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A imagem mostra uma cena conceitual envolvendo tecnologia e automação. À esquerda, uma mão humana estendida toca um ícone luminoso em forma de foguete, cercado por setas ascendentes que representam crescimento ou aceleração. À direita, um braço robótico metálico emerge de dentro de um laptop aberto, avançando em direção à mão humana. O fundo é azul‑escuro com elementos gráficos digitais, como circuitos, números e padrões tecnológicos, reforçando o tema de colaboração entre humanos e inteligência artificial. (aprendizagem)

Por Renato Curi

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas das organizações. Ainda assim, quando o tema é aprendizagem e desenvolvimento de líderes, o debate costuma escorregar para dois extremos pouco produtivos: a IA como solução mágica para todos os problemas ou como ameaça direta à relevância humana. Nenhuma dessas leituras ajuda, de fato, as empresas a se prepararem para 2026.

O que realmente muda não é apenas o grau de sofisticação da tecnologia disponível, mas a forma como as organizações escolhem integrar Inteligência Artificial, comportamento humano e aprendizagem contínua. A diferença entre quem avança e quem fica para trás está menos no algoritmo e mais na intenção por trás de seu uso.

O contexto é claro. Segundo o Fórum Econômico Mundial, mais de 50% das habilidades exigidas no mercado de trabalho precisarão ser atualizadas até o fim desta década. Liderança, pensamento crítico e competências socioemocionais estão no centro dessa transformação. Aprender deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma condição de sobrevivência. Mais do que adquirir novos conhecimentos, será necessário desaprender padrões antigos e sustentar novas formas de agir em ambientes cada vez mais complexos.

Diante desse cenário, muitas empresas aceleraram investimentos em plataformas digitais, trilhas personalizadas e soluções baseadas em IA. O problema é que o acesso à informação, por si só, não garante aprendizagem real. Dados da McKinsey mostram que menos de 30% das transformações organizacionais atingem seus objetivos de longo prazo. O principal motivo não é a falta de conhecimento técnico, mas a dificuldade de sustentar mudanças de comportamento ao longo do tempo.

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Isso ajuda a explicar por que tantos programas de desenvolvimento falham. Eles informam, mas não transformam. Apresentam conceitos, mas não provocam reflexão profunda, emoção ou conexão com a identidade de quem aprende. Sem esse nível de envolvimento, o conhecimento dificilmente se consolida em memória de longo prazo ou se traduz em novas decisões no cotidiano. A neurociência já demonstrou que emoção precede decisão. Aprendemos de verdade quando o conhecimento ganha significado e se conecta à pergunta essencial: quem estou me tornando a partir das minhas escolhas?

Quando bem utilizada, a inteligência artificial pode ser uma aliada poderosa da aprendizagem. Ela é especialmente eficaz para identificar lacunas de habilidades, organizar grandes volumes de informação e apoiar reflexões estruturadas sobre decisões, riscos e alternativas. Pesquisas da Gartner indicam que organizações que utilizam IA apenas para eficiência operacional capturam menos valor do que aquelas que a aplicam para apoiar decisões, aprendizagem e desenvolvimento humano. Em outras palavras, o ganho não está em automatizar pessoas, mas em ampliar consciência e qualidade das escolhas.

Ao mesmo tempo, há limites claros. A IA não substitui a capacidade humana de gerar emoção, construir sentido coletivo e transformar conhecimento em sabedoria. Sabedoria é conhecimento aplicado à experiência, e experiência é relacional, contextual e profundamente humana.

À medida que a IA se torna parte do cotidiano, competências como autoconsciência, gestão emocional, capacidade de criar conexões reais e pensamento crítico ganham ainda mais relevância. O líder do futuro não será aquele que responde mais rápido, mas o que faz perguntas melhores, analisa com mais profundidade e decide com responsabilidade, inclusive ao lidar com respostas geradas pela tecnologia.

A pergunta que se impõe não é se a inteligência artificial fará parte da aprendizagem corporativa, isso já é realidade. A questão central é como ela será utilizada: como atalho para eficiência ou como catalisador de consciência, desenvolvimento humano e liderança mais madura. Nossa experiência com líderes mostra que, quando tecnologia e relações humanas caminham juntas, a aprendizagem deixa de ser um evento pontual e passa a ser uma escolha contínua. Talvez seja hora de as organizações reverem não apenas seus programas de desenvolvimento, mas a forma como estão ajudando líderes a se tornarem versões melhores e mais conscientes de si mesmos.

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