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Liquidez deixa de ser “ponto final” para fundadores de tecnologia no Brasil

By setembro 12th, 2025No Comments
Liquidez
Dinheiro (Foto: Canva)

Liquidez deixou de ser sinônimo de “ponto final” para empreendedores de tecnologia no Brasil. Pelo contrário: M&As e vendas secundárias bem estruturadas mantêm o fundador no jogo e dão fôlego para o próximo ciclo de crescimento. É o que aponta o estudo “Founder Liquidity”, divulgado nesta sexta-feira (12) pela Endeavor, com patrocínio do Google Cloud, Prosus e Peers Consulting.

A pesquisa mostra que oito em cada 10 empreendedores brasileiros (79%) estão se preparando para algum evento de liquidez nos próximos dois anos. Em um cenário de recuo das aberturas de capital, a monetização tem se concentrado em vendas secundárias e M&As. A expectativa é de que os IPOs retornem aos Estados Unidos apenas a partir de 2028 e, na B3, depois de 2030, reforçando a importância dessas alternativas para fundadores que buscam capitalizar sem encerrar sua trajetória.

“Vejo esse movimento com naturalidade”, afirma Vinícius Furlan, Principal no Scale Up Venture da Endeavor. “A pressão e a dinâmica do mercado de venture capital levam as empresas a buscar outras opções de liquidez, já que a janela de IPO está fechada.”

O estudo destaca o chamado “efeito multiplicador”: após um M&A ou venda secundária, o fundador ganha dinheiro, tempo e energia para novas ambições. Quase 52% partem para outro negócio, enquanto 48,1% tornam-se investidores. Em estágios mais avançados, como a Série D, a taxa de giveback (doações e filantropia) chega a 71,4%, contra 26% nos estágios iniciais. Vinícius ressalta que o mesmo ocorre com os fundos, que podem reciclar o capital, devolver aos LPs e reinvestir.

Motivações para a liquidez

Mesmo com os benefícios financeiros, as operações de liquidez não ocorrem apenas por motivos econômicos. Apenas 5% dos fundadores citam sucessão ou saída como motivação para a próxima venda secundária. Para 77%, a principal razão é o planejamento patrimonial pessoal, enquanto 32,5% mencionam considerações familiares.

“A secundária não é sobre exit. Muitas vezes, o empreendedor quer continuar à frente da companhia e trabalhar ainda melhor”, observa Juan Perroni, Brand Specialist na Endeavor Brasil. “No M&A, há duas possibilidades: fazer a transição de papel e deixar o negócio ou, mais complexo, seguir na empresa de alguma forma, ajudando a conduzir essa transição de maneira estruturada.”

Quando perguntados sobre qual caminho de liquidez mais se alinha aos seus valores pessoais, 32,2% dos fundadores citaram o IPO. A visão, porém, é pragmática: trata-se de uma estratégia de capitalização exigente, que impõe demandas operacionais e culturais significativas. Segundo a Endeavor, os grandes eventos de liquidez de 2030 já estão sendo preparados hoje, já que muitos fundadores levam de cinco a dez anos para estarem prontos.

Quem é mais atrativo

“Fico feliz de ver os empreendedores pensando em horizontes de três a cinco anos para eventualmente concretizar uma saída mais robusta, como M&A ou IPO”, diz Vinícius Furlan. “Quando se foca apenas no curto prazo, a tendência é buscar alternativas em um cenário subótimo, o que reduz as opções de fazer as coisas do jeito que poderiam ser. Esse olhar mais longo dá margem para decisões mais bem estruturadas, que geram impacto maior tanto para o fundador quanto para o ecossistema.”

O estudo mostra que as aquisições no Brasil ocorrem principalmente até a Série B, quando os valuations ainda são atraentes e há mais compradores estratégicos. A partir da Série C, a expectativa de preço sobe e o número de compradores diminui.

A pesquisa mapeou as expectativas e o histórico de liquidez de 118 fundadores de empresas de tecnologia. O levantamento vem acompanhado de uma série de vídeos com 10 depoimentos, que será divulgada ao longo do quarto trimestre e apresenta histórias de empreendedores brasileiros que vivenciaram grandes eventos de liquidez. A série estreia com Guilherme Benchimol, sobre o IPO da XP, e traz, nas semanas seguintes, nomes como Eric Santos (RD Station), Stelleo Tolda (Mercado Livre) e Sergio Furio (Creditas). Em cada episódio, eles revelam os bastidores das negociações e o impacto dessas transações no futuro dos negócios e de suas carreiras.

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