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Como a Bending Spoons virou decacórnio comprando “relíquias” da web?

By janeiro 26th, 2026No Comments
Bending Spoons | Foto: Shutterstock
Bending Spoons | Foto: Shutterstock

E aí, você se lembra da AOL, uma das marcas pioneiras da web, da época da internet discada? Ou do Vimeo, plataforma de video que por um tempo chegou a ser considerada um rival para o YouTube? Ou da platafoma de file sharing WeTransfer, o software de publicações digitais issuu. E StreamYard, Eventbrite? Todas essas marcas tem algo em comum: foram nomes de destaque na web em algum momento, mas perderam popularidada – e foram compradas recentemente pela italiana Bending Spoons.

Daí você pode nos perguntar: o que é Bending Spoons? Fundada em 2013, o grupo italiano tinha uma atuação discreta em seus primeiros anos, desenvolvendo e investindo em soluções próprias. Entretanto, em 2020 a companhia ajustou sua estratégia para o modelo que se tornou seu grande trunfo.

Em 2020, a empresa passou a operar com uma lógica bastante clara: identificar produtos digitais populares, mas estagnados ou subaproveitados, adquirir esses ativos de fundadores ou grupos que chegaram ao seu limite operacional e, em seguida, promover transformações profundas.

O histórico de aquisiçõesda Bending Spoons é extenso – são mais de 14 M&As desde 2022. A primeira compra de impacto foi em novembro daquele ano, quando levou o app de tarefas Evernote. Em 2024, outros ativos conhecidos como a rede social MeetUp, a plataforma de streaming StreamYard, Issuue WeTransferforam adicionados.

No ano passado, a sanha de aquisições da Bending Spoons ficou ainda mais agressiva, com cinco aquisições, três delas de nomes bastante conhecidos do consumidor. No último trimestre de 205, o conglomerado sediado em Milão pagou US$ 1,3 bilhão plataforma de video Vimeo, a histórica AOLe a plataforma de ticketing Eventbritepor US$ 500 milhões.

Mas afinal, qual é o plano?

Segundo apontam analistas, por trás das compras da Bending Spoons, existe um método. A companhia não atua como uma dona passiva: ela revisita a experiência do usuário, reestrutura o produto, ajusta a estratégia de monetização — incluindo preços e planos gratuitos — e promove cortes agressivos no quadro de funcionários. Foi assim com Evernote, WeTransfer e, na última semana com a Vimeo.

Segundo reportou o Business Insider na última semana, funcionários em redes sociais apontaram que os cortes atingiram grande parte da Vimeo— incluindo todo o time de vídeo. Para uma plataforma cujo produto central é justamente vídeo, o movimento soa, no mínimo, curioso.

Em 2022, a empresa comprou a Filmic, conhecida por seus aplicativos de edição de vídeo e foto, e demitiu todo o time no fim de 2023. No mesmo período, anunciou a aquisição da Evernote, plataforma de anotações que já havia alcançado valuation bilionário antes de entrar em dificuldades — movimento seguido por demissões e cortes no plano gratuito.

Apesar das comparações frequentes com fundos de private equity, a companhia afirma haver uma diferença fundamental: a Bending Spoons diz que adquire empresas para mantê-las indefinidamente e que nunca vendeu um negócio adquirido. A ambição, segundo seus executivos, é construir um portfólio vivo de produtos digitais, e não um cemitério de marcas da internet.

Hoje, a Bending Spoons é avaliada em cerca de US$ 11 bilhões, entrando para o seleto grupo de decacórnios europeus. O valuation veio após uma rodada de US$ 270 milhões com investidores como T. Rowe Price, além de uma venda secundária de US$ 440 milhões. No cap table, aparecem nomes que vão de Eric Schmidt e Mike Krieger a artistas como The Weeknd, Andre Agassi, e Bradley Cooper. No total, a empresa já levantou mais de US$ 5 bilhões em equity e dívida.

De olho no IPO

Os aplicativos do grupo somam mais de 400 milhões de usuários ativos mensais e cerca de 10 milhões de clientes pagantes. Entre janeiro e setembro — antes das grandes aquisições de Vimeo, AOL e Eventbrite — a Bending Spoons praticamente dobrou sua receita, alcançando US$ 524 milhões, com margens de lucro superiores a 50%. “Em 2025, devemos encerrar o ano com uma receita em torno de US$ 1,3 bilhão, que pretendemos dobrar em 2026”, afirmou o CEO e cofundador Luca Ferrari em entrevista recente ao Corriere Della Sera.

Aliás, na última semana a publicação italiana revelou que a companhia está avançando com seus planos de uma estreia em Wall Street. Segundo múltiplas fontes ouvidas pelo jornal, a companhia está no processo de escolha dos bancos que irão liderar o que deve ser um dos IPOs mais aguardados do mercado. De acordo com essas mesmas fontes, JPMorgan, Goldman Sachs e Morgan Stanley estão no páreo.

Segundo estimativas que circulam no mercado, a Bending Spoons poderia buscar uma avaliação entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões em uma listagem na NYSE, patamar suficiente para entrar no índice S&P 500, que reúne as empresas de maior capitalização da Bolsa de Nova York. Esse valor pode aumentar caso a companhia realize novas aquisições ou enfrente uma demanda elevada por parte dos investidores, algo que, ao que tudo indica, não deve faltar.

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