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O que founders esperam da IA em 2026 e como isso pode afetar os negócios

By dezembro 23rd, 2025No Comments
Executivos (Foto: Canva)
Executivos (Foto: Canva)

Após dois anos dominados por promessas, experimentos e discursos genéricos, a inteligência artificial começa a entrar em uma nova fase. Em 2026, a tecnologia deixa de ser um diferencial opcional e passa a ser cobrada como parte da engrenagem central dos negócios, com impacto direto em produtividade, estrutura de custos, modelos de receita e tomada de decisão.

O desafio já não é mais se as empresas vão usar IA, mas como ela será integrada às estratégias. Quais aplicações têm escala real? O que tende a se tornar padrão? E quais narrativas devem perder força no próximo ciclo?

Para responder essas questões, o Startups ouviu sete fundadores de diferentes setores. Eles analisam o impacto da IA em seus mercados, apontam tendências que devem ganhar tração, mitos que começam a cair e explicam como suas empresas estão se posicionando diante de um cenário em constante movimento.

Confira, a seguir:

Guilherme Junqueira, fundador da Delta Academy, edtech voltada a agentes de IA

“2026 vai ser o ano em que a IA entrar no P&L. A maioria das empresas brasileiras ainda trata IA como projeto de inovação ou ferramenta para o time de TI. Isso acaba. A pressão por resultados vai forçar CEOs a escolher: implementar IA por convicção, por conveniência ou por constrangimento.

Três movimentos vão definir quem se torna AI-Driven: 1. RPE (receita por funcionário) substitui headcount como métrica de sucesso, porque estrutura inchada vira vergonha, não orgulho. 2. Agentes de IA começam a substituir times inteiros, não só tarefas isoladas. 3. E a barreira para criar software desaba de vez, fazendo executivos passarem de Vibe Coding para Value Coding: construir vira a nova forma de comunicar. O mito de que o Brasil está atrasado não se sustenta: temos base de dados massiva, talento técnico competitivo e problemas complexos que exigem soluções criativas. O que falta é ambição, não capacidade.

No nosso setor de educação, o impacto é ainda mais brutal. A maior parte do que se ensina em MBAs e cursos tradicionais pode ser entregue por um agente de IA bem treinado. O papel do educador muda: de transmissor de conteúdo para arquiteto de aprendizagem. O CEO que não sentar para estudar IA em 2026 vai virar case de fracasso em 2027.”


Marcelo Lombardo, CEO e fundador da Omie

“Até 2026, a Inteligência Artificial deixa de ser um diferencial e passa a ser parte essencial da infraestrutura dos negócios. Ela será cada vez mais usada para automatizar processos, interpretar dados em tempo real e apoiar decisões estratégicas, trazendo mais eficiência, previsibilidade e competitividade. No setor de tecnologia para PMEs, a IA tem um papel ainda mais relevante: simplificar a gestão, integrar áreas como financeiro, fiscal e vendas e transformar dados complexos em informações claras e acionáveis para o empreendedor.

Entre as principais tendências estão a IA embarcada nos sistemas de gestão, atuando como um copiloto do empreendedor; o avanço das interfaces conversacionais, que tornam o uso da tecnologia mais intuitivo; e o uso de dados integrados para decisões mais rápidas e assertivas. Em relação aos mitos, o principal é que a IA vai substituir pessoas. Na prática, ela amplia a capacidade humana e libera tempo para atividades mais estratégicas. Outro mito comum é que a IA só faz sentido para grandes empresas ou exige investimentos elevados. A experiência mostra que, quando integrada a ferramentas como um ERP completo, a IA se torna acessível, escalável e extremamente relevante para pequenos e médios negócios.

A Omie enxerga duas prioridades nesse cenário. A primeira é usar a Inteligência Artificial para reduzir o atrito na adoção de um software de gestão pelas pequenas empresas. Vamos dobrar a aposta na funcionalidade Omie via WhatsApp, permitindo que todo o sistema seja implementado e operado de forma conversacional, de maneira mais simples e acessível ao empreendedor. A segunda prioridade é posicionar a IA como uma aliada estratégica do empreendedor, capaz de gerar insights e ajudá-lo a navegar pela complexidade fiscal do país, incluindo os impactos e mudanças trazidos pela reforma tributária.”


Gustavo Debs, cofundador da Neospace, startup de IA investida pelo Itaú

“Olhando para 2026, a inteligência artificial deixa de ser novidade e passa a ser infraestrutura básica dos negócios. As empresas vão sair do uso genérico da IA e avançar para soluções que entendem profundamente seus próprios dados, processos e contexto.

Alguns mitos devem cair nesse caminho, como a ideia de que a IA substitui pessoas indiscriminadamente ou de que um modelo pronto resolve qualquer problema. O verdadeiro valor estará em aplicações práticas, integradas ao dia a dia, que aumentam produtividade e melhoram decisões”


Mariana Dias, CEO e cofundadora da Gupy

“Será um momento crucial de transição. A IA deixará de ser um termo genérico para se tornar uma realidade operacional nas empresas. Dados do relatório “Mercado de Trabalho no Brasil: Cenários, tendências e insights 2026”, da Gupy, mostram que 37% das oportunidades ainda mencionam IA de forma ainda vaga, mas essa confusão tende a diminuir em 2026, à medida que as organizações passam a ter mais clareza sobre quais tecnologias usam e com qual objetivo.

