fundos —, dez captaram rodadas subsequentes, uma taxa bem acima da média do mercado.

Com o Fundo II fechado, a BluStone ampliou sua capacidade de liderar rodadas Seed, com cheques entre R$ 2,5 milhões e R$ 5 milhões. Para 2025, a expectativa é que quatro ou cinco empresas do portfólio atual façam rodadas Série B ou C. O fundo tem prazo de dez anos e deve investir em 15 a 20 empresas no total.

Performance acima da média

Os números do Fundo II também têm se mostrado promissores. As seis empresas do portfólio crescem, em média, 105% ao ano. Quase todas já realizaram rodadas Série A e algumas avançaram para a Série B, casos da MotoristasPX e da One Car Now, que expandiu operações do México para o Brasil e deve fazer uma Série C em 2025.

“Nosso retorno está muito acima do top decile global e da América Latina. Isso é baseado em rodadas subsequentes”, afirma Lopes. Ele destaca ainda a eficiência de capital das investidas: para cada dólar captado, as empresas do portfólio crescem quatro vezes — métrica que nos EUA raramente ultrapassa 1.

O desempenho atraiu investidores institucionais. O Fundo 2 é ancorado pelo Grupo Ultra, que viu na BluStoneuma oportunidade de acesso ao ecossistema de inovação em logística. A parceria vai além do cheque: a gestora realiza reuniões mensais com o conglomerado para mapear dores operacionais e conectar startups do portfólio que possam resolvê-las. Além do grupo, o fundo conta com um investidor institucional internacional, family offices ligados ao setor de logística e pessoas físicas.

Mercado defasado

Para Carlos, a América Latina ainda tem muito valor a ser extraído no setor. “Muita gente pensa em eletrificação ou veículos autônomos quando fala de inovação em logística, mas o pessoal ainda está cotando frete em caderno. Tem muita coisa que é só digitalizar”, diz. Ele calcula que, para uma transportadora com margem de 4% a 5%, um ponto percentual de melhoria já representa ganho de 20%.

Outro gargalo é a fragmentação. Desde a criação do pedido até a expedição e entrega, os processos são desconectados. “Se consegue digitalizar, organizar os dados e integrar, já gera ganho imenso. Não precisa ser LLM para fazer diferença aqui”, afirma.

Além disso, há um equívoco sobre o perfil do setor. “Tem preconceito de que logística é asset heavy, mas é o contrário. Em termos de eficiência de caixa, nossas empresas têm métricas muito superiores às do mercado tradicional”, diz Lopes.

O post BluStone fecha Fundo II em R$ 70M com foco em logística apareceu primeiro em Startups.

Close Menu

Wow look at this!

This is an optional, highly
customizable off canvas area.

About Salient

The Castle
Unit 345
2500 Castle Dr
Manhattan, NY

T: +216 (0)40 3629 4753
E: hello@themenectar.com