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Andreia Yukie Tsuruhame, CEO da Numen. Foto: Divulgação

A Numen encerrou 2025 em um ritmo que poucas empresas de serviços conseguem sustentar por muito tempo. O crescimento de 28% em faturamento, aliado a uma expansão de 40% no quadro de profissionais, levando a companhia a cerca de 1,3 mil colaboradores, colocou a consultoria em um novo patamar e, ao mesmo tempo, impôs o desafio de transformar a expansão acelerada em crescimento sustentável.

Para 2026, a projeção é crescer cerca de 22%, agora com foco menos em velocidade e mais em governança, organização e execução disciplinada. “Crescer não é infinito quando o negócio depende de pessoas. É preciso formar, estruturar e dar ritmo”, afirma Andreia Yukie Tsuruhame, CEO da Numen.

O ponto de inflexão na empresa em 2025 ocorreu quando a Numen promoveu uma mudança estrutural relevante: a contratação de quatro executivos de mercado para áreas-chave em operações, vendas, marketing e pessoas. O movimento, segundo a executiva, fortaleceu o back-office e preparou a organização para uma fase mais complexa do negócio.

Foi também o ano em que Andreia assumiu formalmente a posição de CEO, consolidando um modelo de gestão mais estruturado, com planejamento estratégico, definição de metas e rituais de acompanhamento. “Não adianta empilhar crescimento sem base. A estrutura precisa vir antes do resultado”, diz.

Além da reorganização operacional, a Numen reforçou em 2025 o investimento estruturado em formação de talentos e diversidade como parte da estratégia de crescimento. A empresa abriu turmas próprias de capacitação, com dezenas de jovens profissionais em programas intensivos de treinamento técnico e comportamental, além de iniciativas específicas para inclusão de pessoas com deficiência (PCDs). Paralelamente, estruturou uma agenda formal de diversidade, com grupos de afinidade, lideranças dedicadas ao tema e patrocínio executivo, buscando garantir que a expansão do negócio ocorra com renovação de talentos, pluralidade de perfis e alinhamento cultural.

Programa de Trainees da Numen

Pograma de Trainees da Numen

Novas frentes de negócios

Atualmente, entre 10% e 15% da receita da Numen vem de fora do Brasil, com operações nos Estados Unidos e em Portugal. Essas frentes cresceram 48% no último ano, indicando potencial de expansão.

A estratégia internacional combina dois objetivos, de acordo com Andreia. A primeira é capturar receita em mercados com moeda mais forte e a segunda é criar uma operação capaz de gerar serviços offshore para clientes globais. Para isso, a empresa conta com sócios locais e estrutura dedicada.

No mercado nacional, a aposta é reduzir a dependência do eixo tradicional e ampliar presença regional. O Centro-Oeste já responde por cerca de 5% do crescimento, com um executivo dedicado e equipe comercial local. Norte e Nordeste estão no radar e em fase de construção. “A regionalização passa a ser um pilar estratégico. Ela ajuda a equilibrar ciclos econômicos e cria frentes de crescimento”, explica Andreia.

Apesar de cerca de 90% do time ainda estar ligado a projetos SAP – a empresa, inclusive, é a segunda maior parceira da empresa alemã em solo nacional -, a Numen vem investindo para ampliar seu portfólio. A entrada mais estruturada em Salesforce, abriu novas oportunidades em grandes contas. Agora, a empresa avalia movimentos em Amazon Web Services (AWS) e outras frentes complementares.

Há também conversas sobre aquisições, mas com cautela. O foco está em empresas de nicho e com alta sinergia operacional. “Não buscamos movimentos grandes. O critério é complementariedade e aderência cultural”, afirma a CEO. Recentemente, a Numen anunciou a asquisição de 25% das operações da Backlgrs, parceira estratégica para implementação e sustentação de soluções Salesforce. Com a operação, a consultoria prevê duplicar o faturamento nas ofertas de Costumer Experience nos próximos dois anos.

Governança como resposta à complexidade

Com múltiplas empresas, operações regionais, parceiros e executivos, a governança tornou-se um dos principais temas da agenda de Andreia, revela. O desafio é equilibrar controle e autonomia.

“Dar governança não é engessar. É criar ritmo, clareza de responsabilidades e alinhamento”, diz. Segundo ela, o aprendizado mais recente tem sido dar espaço para os executivos operarem, evitando interferências excessivas típicas de empresas fundadas por líderes técnicos.

Em meio à expansão, a cultura ganhou status de ativo estratégico. A Numen investiu em programas estruturados de formação de talentos, inclusão de PCDs, iniciativas de diversidade e desenvolvimento de lideranças.

Mais do que uma agenda paralela, essas iniciativas passaram a ser vistas como fundamentais para sustentar o crescimento. “Todo mundo fala que crescer faz perder cultura. Nosso desafio é provar o contrário”, afirma Andreia.

Agora, o foco deixa de ser plantar e passa a ser executar com consistência. Entre as prioridades estão o avanço da base de clientes para SAP S/4HANA em nuvem; maior segmentação por linhas de negócio; investimento em dados, IA e desenvolvimento de produtos; e ampliação de receita recorrente, com suporte e serviços contínuos. “O que plantamos em 2025 começa a gerar resultado agora. O desafio é manter o motor girando sem perder eficiência”, conclui.

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