Skip to main content

Duas mãos seguram três blocos de madeira alinhados horizontalmente. O bloco central exibe a sigla “M&A”, enquanto os blocos laterais apresentam ícones de edifícios corporativos e um aperto de mãos com símbolo de verificação. Ao fundo, há elementos gráficos abstratos em tons de azul, com setas e formas geométricas, sugerindo crescimento, integração empresarial e processos de fusões e aquisições em um contexto corporativo e financeiro. (M&A)

Por Mitri Britto

Nos últimos anos, o número de aquisições globais diminuiu. Ao mesmo tempo, os movimentos estratégicos se tornaram mais relevantes, mais específicos e mais concentrados. Não é contradição – é sinal de maturidade. O M&A deixou de ser uma corrida por quantidade e passou a ser uma escolha consciente por direção estratégica.

No mercado de IT Services, essa mudança é particularmente evidente. Trata-se de um setor cíclico, em que as prioridades de investimento se deslocam conforme novas tecnologias amadurecem. Infraestrutura deu lugar à cloud. Cloud abriu espaço para dados e analytics. Em seguida, a cibersegurança ganhou protagonismo. Agora, a inteligência artificial se consolida como eixo central das decisões. O orçamento de tecnologia acompanha essas ondas porque elas indicam onde as empresas acreditam que estará sua vantagem competitiva.

Essa dinâmica torna o mercado complexo e altamente disputado. Provedores de tecnologia precisam antecipar tendências e construir ofertas capazes de acompanhar toda a jornada do cliente – do assessment estratégico à implementação e sustentação das soluções. Quanto mais integrada a abordagem, maior a probabilidade de capturar valor em um ambiente vivo, diverso e em constante transformação.

A complexidade se intensifica quando se observa o grau de fragmentação. Na América Latina, o líder de mercado em IT Services detém ~5% de market share, enquanto os dez maiores, somados, detêm ~20%. O resultado é um ecossistema pulverizado, onde empresas relativamente pequenas se tornam referências em nichos específicos como cyber, dados e cloud. São líderes técnicos, ainda que não sejam líderes de escala.

Nesse contexto, a diversificação de portfólio deixou de ser opção e passou a ser uma necessidade estratégica. Empresas originalmente focadas em cloud expandiram para cyber. Players de digital avançaram para dados e IA. Consultorias de estratégia e design criaram braços de desenvolvimento de software. Ao expandir o escopo, aumenta-se o mercado endereçável, ampliam-se oportunidades de cross-sell e, sobretudo, alonga-se a relação com clientes já conquistados. O jogo deixa de ser transacional e passa a ser relacional.

Nem sempre, porém, esse movimento ocorre de forma orgânica. Em muitos casos, a entrada em uma nova frente tecnológica exige investimentos elevados, tempo de maturação longo e riscos que nem todas as empresas estão dispostas – ou aptas – a assumir. É nesse ponto que o M&A se consolida como alavanca estratégica. O que se observa hoje, no entanto, não é um retorno a ciclos de aquisições indiscriminadas, mas uma mudança mais profunda na lógica por trás dessas decisões.

Mesmo em um ambiente de maior incerteza macroeconômica, o M&A segue resiliente. O que mudou foi sua motivação. As aquisições passaram a refletir decisões mais conscientes de realinhamento estratégico, com foco em capacidades críticas, sinergias reais e posicionamento de longo prazo. O crescimento deixou de ser o fim; tornou-se consequência de escolhas mais precisas.

Essa leitura ajuda a entender o comportamento dos grandes players globais de tecnologia. Essas empresas já possuem presença geográfica ampla, marcas consolidadas e acesso a grandes clientes multinacionais. O gargalo, hoje, não está em território – está em pessoas, competências e profundidade técnica. Nesse contexto, o M&A passa a ser uma ferramenta para adquirir know-how, times especializados e capacidades críticas em áreas de alta demanda. A geografia aparece como consequência, não como objetivo central.

Leia mais: Programa para jovens da StartSe leva tecnologia do abstrato para a prática

Para os players regionais, por outro lado, a lógica é distinta. Essas empresas ainda estão construindo sua presença internacional, sua base de clientes fora de seus mercados de origem e, em alguns casos, seu próprio portfólio de serviços.

Para elas, M&A cumpre um papel adicional – e igualmente estratégico: comprar entrada em novos mercados. Adquirir uma empresa significa, simultaneamente, incorporar um time com know-how, acessar uma carteira de clientes estabelecida e ganhar legitimidade em uma geografia onde a entrada orgânica seria lenta, cara e incerta. A aquisição não acelera apenas capacidades técnicas; acelera relevância.

É por isso que analisar M&A em IT Services como se todos os players estivessem jogando o mesmo jogo é um erro. O que existe, na prática, são duas estratégias convivendo no mesmo mercado. De um lado, multinacionais utilizando aquisições para destravar escala global de capacidades críticas. De outro, empresas regionais usando o M&A para construir presença, acessar clientes e consolidar posição em um mercado extremamente fragmentado.

Essa distinção ajuda a explicar a percepção de desaceleração no ritmo de aquisições. Há menos transações, mas elas são mais estratégicas, mais focadas e mais conectadas a lacunas claras de portfólio. Não se trata de retração, mas de maturaçãoO M&A deixa de ser uma corrida por volume e passa a ser uma busca por precisão.

Na América Latina, esse movimento ganha contornos próprios. A região segue sendo um polo relevante de talento qualificado e custo competitivo, ao mesmo tempo em que permanece altamente pulverizada. Isso cria um terreno singular onde as duas estratégias coexistem — não como opostas, mas como respostas distintas a níveis diferentes de maturidade estratégica.

O que se desenha para os próximos anos não é uma nova onda de aquisições indiscriminadas, mas um ciclo mais consciente. Menos movimentos oportunísticos, mais decisões cirúrgicas. Menos foco em tamanho, mais foco em profundidade. Em um setor onde a tecnologia muda rápido e o talento é escasso, o M&A deixa de ser apenas um instrumento de crescimento e passa a ser uma escolha estratégica.

Porque, no fim, aquisições materializam a estratégia: tornam explícitas as escolhas sobre onde a empresa quer chegar — e, inseparavelmente, quem ela decide ser.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Close Menu

Wow look at this!

This is an optional, highly
customizable off canvas area.

About Salient

The Castle
Unit 345
2500 Castle Dr
Manhattan, NY

T: +216 (0)40 3629 4753
E: hello@themenectar.com