Embora 46% das posições ligadas à IA ainda estejam concentradas em Tecnologia, há um avanço claro em áreas como Operações, Administrativo, Marketing e até RH, o que indica que a IA está se consolidando uma competência transversal. Em 2026, ela deve ser incorporada por profissionais de negócio, gestores de projetos e analistas financeiros – não apenas por engenheiros de machine learning.

O grande mito que deve cair é o de que a IA vai substituir completamente as pessoas. Os dados mostram o oposto: cresce a demanda por superworkers – profissionais que combinem inteligência humana com competência técnica em IA. Criatividade, comunicação e responsabilidade estão entre as habilidades comportamentais mais valorizadas – justamente aquelas que nenhuma máquina consegue replicar. A IA não é um substituto para pessoas, é um amplificador do potencial humano. Entender essa dinâmica será uma vantagem competitiva.

Outro mito a ser combatido é o de que a IA resolve tudo sozinha. Outro mito recorrente é o de que a IA resolve tudo sozinha. Sem integração aos fluxos de trabalho, mudança cultural e objetivos claros de negócio, ela permanece subutilizada. Em 2026, a tendência é de amadurecimento dos projetos, com decisões mais criteriosas sobre continuidade e escala dessas iniciativas.

Nesse contexto, a Gupy consolidou sua plataforma como um sistema operacional de RH orientado por IA. A estratégia para 2026 passa por três frentes: educação de mercado, desenvolvimento contínuo e personalizado de talentos – com foco nos superworkers – e compromisso com ética e transparência nas decisões ao longo do ciclo do colaborador.”


Débora Folloni, ex-CEO e fundadora da Chiligum e atual fundadora da Epic

“O maior mito que vai cair em 2026 é o de que a IA vai substituir engenheiros de software. Na verdade, o que estou vendo acontecer é o oposto: a IA está criando engenheiros.

Hoje, com a devida resiliência, qualquer pessoa com uma ideia clara consegue construir uma aplicação funcional usando ferramentas como Claude, Cursor ou Lovable. Eu mesma sou um bom exemplo disso e lancei recentemente o Epic.dev, que está com 2,200 usuários no momento, sem escrever uma linha de código. Há um ano atrás, isso seria impensável, para alguém como eu.

Para 2026, a tendência mais importante é a democratização real do desenvolvimento. Vamos ver PMs, designers, devs e empreendedores lançando produtos próprios e uma explosão de inovação deve acontecer, com times extremamente enxutos. O gargalo deixa de ser “saber programar” e passa a ser “saber o que construir e por quê”.

Na Epic, estamos posicionados exatamente nessa interseção. Nosso trabalho é capacitar esses novos builders – ensinar não apenas a usar as ferramentas, mas a pensar como produto, a estruturar requisitos de forma que a IA entenda, para que pessoas consigam, enfim, tirar suas ideias do papel.”


Alex Vilhena, fundador e CEO da Malga

“No setor de pagamentos, acho que eu vejo algumas mudanças possíveis e grandes. O primeiro é quando a gente fala de roteamento inteligente que impacta a taxa de aprovação de transações nos cartões. Até agora, empresas de pagamento no Brasil não têm usado IA para rotear transações de forma inteligente e nem para descobrir quais são os padrões que melhoram a aprovação. É um salto bem grande do estado atual do mercado.

Outro ponto é a chegada de agentes que virem uma extensão do consumidor para poder comprar.

Para isso funcionar, as empresas começaram a criar protocolos, para fazer esse “aperto de mão seguro” entre o consumidor, o seu agente e a empresa que processa o pagamento. Eu acho que isso começa a ganhar mais tração ano que vem, mas ainda vai ter uma questão vinda dos grandes. Por exemplo, eu não consigo imaginar o Mercado Livre permitindo um agente externo que não seja deles.

E é até meio estranho, mas eu acho que outro mito, uma coisa que eu escuto muito nesse mundo de pagamentos, é que a IA vai resolver o problema da aprovação de transações e o problema de antifraude. Vai melhorar? Vai. Mas não vai resolver completamente. Até porque, os fraudadores também vão estar usando essas ferramentas.

É um cenário em movimento. Até as ferramentas e agentes internos que construí há seis meses atrás, vou reconstruir totalmente agora.”


Manoela Mitchell, CEO ecofundadora da Pipo Saúde

“Falando especificamente de saúde e seguros, a inteligência artificial tem um impacto bem interessante ao usar dados proprietários e privados. Quando a gente fala de seguros, o preço de um cliente é o preço daquele cliente. Quando a gente fala de saúde, um dado de saúde é dado de uma pessoa.

Então, como que a gente alavanca esse nível de customização e personalização de recomendação através da IA? Acho que são coisas que a gente está vendo ainda muito embrionária, mas que tem um potencial gigantesco quando eu olho para 2026.

Em relação a tendências, eu vejo muito essa questão de avançar em dados que são realmente exclusivos. A grande vantagem competitiva de inteligência artificial está no dado. O dado é o combustível de uma boa IA. E quando a gente pensa em tendência, eu vejo os setores com dados. Privados e mais exclusivos podendo alavancar mais isso.”

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