Skip to main content
Notícias

Venture builder mineira de lawtechs vai lançar fundo de R$ 60M

By janeiro 22nd, 2026No Comments
Priscila Spadinger, CEO da Aleve LegalTech Ventures | Foto: Divulgação
Priscila Spadinger, CEO da Aleve LegalTech Ventures | Foto: Divulgação

O avanço da inteligência artificial tem renovado setores tradicionalmente marcados pela burocracia, com destaque para o meio jurídico. As novas possibilidades abertas pela tecnologia impulsionaram o surgimento e a consolidação das lawtechs, que passaram a modernizar processos, aumentar a eficiência operacional e liberar advogados de tarefas repetitivas, permitindo maior dedicação a atividades estratégicas e intelectuais.

Fundada em 2021 e com sede em Belo Horizonte, a venture builder Aleve LegalTech Ventures nasceu antes dessa revolução, mas já percebia no setor jurídico um terreno fértil para inovação. O objetivo, segundo a Priscila Spadinger, era ajudar startups no estágio de ideação a se desenvolverem e crescerem, até o momento da venda para um estratégico.

Agora, com um histórico de construção de 17 empresas e uma rede de 100 investidores, a Aleve quer levar sua expertise em legaltechs para o venture capital. A empresa está estruturando um Fundo de Investimento em Participações (FIP) no valor de R$ 60 milhões para começar a investir em startups do próprio portfólio e de fora, com foco em soluções para escritórios de advocacia e o judiciário em geral.

“Continuamos com tese exclusiva em legaltechs, mas decidimos criar o FIP porque vínhamos sendo procurados por muitos fundos querendo investir nas nossas startups, e não tínhamos um instrumento que permitisse esse tipo de aporte. Por alguma razão, às vezes é mais fácil conseguir um cheque de milhões do que de R$ 50 mil”, brinca.

Juntas, as startups do portfólio da Aleveregistraram um aumento de 80% no valuation em 2025, alcançando R$ 180 milhões no total. O crescimento, segundo Priscila, está diretamente ligado ao uso de IA como ferramenta pelos negócios.

“Antigamente, tudo levava muito mais tempo. Até a startup ficar madura o suficiente eram dois a três anos. Agora, em dois dias a gente consegue começar a testar a solução”, afirma a executiva.

Foi o caso da Cria.AI, legaltech que automatiza a redação de documentos e peças jurídicas em modelo SaaS, já utilizada por mais de 20 mil advogados no país. Em outubro do ano passado, a Aleve vendeu sua participação na startup para a Preâmbulo Tech, apenas dois anos depois da fundação da startup e um ano após a entrada na Aleve.

“A nossa especialidade sempre foi construir empresas para que elas sejam adquiridas por players do setor. A venda faz parte do modelo de negócio”, diz Priscila, destacando que a operação é vantajosa tanto para a startup, quanto para a corporação: “Quem compra não leva só a tecnologia, mas um time pronto e uma operação organizada”.

Venture capital participativo

A entrada no venture capital, porém, não vai mudar o modelo de atuação hands on da Aleve, que manterá sua vertical de venture builder e planeja usar a proximidade com os founders a ser favor. Esse fator será um dos diferenciais da Aleve num mercado que, na visão de Priscila, ainda sofre com a solidão dos empreendedores.

“Aqui eles ganham mentores de altíssimo nível e portas abertas para conversar com todo o nosso ecossistema, que vai além de advogados: inclui executivos, investidores e outros fundadores”, aponta a executiva.

Com a criação do FIP, esse suporte se amplia. “Por termos a veia de venture capital, o empreendedor pode se dedicar mais ao negócio e deixar que a gente traga o dinheiro”, diz.

Segundo ela, dentro da tese jurídica, existem segmentos específicos que oferecem boas oportunidades no Brasil. Priscila destaca o mercado de georreferenciamento – no qual ela acredita que uma das startups da Aleve teria potencial para se tornar o próximo unicórnio. Trata-se da JusMapp, legaltech de inteligência jurídico-territorial que combina geoprocessamento, dados espaciais e IA para mapear riscos e oportunidades em imóveis e territórios, analisando dimensões ambiental, fundiária, minerária, energética e política.

Outras demandas recorrentes do mercado incluem a redução do tempo gasto com pesquisa de jurisprudência e o mapeamento de riscos jurídicos. “Às vezes nem é IA, é automação muito bem feita”, diz Priscila, citando soluções que organizam grandes volumes de processos e entregam relatórios completos para empresas. Ainda assim, ela faz um alerta: “Qualquer IA carrega uma responsabilidade enorme. A responsabilidade final é sempre do advogado. Ainda há muito o que educar o mercado. Tem gente que trata a tecnologia como verdade absoluta”.

Para Priscila, essa maturidade passa também por um novo perfil de profissional. “Falta advogado empreendedor. A maioria das startups que chega até nós vem de advogados, e isso é positivo, porque advogado investe em quem fala de igual para igual. Só consegue empreender de verdade quem entende a dor que está do outro lado.”

O post Venture builder mineira de lawtechs vai lançar fundo de R$ 60M apareceu primeiro em Startups.

Close Menu

Wow look at this!

This is an optional, highly
customizable off canvas area.

About Salient

The Castle
Unit 345
2500 Castle Dr
Manhattan, NY

T: +216 (0)40 3629 4753
E: hello@themenectar.com