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ROI, inteligência artificial, América Latina (IA)

Por Lucas Vanzin

À primeira vista, a inteligência artificial(IA) parece apenas mais uma onda tecnológica. Mas quem está na linha de frente da infraestrutura sabe que não é tão simples assim. Quando modelos generativos entram no fluxo diário da empresa, eles pressionam sistemas, redes e equipes a um nível que poucas organizações estavam preparadas para suportar. A verdade é que a IA não cria novos gargalos; ela apenas ilumina os que já existiam.

Relatórios recentes ajudam a dimensionar esse cenário: segundo a IDC, 88% dos projetos-piloto de IA não chegam à produção, principalmente por falta de preparo organizacional. É o tipo de estatística que confirma o que profissionais de TI vêm percebendo na prática: workloads que rodavam perfeitamente há dois anos agora engasgam, redes saturam com facilidade e clusters começam a operar no limite.

Grande parte das dificuldades nasce de uma visão ingênua: a ideia de que IA é só instalar um modelo e esperar impacto imediato. Mas a pergunta incômoda sempre volta: instalar onde? Com quais GPUs? Qual latência é aceitável? Como garantir isolamento entre ambientes de teste e dados sensíveis?

Esse descompasso já aparece nos números. O Gartner estima que 30% dos projetos de IA emperram em infraestrutura subdimensionada. E não é por falta de talento ou orçamento, é arquitetura. O modelo exige leitura e escrita constantes, GPU disponível, tráfego intenso, logs detalhados. Basta colocar o sistema para rodar para descobrir o que estava escondido atrás de anos de improviso.

A adoção de IA altera a cadência de trabalho: antes, ciclos longos eram aceitáveis. Hoje, times lidam com experimentos contínuos, fine-tuning paralelo, ambientes que precisam ser criados e descartados rapidamente. Nesse cenário, qualquer milissegundo importa. Quando a resposta do modelo atrasa, o negócio sente. Quando falta capacidade, o negócio para.

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O interessante é como gargalos outrora invisíveis se tornam imediatos: latência interna entre sistemas, automações engessadas, provisionamento manual que não incomodava, até travar um pipeline de inferência às duas da manhã. A IA não muda só a carga; muda a tolerância da operação inteira. A maioria das empresas ainda não domina o próprio ecossistema técnico o suficiente para sustentar um ciclo de IA maduro.

O Relatório de Habilidades em Nuvem mostra que 53% das organizações admitem não ter competências internas suficientes para evoluir seus projetos. Isso inclui monitoramento, governança de dados, operação de clusters e gestão de capacidade.

Nesse ponto, surge a pergunta inevitável: a empresa precisa mesmo começar pela IA, ou precisa antes revisar sua própria fundação tecnológica? É um questionamento impopular, mas inevitável. No fim, a maturidade em IA começa com arquitetura; o modelo vem depois.

É aqui que entram os riscos que muitas vezes passam despercebidos. Os principais são, na verdade, os mais óbvios: ambientes de teste misturados com produção, clusters sem isolamento adequado, picos de custo imprevisíveis, conjuntos de dados duplicados ou desorganizados. Quanto maior a dependência de automação, maior a sensibilidade a falhas de infraestrutura, e isso vale para segurança, disponibilidade e controle financeiro.

A IA, ao contrário do que muitos imaginam, não tolera remendos. Empresas que realmente colhem valor da IA são, em geral, as que começam arrumando a própria base: storage escalável, políticas de dados claras, ambientes monitorados de ponta a ponta e uma arquitetura capaz de lidar com cargas intensivas sem colapsar outras áreas do negócio.

A lógica é simples: a IA amplia tudo, inclusive os problemas estruturais. Por isso, o ponto de virada não está no modelo, mas na preparação da infraestrutura que vai sustentá-lo. Quando a base é sólida, a IA deixa de ser um risco e passa a se tornar, de fato, um acelerador de resultados.

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