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A imagem mostra quatro pessoas reunidas em uma sala de reunião moderna. Uma pessoa está de pé ao lado da mesa, gesticulando enquanto fala, e as outras três estão sentadas, ouvindo e olhando para ela. Sobre a mesa há papéis, um tablet e um caderno, compondo um ambiente típico de trabalho colaborativo. (cultura)

Por Fernanda Gullo

Nos últimos anos, a tecnologia se consolidou como um dos setores mais influentes da economia global, com impacto direto em modelos de negócio e comportamento social. No entanto, esse crescimento não refletiu na mesma proporção quando olhamos para a presença feminina no setor já que, globalmente, apenas 9% das posições de CEO em empresas de tecnologia são ocupadas por mulheres, segundo pesquisa da consultoria Boston Consulting Group.

Mesmo quando conseguem ingressar, a progressão dessas profissionais é limitada. No Brasil, segundo levantamento realizado pela Laboratória em parceria com a consultoria McKinsey & Company, menos de 30% dos cargos de alta gerência em tecnologia são ocupados por mulheres, e a presença feminina diminui ainda mais à medida que se sobe na hierarquia.

A desigualdade salarial também persiste, com mulheres recebendo, em média, 24% menos do que homens em posições equivalentes.

A diversidade muitas vezes é tratada como iniciativa pontual, concentrada em programas internos ou ações de desenvolvimento, vulneráveis a cortes orçamentários ou mudanças de gestão. Mas quando o tema chega ao conselho administrativo, ele passa a influenciar decisões estruturais, como critérios de sucessão, políticas de remuneração, metas de liderança e avaliação de desempenho.

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Cultura organizacional começa no topo

É no conselho que se define o que é prioridade estratégica e o que é apenas discurso. Se a desigualdade salarial persiste, se mulheres avançam menos nas promoções ou se a licença-maternidade ainda impacta negativamente trajetórias, isso não é apenas uma falha operacional, é reflexo de escolhas institucionais, e a governança tem papel direto na correção desses desequilíbrios.

Empresas que incorporam mulheres em seus conselhos dão um passo importante nesse sentido, porque ampliam o repertório de decisões e tornam o debate sobre equidade parte da agenda permanente, e não uma pauta reativa.

Diversidade como condição para competitividade

O setor de tecnologia depende de inovação contínua, e a inovação nasce de perspectivas diversas. Equipes homogêneas tendem a repetir soluções conhecidas, enquanto ambientes plurais ampliam os pensamentos e a leitura do mercado. Quando mulheres representam apenas uma fração das novas contratações e menos de um terço da alta liderança, o setor reduz seu próprio potencial criativo.

Além disso, a retenção de talentos está diretamente ligada à percepção de oportunidade real de crescimento. Profissionais qualificadas dificilmente permanecem em ambientes nos quais enxergam um teto invisível ou onde diferenças salariais não são enfrentadas com transparência.

Trabalhar a diversidade desde o conselho é, portanto, uma decisão que impacta desempenho de longo prazo, já que ao integrar pluralidade à governança, a empresa cria bases mais sólidas para corrigir distorções, fortalecer cultura e sustentar crescimento. Em um setor que se apresenta como protagonista da transformação econômica, a inovação não pode se restringir aos produtos enquanto a estrutura de poder segue inalterada.

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