Skip to main content
Notícias

Este fundo brasileiro está surfando a onda de IPOs nos EUA

By janeiro 15th, 2026No Comments
Fundada por brasileiros, a Fabrica Ventures está localizada no coração do Vale do Silício | Foto: Canva
Fundada por brasileiros, a Fabrica Ventures está localizada no coração do Vale do Silício | Foto: Canva

Uma gestora de venture capital brasileira, instalada em Palo Alto, berço do Vale do Silício, está por trás de apostas em grandes players da nova economia, como Databricks e Anthropic. Depois de encerrar os investimentos de seus dois fundos, a Fabrica Ventures vem vivendo agora um período de colheita com a retomada dos IPOs nos Estados Unidos.

Após um longo inverno nas ofertas iniciais de ações, a janela começou a se reabrir nos últimos meses, trazendo saídas de empresas como a Circle, de stablecoins, que também faz parte do portfólio da casa e realizou seu IPO em junho do ano passado. Também abriram capital em 2025 outras investidas da Fabrica, como a Netskope, de cibersegurança, que fez IPO em setembro, e a CoreWeave, de data centers, que estreou na bolsa em março.

Para este ano, estão previstos IPOs de empresas como a Anthropic, além de outras empresas do portfólio da gestora, como a Kraken, corretora de criptomoedas, que chegou a entrar com pedido de oferta pública inicial de ações em novembro.

Investida da casa, a Lambda, startup de cloud apoiada por Nvidiae Microsoft, planeja levantar uma nova rodada de US$ 350 milhões antes de dar entrada no IPO, o que está previsto para acontecer no segundo semestre deste ano.

Compras no mercado secundário

A estratégia da Fabricafoge do modelo tradicional de venture capital praticado no Brasil. Embora também participe de algumas rodadas primárias, a maior parte dos investimentos da gestora é feita no mercado secundário.

“Nosso fundo é pequeno, com investimento médio de US$ 700 mil a US$ 1 milhão por empresa. Dado o nosso tamanho, nós não conseguiríamos entrar em mega rodadas. Por isso, a gente se vale do mercado de secundárias, que é muito bem estabelecido nos Estados Unidos”, afirma Alvaro Filpo, cofundador da Fabrica Ventures, em entrevista exclusiva ao Startups.

Além de facilitar o acesso a empresas com grande potencial de valorização, a estratégia permite que a gestora compre participações de executivos, ex-executivos e de outros fundos, muitas vezes em condições mais atrativas do que as oferecidas em rodadas abertas ao mercado.

“Existe muita oportunidade nesse mercado. A Brex [fintech americana fundada por brasileiros] a gente comprou com 60% de desconto sobre a última rodada. Às vezes, compramos com prêmio, mas às vezes conseguimos com baita desconto”, conta o investidor.

Atualmente, a Fabrica tem cerca de 135 Limited Partners (LPs) – a maior parte brasileiros. O foco da gestora está em startups B2B sediadas nos Estados Unidos e late-stage.

Via de regra, a Fabrica não pode investir mais de 8% do capital em uma única empresa e evita posições inferiores a 2%. O alvo é cerca de 4% por ativo, o que leva a uma carteira com aproximadamente 25 empresas. No segundo fundo, esse número chegou a 27 investidas.

Alvaro Filpo, cofundador da Fabrica Ventures | Foto: Divulgação

Antes de cada aporte, a gestora realiza um processo rigoroso de análise. As teses de investimento são extremamente detalhadas, com até 80 páginas, e passam por um comitê formado por LPs, entre eles executivos de grandes companhias e sócios de consultorias globais. Para embasar as decisões, a Fabricarecorre a plataformas de inteligência de mercado como a CB Insights, que ajudam a identificar padrões de crescimento, recorrência de investimentos e sinais de liderança setorial.

A análise também leva em conta a qualidade dos investidores já presentes no cap table. “Se um fundo como a Andreessen Horowitz continua investindo rodada após rodada, isso é uma sinalização muito forte de que existe uma chance de sucesso ali”, acrescenta Alvaro.

Nem só de IPO vivem os fundos

Apesar do bom momento para os IPOs, o investidor reconhece que as saídas via M&A ainda têm o seu valor. Na véspera de Natal, uma das investidas da Fabrica, a startup Groq, de IA, anunciou a sua aquisição pela Nvidia, em uma operação estimada em cerca de US$ 20 bilhões.

“O IPO acaba sendo uma coroação para a empresa, é o ápice para o fundador. Mas, se passa o cavalo selado, você vai subir”, brinca Alvaro. “Uma oferta de US$ 20 bilhões não pode deixar passar. Dificilmente uma saída via IPO chegaria a esse valor”.

Otimista com a possibilidade de corte de juros em 2026, porém, o investidor acredita que o mercado de IPOs ainda trará boas surpresas este ano – e bons retornos aos cotistas da Fabrica.

A gestora avalia a possibilidade de lançar um terceiro fundo, mas não tem pressa. “A gente pensa nisso mais para o final do ano. O processo de fundraising é muito desgastante e longo, exige bastante energia”, afirma o cofundador, que reconhece que, com os resultados alcançados até agora, pode ser que essa etapa fique mais fácil. Apesar de ser uma gestora pequena, a Fabrica já figura no primeiro decil de performance da indústria de VC. “Esse é um bom cartão de visitas”, admite Alvaro.

O post Este fundo brasileiro está surfando a onda de IPOs nos EUA apareceu primeiro em Startups.

Close Menu

Wow look at this!

This is an optional, highly
customizable off canvas area.

About Salient

The Castle
Unit 345
2500 Castle Dr
Manhattan, NY

T: +216 (0)40 3629 4753
E: hello@themenectar.com