Skip to main content

Imagem: Divulgação

A FCamara, consultoria brasileira de tecnologia, concluiu uma transição de liderança planejada há anos. Arthur Lawrence assume formalmente como CEO, enquanto o fundador Fábio Câmara migra para a cadeira de Executive Charmain, se dedicando a temas como inteligência artificial e inovação.

A mudança não é abrupta, segundo os executivos. Lawrence já divide a cadeira de co-CEO há dois anos e lidera a frente de negócios há três. “Fábio sempre será uma figura muito forte dentro da empresa. Não queremos que seja diferente”, afirma Lawrence, formado em economia e relações internacionais, com passagens por Whirlpool e BTG Pactual.

Lawrence entrou na FCamara em 2019 com a missão de estruturar governança para viabilizar crescimento. Auditoria, board e indicadores operacionais foram implementados. Em 2022, a empresa captou recursos com o BTG e iniciou um ciclo agressivo de fusões e aquisições. Foram 12 operações desde então, metade delas fora do Brasil.

Leia também: Distrito Itaqui anuncia novo CEO e inicia fase de expansão

A companhia tem operações em Portugal e quase 10% da receita vem do exterior. Entre os projetos recentes estão entrega de sistema para cliente em Dubai, contrato com o principal varejista espanhol e negociações com grande empresa de bens de consumo nos Estados Unidos. “Temos muita coisa acontecendo fora do Brasil e isso certamente acelera bastante”, diz Lawrence.

A estratégia é deixar de ser uma empresa média e se tornar uma companhia capaz de competir com grandes consultorias.

Mil agentes de IA e meta de 4 mil até o fim do ano

A liberação de Câmara da operação tem um objetivo claro: dedicar-se à construção de capital intelectual virtual. A empresa já conta com 1.800 profissionais humanos e cerca de mil agentes de IA, desde automações simples de notas fiscais até assistentes que substituem tarefas jurídicas e contábeis.

“No final de 2026, quero poder dizer que temos 1.800 profissionais e 4 mil agentes. Não queremos demitir ninguém”, afirma Câmara, que diz estar “reaprendendo tudo” para construir não mais sistemas, mas “pessoas virtuais”.

A FCamara desenvolveu quatro plataformas proprietárias para implementação de IA:

  • Infraestrutura: observabilidade, precificação de tokens, multimodelos.

  • Gestão de conhecimento: transformar expertise de líderes em conhecimento corporativo escalável.

  • Engenharia de componentes.

  • Criação de agentes especializados.

A tese é que, se todas as empresas terão acesso a IA nos próximos anos, o diferencial competitivo será o conhecimento proprietário. “Se todo mundo é inteligente, em que você vai ser diferente?”, questiona Câmara.

Soft skills no lugar de habilidades técnicas

Lawrence, que cresceu dentro do restaurante da mãe desde os 13 anos e mantém “uma veia empreendedora”, diz que o grande desafio é evitar o cenário distópico do filme “Eu, Robô”. “O grande perigo é entrar no automático e esquecer de ser humano”, afirma.

Para avaliar pessoas, seja para contratação, sociedade ou promoção, o executivo usa quatro critérios que considera imutáveis mesmo com IA: bom senso, senso crítico, senso de urgência e autoconhecimento. “Essas quatro coisas não mudam com a IA. São elas que vão diferenciar quem consegue se destacar no futuro”, diz.

Câmara acredita que a mudança nos critérios de contratação já está em curso. “Antigamente eu dizia: preciso contratar pessoas boas em Python, boas em NoSQL. Agora preciso contratar pessoas boas. Boas em quê? Em soft skills”, afirma. “Se a inteligência racional será equalizada por inteligência artificial, preciso de grandes inteligências emocionais.”

O programa de liderança da empresa já foi adaptado para incluir um novo nível: “líder de agentes”, capaz de orquestrar equipes mistas de humanos e assistentes virtuais. O objetivo, segundo Lawrence, é “transformar a FCamara em uma escola de super-heróis”.

Propriedade intelectual como arma contra gigantes

A principal mudança no modelo de negócios da FCamara é a criação de “aceleradores”, blocos de propriedade intelectual que resolvem problemas de negócio específicos. Exemplos incluem planejamento de demanda para bens de consumo, estratégias de go-to-market e análise preditiva de audiência para emissoras de TV.

“Com IA na pré-venda, já conseguimos entregar a solução para o cliente, uma visão da solução. E nisso ganhamos das grandes consultoras”, diz Lawrence. “Dois anos atrás não teríamos acesso a esses clientes internacionais. O cliente diria: vocês oferecem a mesma coisa, vou pela segurança do que é conhecido”.

Câmara ilustra a transformação com um exemplo. “Há três, quatro anos, se alguém me procurasse e dissesse que não gostou do Salesforce e queria construir seu próprio CRM, eu nem mandaria a proposta. Diria que era loucura. Hoje, nesse exato momento, mando a proposta em menos de duas horas.”

A razão está na capacidade de componentizar sistemas monolíticos, segundo ele. “Você começa a pagar por uso. É por isso que as  ações das grandes empresas de software ERP estão caindo”, afirma.

A dupla afirma que a FCamara “está do lado certo da mesa” e pretende alcançar a marca de US$ 1 bilhão em receita nos próximos anos. Lawrence resume o momento: “O que era impossível virou verdade. Então, qual é o novo impossível que vamos perseguir?”

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Close Menu

Wow look at this!

This is an optional, highly
customizable off canvas area.

About Salient

The Castle
Unit 345
2500 Castle Dr
Manhattan, NY

T: +216 (0)40 3629 4753
E: hello@themenectar.com