
A Plinq, startup brasileira que permite que mulheres chequem antecedentes criminais de pretendentes amorosos, mal abriu sua primeira rodada de captação e já atraiu um investidor internacional de peso. Anton Osika, cofundador e CEO da Lovable, entrou na rodada que busca levantar R$ 1,5 milhão até o fim de março. O objetivo da captação é acelerar o lançamento do aplicativo mobile da plataforma, com a meta de faturar R$ 10 milhões em 2026.
Fundada em meados de 2025, a Plinq nasceu após a curitibana Sabrine Matos assistir a uma reportagem sobre feminicídio. O caso mostrava uma jovem morta a facadas pelo ex-namorado que, segundo a investigação, escondia ao menos 14 processos de violência doméstica durante o relacionamento – algo que a vítima desconhecia.
A empreendedora colocou a primeira versão do produto no ar em apenas 45 dias, inicialmente como uma plataforma web. O sistema permite pesquisar antecedentes criminais e registros de processos judiciais a partir de dados públicos – como tribunais de Justiça e diários oficiais – e apresentar essas informações de forma organizada e acessível para as usuárias.
Para fazer a consulta, basta informar o nome e o telefone de uma pessoa para obter um relatório com os registros encontrados. A proposta é permitir que mulheres façam um “background check” de potenciais parceiros antes de encontros ou do início de um relacionamento.
Impacto inicial
O crescimento da Plinq foi imediato. No primeiro dia após o lançamento, a plataforma atraiu cerca de 3 mil usuárias e recebeu as primeiras coberturas da imprensa. Dois meses depois, a base havia triplicado, chegando a 10 mil cadastros. Hoje, a startup contabiliza mais de 45 mil usuárias e mais de 50 mil pesquisas realizadas em menos de seis meses de operação.
Sabrine define a Plinq como uma empresa focada no desenvolvimento de produtos de segurança voltados para mulheres. Para ela, o principal diferencial da iniciativa está no caráter preventivo. “Tudo o que existia até então é reativo”, afirma a fundadora. Como exemplo, ela cita o botão de pânico previsto na Lei Maria da Penha e programas de patrulhamento policial acionados apenas após episódios de violência.
Segundo Sabrine, centenas de usuárias já relataram ter evitado situações potencialmente perigosas após utilizar a ferramenta. “Recebemos diretamente relatos de alguém que diz ter sido salvo pela Plinq. Mulheres que pesquisaram alguém antes de sair e descobriram condenações graves, como homicídio”, diz.
Investimento e expansão do produto
A relação com Anton Osika vai além do investimento financeiro. A Plinq é citada pela Lovable como um de seus principais cases globais – algo que, segundo Sabrine, se explica pelo perfil da startup: uma fundadora sem background técnico que usou a ferramenta para criar um produto de impacto a partir de uma dor real. “A Lovable foi construída para pessoas como eu, que tinham a ideia e experiência em produto, mas não eram desenvolvedoras”, pontua.
O aporte, de valor não revelado, foi feito por Osika como pessoa física e representa seu primeiro – e até agora único – investimento no Brasil. A rodada segue aberta para outros investidores-anjo interessados em participar da próxima fase de crescimento da startup.
Os recursos serão direcionados principalmente ao desenvolvimento do aplicativo mobile, com lançamento previsto para as próximas semanas. A ideia é ampliar o escopo da plataforma para o que a empresa chama de “ciclo completo de segurança”.
“Hoje fazemos o background check. No app, vamos expandir para verificação social, dispositivos de rastreamento de segurança, rede de apoio, conteúdo e fórum”, explica Sabrine.
A empreendedora destaca que todas as pesquisas são feitas de forma anônima, com foco na proteção das usuárias. A plataforma também adota medidas adicionais de segurança, como a proibição do uso de nomes reais e o bloqueio de capturas de tela dentro do aplicativo.
Modelo de negócios
Hoje, a Plinq permite a realização de consultas pontuais ao custo de R$ 27 por pesquisa completa. O pacote inclui acesso aos registros criminais encontrados, alertas de atualização de status, suporte prioritário e participação em uma comunidade fechada. Também há um plano anual de R$ 97 que oferece pesquisas ilimitadas.
Com o lançamento do aplicativo, a startup pretende migrar para um modelo de assinatura mensal, com preço estimado em cerca de R$ 14.
Outra frente de monetização prevista é a criação de um espaço publicitário no app voltado a marcas com público feminino. “O aplicativo vai ser só para mulheres, um público muito atrativo para marcas de consumo voltadas a esse universo”, afirma Sabrine.
A empresa também discute possíveis contratos com governos estaduais para desenvolver tecnologias de prevenção à violência doméstica.
Em seis meses de operação, a Plinq faturou cerca de R$ 500 mil. Para 2026, a meta é atingir R$ 10 milhões em receita, impulsionada pelos contratos públicos, pela publicidade e pelo crescimento da base de assinantes.
No lado da aquisição de usuárias, a expectativa é alcançar 2 milhões de downloads nos três primeiros meses do aplicativo. A estratégia combina tráfego pago, assessoria de imprensa e um time de criadores de conteúdo no TikTok que publica diariamente.
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