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Crédito | Foto: Canva

*Por Marcelo Buosi, COO e cofundador da QI Tech

Lançado no início de março com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores com carteira assinada, o novo crédito consignado privado tem sido uma medida importante para fomentar a inclusão financeira de milhares de trabalhadores, além de ser uma iniciativa relevante para estimular a economia. Segundo dados de julho disponibilizados pelo Governo Federal, o novo modelo já movimentou mais de R$ 21 bilhões em empréstimos, impactando diretamente mais de 3 milhões de brasileiros – números expressivos, sobretudo ao considerarmos que esta modalidade está em operação há apenas seis meses.

O sucesso do novo programa se deve a uma combinação de fatores, sendo um deles crucial e absolutamente necessário para o êxito do programa: a eliminação da necessidade de acordos bilaterais entre as empresas conveniadas e instituições financeiras, o que permitiu uma democratização da oferta de crédito, pois abriu o mercado para todos os trabalhadores CLTs .

Além disso, trabalhadores rurais, trabalhadores de MEIs, empregados domésticos e profissionais que atuam por meio de aplicativos de transporte também passaram a ter acesso a essa modalidade de empréstimo, o que antes era restrito apenas às grandes empresas que firmavam convênios diretamente com as instituições financeiras.

Digitalização e competitividade como motores de adesão

Outro ponto importante que foi fundamental para a ampla adesão ao programa foi a digitalização do processo de solicitação do empréstimo por meio da Carteira de Trabalho Digital. Ela permite que os trabalhadores consigam comparar as diferentes ofertas entre as instituições, trazendo mais competitividade, o que pode contribuir para a redução dos juros dos empréstimos.

Para mais, o processo de verificação de margem consignável em tempo real e a conciliação automática com a folha de pagamento, embora ainda tenham melhorias a serem feitas, ajudam a reduzir a fricção, tornando o processo de contratação muito mais ágil e descomplicado, sem perder a eficácia e segurança ao longo das etapas.

Por se tratar de um programa de abrangência nacional e com enorme impacto na vida de milhões de brasileiros, já era esperada  uma curva de aprendizado, tanto para os empregadores quanto para as instituições financeiras. Os desafios foram predominantemente técnicos e operacionais, como a importação e normalização de contratos legados (ou seja, contratos que seguiam o modelo de consignado privado anterior), muitos já fora do balanço bancário e em FIDCs ou securitizadoras. Além disso, a escrituração e a conciliação ainda são gargalos para parte das PMEs.

Hoje, seguimos avançando no tombamento integral do estoque do modelo antigo para o ambiente centralizado via Dataprev, enquanto a portabilidade evolui e a operacionalização de garantias de FGTS e multa rescisória entra na agenda de desenvolvimento.

Acredito muito que a prioridade deve ser a migração de todos os contratos de empréstimos realizados no modelo antigo para o novo modelo; aperfeiçoar a portabilidade do crédito (seja via Núclea, seja via Open Finance) e operacionalizar a execução das garantias. Trata-se de uma agenda complexa e extensa, mas fundamental para agilizar os processos e aumentar a percepção de confiabilidade ao consignado privado.

O papel das fintechs e da inovação no futuro do consignado

As fintechs têm papel essencial no futuro do consignado CLT: elevam a concorrência no mercado de crédito, desenham jornadas digitais mais orientadas ao cliente ( com onboarding ágil, educação financeira e ofertas sob medida) e alcançam públicos historicamente pouco atendidos pelos grandes bancos. A maior participação dessas empresas amplia a capilaridade, promove inclusão e tende a acelerar a adoção do novo modelo, elevando a eficiência do ecossistema. Nesse contexto, ajustes regulatórios que incentivem a participação das fintechs e evitem sua exclusão são fundamentais para garantir a inovação e o fortalecimento sustentável do mercado.

Outro avanço importante que precisa acontecer é o redirecionamento automático das parcelas em caso de rescisão de contrato ou mudança de vínculo empregatício. Acredito também que é muito importante que o governo faça um reforço na educação de mercado, com campanhas para RHs e para o colaborador explicando os benefícios, direitos e responsabilidade em relação à utilização do empréstimo e repasse dos valores.

Tecnologias como inteligência artificial e Open Finance também podem (e devem!) ser grandes aliadas para aumentar o potencial de escala do consignado privado.

Do lado da IA, vemos grandes avanços em modelos de crédito que conseguem tornar mais ágil a análise de crédito dos clientes, além de conseguir personalizar taxas de empréstimos para públicos e perfis de forma bastante granular.

Já do ponto de vista do Open Finance, acreditamos que o novo processo de portabilidade de crédito será fundamental para dar mais agilidade e segurança para a troca de empréstimos entre instituições financeiras, dado que o processo atual é lento, sujeito a fraudes e muitas vezes dificulta o cliente a ter acesso a melhores condições.

É natural que uma grande mudança demande tempo para ser plenamente compreendida pela sociedade e que existam desafios de regulação e mercado, mas vejo com muito otimismo o sucesso do novo consignado privado: de um lado, empodera os trabalhadores, dando mais autonomia e poder de escolha, e de outro, eleva a régua e acirra a competição entre as instituições financeiras, que terão que revisitar seus processos a fim de oferecer uma melhor experiência ao usuário. O futuro é promissor.

O post Novo consignado: conquistas, aprendizados e o que esperar em 2026 apareceu primeiro em Startups.

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