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Edvaldo Santos, vice-presidente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. (Foto: Divulgação). Brasil

Quando Edvaldo Santos entrou na Ericsson, ele carregava o que chamava de “dívida a cumprir”. Único de seu grupo de contratados que não falava inglês, ele assumiu para si a responsabilidade de provar que a aposta em sua contratação valeria a pena, comprometendo-se a dominar o idioma para consolidar sua posição na empresa.O que poderia ser uma barreira virou combustível: foram quase quatro anos de cursos intensivos, sem férias, encarados como uma “questão moral” e de honra.

Essa determinação pessoal não apenas garantiu sua permanência, mas moldou o executivo que hoje ocupa o cargo de vice-presidente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.

A partir de Indaiatuba (SP), Santos transformou a experiência de superação própria em um modelo de gestão.Sua missão agora é combater a “falta de autoestima” do profissional brasileiro e provar que o país não é apenas um executor de demandas, mas um polo de liderança tecnológica global.

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A virada da autoconfiança

A “dívida” paga com o idioma abriu portas para o mundo, mas também revelou a Santos um problema cultural.Em suas primeiras viagens à Suécia, ele percebia que, muitas vezes, recuava diante de profissionais da matriz mesmo estando certo.

“A gente sempre acha que o importado é melhor que o nacional. Você descobre que isso não é verdade”, afirma.

Hoje, ele combate ativamente a postura de profissionais que “entram mudos e saem calados” em reuniões internacionais.Sob sua liderança, a operação brasileira deixou de ser coadjuvante para comandar times multidisciplinares na Europa, incluindo Suécia, Hungria e Croácia. O objetivo é claro: mostrar que a competência técnica do brasileiro não deve nada a ninguém.

Liderança pelo exemplo

Para sustentar essa mudança de mentalidade, Santos aposta na qualificação robusta.Diferente do mercado tradicional, que valoriza MBAs, sua gestão incentiva incondicionalmente mestrados e doutorados em ciências exatas.“Em uma crise, não devemos dourar currículo, mas garantir profundidade técnica”, defende.

O exemplo vem de cima.O próprio vice-presidente frequenta a academia como aluno especial em disciplinas de inteligência artificial e robótica, buscando “trazer conhecimento de fora para dentro” — um dos pilares de sua estratégia para inovar de forma disruptiva.

Tecnologia com DNA brasileiro

O resultado prático dessa filosofia é o Learning through Augmented Reality System (LARS). O nome do projeto é uma homenagem a Lars Magnus Ericsson, fundador da companhia. Trata-se de uma aplicação que une inteligência artificial (IA) generativa e realidade aumentada para revolucionar treinamentos corporativos e acadêmicos.

A solução utiliza assistência de voz baseada em IA para traduzir perguntas e buscar respostas em um repositório na nuvem. O sistema é operado por meio de óculos leves e ergonômicos, eliminando a necessidade de mouses, teclados ou telas de toque.

“A eficiência de ter as mãos livres permite que o técnico opere ferramentas físicas ao mesmo tempo em que consulta informações essenciais, sem interromper o trabalho”, detalha Santos.

A tecnologia permite a projeção de modelos 3D realistas e vídeos instrucionais no campo de visão do usuário. Isso viabiliza o “desmonte digital” de objetos complexos facilitando a compreensão profunda de cada componente.

Segundo o executivo, os testes demonstram alto ganho de eficiência operacional devido à intuitividade do sistema. Na educação, o impacto é o engajamento: “Há maior entusiasmo dos alunos por conta do uso das tecnologias já consagradas na indústria de jogos online”, explica.

O desenvolvimento do LARS seguiu o modelo de inovação aberta. O projeto foi criado em parceria com o VIRTUS, núcleo de pesquisa, desenvolvimento e inovação em TICs da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) .

A estratégia de Santos para conectar a Ericsson à academia vai além deste projeto. Atualmente, a operação mantém atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) com outras cinco universidades públicas e quatro institutos privados de ciência e tecnologia .

“Inovar disruptivamente em cadeias globais é o que vai trazer riqueza para as empresas e para a nação”, conclui o executivo, que segue ensinando a próxima geração a não duvidar do próprio potencial.


Esta reportagem integra a série especial do IT Forum que celebra a trajetória de brasileiros inovadores com destaque no cenário global.

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