Skip to main content

data center

A demanda explosiva por capacidade computacional para treinar modelos de inteligência artificial (IA) colocou o setor de tecnologia em rota de colisão com a crise energética global. Atualmente, os data centers terrestres consomem cerca de 2% de toda a energia do planeta, com uma projeção de crescimento de 16% ao ano até 2028. Diante desse gargalo, gigantes como Google e a Blue Origin, de Jeff Bezos, olham para o céu não apenas como fronteira de exploração, mas como a próxima infraestrutura crítica de TI.

A premissa é fisicamente atraente: no espaço, a energia solar está disponível 24 horas por dia, sem a interferência de nuvens ou ciclos noturnos, permitindo uma eficiência inalcançável em solo. O conceito, batizado de economia cislunar, sugere estender a esfera econômica da Terra até a órbita da Lua, criando uma nova camada de serviços digitais.

Leia também: Nova geração de chips de IA da Nvidia está em produção total e promete salto expressivo de desempenho

O “moonshot” da Google e a infraestrutura modular

O Google lidera uma das iniciativas mais ambiciosas com o Projeto Suncatcher. A proposta envolve constelações de satélites em órbita terrestre baixa (LEO) equipados com chips TPU Trillium. Segundo testes de radiação, esses processadores suportariam missões de até cinco anos. Para garantir a conectividade necessária, a empresa aposta em links ópticos de espaço livre, capazes de transmitir dezenas de terabits por segundo.

Paralelamente, a startup Spacedocktrabalha no que chama de “IKEA espacial”. Em vez de lançar estruturas colossais, a empresa desenvolve componentes modulares que podem ser montados em órbita por robôs. A visão inclui a padronização de conexões — um “USB-C para o espaço” — permitindo que satélites transfiram dados e energia de forma autônoma.

Entretanto, ara que os data centers orbitais deixem de ser ficção científica, o custo de acesso ao espaço precisa cair drasticamente. Analistas do setor estimam que o valor de lançamento deve ficar abaixo de US$ 200 por quilo para tornar a operação competitiva.

Se a SpaceX atingir suas metas com o foguete Starship, o custo anualizado da energia no espaço poderia cair para cerca de US$ 810 por quilowatt, tornando-se mais barato que a operação de data centers terrestres nos Estados Unidos, que hoje oscila entre US$ 570 e US$ 3.000 por quilowatt ao ano.

Realidade de mercado ou corrida geopolítica?

Apesar do otimismo técnico, o mercado ainda opera sob forte dependência estatal.Para Lucas Fonseca, CEO da Airvantis, é preciso cautela ao falar em um “mercado” consolidado de economia cislunar nesta década.

“É preciso ser realista: ainda não existe um ‘mercado’ no sentido tradicional. Embora já vejamos algumas empresas oferecendo transporte e logística, a realidade financeira é que todas elas dependem quase exclusivamente de contratos governamentais para existir”, afirma Fonseca.

Segundo o executivo, o que impulsiona o setor hoje não é o lucro comercial direto, mas a competição geopolítica entre Estados Unidos e China. Programas como o CLPS (Commercial Lunar Payload Services), do governo americano, criam uma demanda artificial para estruturar a cadeia de suprimentos privada.

O papel do Brasil

Nesse cenário de disputa entre potências, o Brasil corre o risco de se tornar apenas um consumidor de tecnologia. No entanto, o país tenta se posicionar em um nicho específico: a agricultura espacial (space farming).

“A ideia é utilizar nossa vocação agrícola para desenvolver tecnologias de cultivo fora da Terra”, explica Fonseca. Contudo, ele alerta que, sem fomento contínuo à pesquisa e um planejamento espacial claro, a distância tecnológica para os grandes players se tornará insuperável.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Close Menu

Wow look at this!

This is an optional, highly
customizable off canvas area.

About Salient

The Castle
Unit 345
2500 Castle Dr
Manhattan, NY

T: +216 (0)40 3629 4753
E: hello@themenectar.com