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Liqi lança stablecoin em reais “com pedigree”

By janeiro 27th, 2026No Comments
Daniel Coquieri, fundador da Liqi | Foto: Divulgação

A fintech de ativos digitais Liqi entrou na onda das stablecoins e colocou no mercado a sua própria moeda, a BRLD. Atrelada ao real, a moeda tem lastro em títulos do Tesouro Direto, e não estará listada em nenhuma plataforma. Sua aplicação inicial será direcionada ao público corporativo. Os dois primeiros casos de uso são tesouraria e gestão de caixa e o suporte a operações tokenizadas.

De acordo com Daniel Coquieri, fundador da Liqi, o plano é avaliar novas aplicações da moeda a partir do segundo semestre. A BRLD foi construída com base na BRLT, uma stablecoin desenvolvida há quatro anos pela Liqi para uso interno em suas operações de tokenização.

O mercado de stablecoins vem ganhando atenção principalmente depois do Genius Act do governo dos EUA. Com a regulação, as moedas digitais ganharam legitimidade e passaram a ser avaliadas de outra forma pelo mercado financeiro.

Em 2025, o movimento global de stablecoins chegou a US$ 300 bilhões, segundo estudo da Iporanga Ventures. A maior parte desse montante circulou em moedas atreladas ao dólar, o que exige conversões constantes e adiciona custos e complexidade ao processo.

O Brasil já tem stablecoins em real como BRZ (Transfero), BRL1 (Foxbit), BRLV (Crown) e a Avenia (antiga BRLA). Mas, na avaliação de Daniel, faltava uma opção “com pedigree”. O fundador se refere ao fato de a Liqiter como investidores nomes como o banco Itaú, as gestoras Pátria e Galápagos e a Oliveira Trust. “Não é a stablecoin do Daniel, E isso é muito importante”, pontua.

Segundo ele, partiu dos próprios investidores a provocação para colocar a stablecoin no mercado. O pedido veio em uma reunião de conselho realizada no fim de 2025. “Tem muita coisa que faz sentido. Temos um ecossistema. E os sócios também podem se beneficiar”, avalia. O fundador diz acreditar em um cenário em que várias moedas vão existir. Cada uma voltada a aplicações diferentes do mercado.

Casos de uso

No caso da BRLD, os usos iniciais estão ligados a demandas corporativas. O primeiro é a gestão de tesouraria, que oferece às empresas uma opção de gestão de caixa de curto prazo com rendimento de 95% do CDI e negociação a qualquer momento (24/7). As operações não pagam IOF porque estão vinculadas a títulos do Tesouro com prazo superior a 30 dias. Mas estão sujeitas a tributação de IR como qualquer outras.

Daniel cita como exemplo a revendedora de carros usados Kavak, que muitas vezes “dorme” com dinheiro de negociações parado no caixa porque os recebimentos acontecem fora do expediente bancário. Com a BRLD, esses recursos não precisam ficar parados.

O produto está disponível para as 75 empresas que já têm relacionamento ativo com a Liqi e pode ser acessado por outras empresas que se cadastrarem no site da companhia e forem aprovadas no processo de avaliação.

Na outra aplicação, a BRLD entra como a estrutura atrelada a contratos feitos na blockchain.  na blockchain. A vantagem aqui é usar os recursos de smart contracts, como e execução automática, e o conceito de “dinheiro carimbado”, já que os recursos podem ser atrelados apenas a uma transação específica. Um uso possível é de plataformas de crowdfunding.

De acordo com Daniel, o escritório de advocacia Pinheiro Neto auxiliou a Liqi na estruturação jurídica da BRLD. O mercado de stableconis ainda não tem regras específicas no Brasil, mas caminha para uma regulação.

Em novembro do ano passado o Banco Central estabeleceu regras para a autorização e a prestação de serviços de ativos virtuais, e criou as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSVAs). Além disso, regulamentou quais atividades ou operações com ativos virtuais se inserem no mercado de câmbio e quais situações estão sujeitas à regulamentação de capitais internacionais. Os assuntos estão disciplinados nas resoluções BCB: 519, 520 e 521.

O fundador avalia a regulação como um movimento positivo porque traz segurança ao mercado para adoção das moedas.

Futuro é stablecoin

Para Daniel, a stablecoin pode ser tornar o principal negócio da Liqi nos próximos anos por se tratar de uma necessidade fundamental das empresas, que é o dinheiro. “Há cinco anos eu não via as stablecoins com o potencial que vejo hoje. Até um tempo atrás elas eram muito uma inovação. Agora, viraram uma infraestrutura real que o mercado está usando” defende.

Nascida em 2021, a Liqi fechou 2025 com uma receita de R$ 10 milhões. Para 2026, o plano é mais que dobrar de tamanho, chegando a R$ 25 milhões.

O avanço virá das emissões de tokens de grandes clientes como o Itaú, que a Liqicomeçou a fazer no fim do ano passado, e também da movimentação da BRLD. A expectativa é que o volume de recursos transacionados em 2026 dê um salto exponencial. De um acumulado de R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, o plano é chegar a R$ 5 bilhões este ano.

Até o fim do ano, a Liqiespera receber do Banco Central a licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD), o que permitirá que, a partir de 2027, ela incorpore algumas operações que hoje são feitas com outras empresas e melhore ainda mais seus resultados.

Com quase 40 funcionários, a companhia ainda tem recursos em caixa da rodada de R$ 12 milhões feita com o Pátria em 2024 e está próxima de atingir o breakeven. Com o desempenho promissor, o plano é fazer uma nova captação para financiar seus planos de expansão.

O objetivo é levantar US$ 10 milhões, de preferência tendo um fundo estrangeiro liderando. “Queremos dolarizar o captable”, explica. Segundo ele, Itaú, Pátria e Galápagos já se comprometeram a participar da captação, o que deve tornar o processo menos complexo. Além dos R$ 12 milhões do Pátria, a Liqi levantou R$ 27,5 milhões com o Itaú e mais R$ 14,5 milhões com Galápagos, somando R$ 54 milhões levantados até agora.

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