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Amin Nunes e Renata Feltrin, da Forwd. Foto: Divulgação

Em um momento em que inteligência artificial (IA) virou item quase que obrigatório na agenda do CEO, dois ex-sócios de uma das maiores consultorias de tecnologia do País, decidiram mirar um território ainda pouco explorado: transformar IA em mobilização estratégica real, capaz de sair do discurso e impactar o resultado.

A Forwd nasce da união de Amin Nunese Renata Feltrin, que atuaram juntos por duas décadas na CI&T. Mas a nova empreitada não quer replicar o modelo tradicional de consultoria estratégica nem o playbook clássico da tecnologia. A ambição é transformar visão em tração e fazer isso de forma ágil.

Eles explicam. “Se temos clareza do norte, talvez o mais importante não seja desenhar um plano plurianual impecável, mas saber o que começa a mudar já na segunda-feira”, resume Nunes.

A leitura dos dois fundadores parte do diagnóstico de que o nível de incerteza no mercado explodiu por conta do rápido avanço da tecnologia. Não é mais sobre prever o final do jogo com precisão cirúrgica, mas sobre ajudar a atravessar a fase seguinte.

“Há uma concentração enorme de valor nas empresas que performam melhor. Ser mediano não está valendo muito a pena”, afirma Nunes. Em muitos setores, 10% das empresas capturam 90% do lucro. O jogo ficou assimétrico e exige saltos, não incrementos.

Nesse contexto, a Forwd se posiciona como uma boutique estratégica voltada ao CEO e ao Comex. Os executivos explicam que não é o conselho o foco primário, mas a liderança executiva que precisa transformar ambição em execução.

A metodologia, segundo eles, tem duas camadas: design e mobilização. A primeira organiza narrativa, visão, portfólio de teses. A segunda, onde a maioria das estratégias morre, instala o que chamam de “sistema operacional de mobilização”.
“Planejamento estratégico todo mundo faz. A pergunta é: como garantir que, no mês seguinte, a reunião do Comex fale sobre evidências concretas de avanço?”, provoca Renata.

Leia mais: 7 tensões que todo o líder de IA deveria considerar, segundo a Deloitte

Pulsos que elevam a conversa

O vocabulário interno da Forwd ajuda a entender a proposta da empresa. A ideia não é trabalhar projetos isolados, mas por “pulsos”.

Um pulso, explicam, é o ciclo que garante que a estratégia rompeu a inércia. Não basta desenhar a tese; é preciso estruturar governança, topologia de times, rituais de acompanhamento e patrocinadores claros no Comex.

“É instalar um modelo em que o CEO e os diretores não saem da agenda. Eles são patrocinadores ativos das iniciativas, acompanham mensalmente e tomam decisões disciplinadas sobre investimento, aceleração ou encerramento de projetos”, diz Renata.

Esse papel de “sparring partner” é central. A Forwd não quer ser apenas a consultoria que desenha o plano e vai embora. A inteção é permanecer o tempo suficiente para que o novo modo de operar seja absorvido, inclusive culturalmente.
IA, de piloto à estratégia

Se há um assunto que, segundo eles, mudou de marcha do final de 2025 para cá, é inteligência artificial. “A conversa era: estamos testando e rodando pilotos. Agora virou: precisamos gerar ganho concreto que apareça no resultado”, afirma Nunes.

A demanda tem surgido tanto via CEO quanto via CIO, este, muitas vezes, com a missão de transformar IA em agenda estratégica transversal, e não mais apenas tecnológica, apontam os executivos. “Os CEOs estão dizendo que este é o ano de dar o salto com IA. Não é mais sobre piloto, é sobre impacto real nos negócios”, complementa Renata.

A Forwd entra, então, para ajudar a transformar o tema em portfólio estruturado. Onde IA gera mais valor, quais apostas priorizar, que governança instalar, como engajar o Comex inteiro e não apenas a área de tecnologia. “Normalmente, quem nos procura não está só na defesa. Está buscando um salto de mercado, novas avenidas de receita, novas adjacências”, explica Renata.

Embora o primeiro caso emblemático da empresa em seu primeiro ano de vida tenha surgido no varejo, setor em que ambos já tinham forte repertório, a Forwd não pretende se verticalizar.

Hoje, o portfólio inclui empresas de logística, varejo alimentar e farmacêutico. O padrão que se repete é pelo perfil da liderança. São CEOs com mandato claro de crescimento e disposição para reorganizar a casa para capturar oportunidades. “É um nicho por ambição”, sintetiza Amin.

Ao contrário de muitas consultorias que nascem com tese de escala, a Forwd declara a aspiração de fortalecer a reputação antes do tamanho. “Queremos ser a casa que o CEO lembra quando precisa dar um salto de verdade”, pontua Nunes.
Renata complementa com a metáfora que guia a empresa: a de um campo gravitacional. A ideia é atrair tanto empresas líderes que querem acelerar quanto Talentos seniores, executivos e builders que deram seu salto tecnológico e querem atuar, de forma associada, em projetos estratégicos.

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