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Habilidades, trabalho, ia, gartner

A cada final de ano, a Forrester revisita tendências e sinais que ajudam a entender para onde o trabalho está caminhando. Para 2026, a consultoria identificou choques entre discurso e prática, pressão crescente por eficiência e um cenário em que a inteligência artificial (IA) acelera mudanças antes mesmo de provar retorno. O relatório completo traz cinco previsões, e três delas foram destacadas publicamente pela analista Betsy Summers.

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  1. Onda de demissões atribuídas à IA

O tema marcou 2024 e 2025 em várias indústrias. Segundo a Forrester, parte desses cortes devem ser revisitados de forma silenciosa. A consultoria projeta que cerca de metade das vagas eliminadas será reativada, muitas vezes deslocada para operações offshore ou com salários inferiores.

A justificativa é de que o entusiasmo inicial com automação cede espaço à realidade operacional: substituir pessoas por tecnologia nem sempre reduz custos, tampouco entrega eficiência se a empresa não estiver preparada para integrar processos, governança e competências humanas nesse movimento. Sem essa visão completa, a IA passa a ser vista menos como atalho e mais como risco.

  1. Terceirizando eficiência para a IA

Outro ponto crítico aparece no RH. Após anos buscando maior protagonismo estratégico, as áreas de gestão de pessoas enfrentam um teste duro. O relatório aponta que cortes de até 50% nessas equipes podem ocorrer à medida que executivos tentam terceirizar eficiência para a IA.

As ferramentas prometem automatizar tarefas transacionais e análises de rotina, mas a Forrester destaca que isso não significa que o RH estará preparado para um salto de produtividade. Pelo contrário: sem domínio de IA, métricas claras e capacidade de provar impacto, o risco é que as equipes fiquem menores justamente quando precisarão redesenhar modelos de trabalho, capacitação e cultura.

  1. Descompasso entre funcionários e líderes

A terceira previsão revela um descompasso crescente entre líderes e funcionários. A Forrester chama essa distância de “cultura-energy chasm”, descrevendo uma disparidade entre o otimismo executivo, impulsionado por ambições de negócios com IA, e a queda de energia emocional do restante da força de trabalho. Um fenômeno em expansão, apelidado de “coasting”, é mencionado como forma de autopreservação. Em vez de rupturas explícitas, trabalhadores passam a reduzir o ritmo de forma deliberada, mantendo entregas mínimas para atravessar períodos de incerteza econômica e metas difíceis de alcançar.

Esses cenários, segundo a Forrester, não são inevitáveis. A consultoria defende que as lideranças precisam examinar os fatores que sustentam o desempenho de alto nível, usar IA para solucionar problemas específicos e preparar pessoas para operar em novos fluxos de trabalho. A disrupção, na visão da equipe, pode ser uma oportunidade para reinventar funções, ajustar cargas, redesenhar jornadas e alinhar cultura ao que a tecnologia realmente permite entregar.

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