
O Mercado Bitcoin (MB) fechou uma parceria com a Adianta Jus, plataforma especializada em ativos judiciais, para entrar no mercado de precatórios. A ideia é permitir que pessoas físicas tenham acesso a um produto financeiro que, até então, só estava disponível para investidores institucionais ou para tickets muito elevados.
Precatórios são ordens de pagamento emitidas pelo Judiciário para ações perdidas pelos entes públicos, como governo federal e estadual, prefeituras, autarquias, fundações, entre outras. Ou seja, sempre que um cidadão entra na Justiça contra o poder público e ganha a causa, isso gera um precatório, que é o valor a receber.
O que a Adianta Jus faz é conectar quem tem esse valor a receber, com quem quer comprar esse recebível. Dessa forma, o cidadão antecipa o recebimento do precatório, pagando um deságio, enquanto o investidor recebe o valor em um prazo de, em média, dois anos, acrescido dos juros e correções.
“Na parceria com o MB, a gente junta todos esses ativos, o MB cria o token e a gente distribui as frações desse token na plataforma deles”, explica José Werneck, sócio-fundador da Adianta Jus, em entrevista ao Startups.
A primeira oferta pública do novo produto já foi realizada caráter de teste e esgotou em menos de uma semana do lançamento. Agora, o MBprepara o segundo lote. A alta aderência aos tokens de precatórios está ligada ao ticket inicial de valor acessível – R$ 100 – e ao rendimento, que é pré-fixado em 20% ao ano, isento de Imposto de Renda.
Todos os créditos são exclusivamente contra a União – uma escolha deliberada da Adianta Juspara reduzir o risco de contraparte. Antes de empacotar os ativos, a empresa faz uma análise pormenorizada de cada processo: verifica se há cessões anteriores, se a União está recorrendo de alguma parte da decisão e se existe qualquer impedimento à venda. A formalização é feita por escritura pública, com validação em cartório.
Para proteger o investidor, a estrutura conta com 10% de subordinação – um colchão de R$ 200 mil, no caso do primeiro token, que absorve qualquer perda antes de afetar os cotistas. O prazo para resgate é indeterminado, mas a expectativa de recebimento é de até 24 meses. Mesmo em caso de atraso, a correção continua incidindo sobre o valor.

MB e a renda fixa
Para o Mercado Bitcoin, o produto de precatórios é parte de uma estratégia mais ampla de diversificação no segmento de renda fixa digital, que o MBvem perseguindo desde 2019. “Não queremos estar relacionados só a Bitcoin e cripto. Nossa base sempre foi mais de investidores do que pessoas que usam cripto para remessas e pagamentos, então nosso complemento mais óbvio são os produtos de renda fixa, que é onde está a maior parte do volume”, explica André Gouvinhas, VP de investment banking do MB.
Segundo ele, o foco está em produtos com características de ter um ativo real por trás do token, como no caso dos precatórios. “Muito da nossa tese sempre foi dar acesso a produtos diferenciados em relação ao mercado tradicional, e a tokenização permite isso. Os precatórios, por exemplo, têm um mercado bilionário por trás, mas era pouco acessível. O que a gente quer é possibilitar esse acesso”, diz.
A expectativa do MBé escalar o produto ao longo do ano. O segundo lote deve captar R$ 5 milhões, com meta de atingir R$ 100 milhões em emissões ao longo de 2026.
Quem é a Adianta Jus
A Adianta Jus foi fundada em abril de 2025, mas José Werneck atua no mercado de precatórios há quase 11 anos. Antes de empreender, trabalhava em uma instituição financeira e já operava com esse tipo de ativo – mas em um ambiente restrito ao público institucional e com valores elevados. “Decidi empreender em precatórios porque trabalho com isso há muito tempo e via uma oportunidade grande nos ativos menores e pulverizados. Foi uma questão natural para mim”, afirma.
A empresa tem quatro sócios: Além de José, dois são advogados com conhecimento aprofundado em ativos judiciais, e um tem experiência em tecnologia e produtos digitais, com passagem por uma empresa de meios de pagamento. O time conta ainda com três funcionários diretos e parcerias com escritórios que operacionalizam parte da estrutura. Até o fim do mês, mais quatro pessoas devem se juntar ao quadro.
Operando em modelo 100% bootstrapped desde o início, a startup não pretende levantar rodadas de investimento por enquanto. A aposta é no crescimento orgânico sustentado por uma operação enxuta e pelo investimento em tecnologia para automatizar processos que, no mercado tradicional de precatórios, ainda são majoritariamente manuais. “Com a expansão projetada, acreditamos que conseguimos financiar o crescimento da empresa”, diz o fundador.
O modelo de negócio da Adianta Jus é remunerado em dois momentos: uma parte no momento da originação do crédito e a maior parte quando o investidor recebe o retorno. Isso alinha os incentivos da empresa com o desempenho da carteira – e, segundo José, reforça a importância de montar portfólios saudáveis desde o início.
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