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Jason Zeiler, gerente de produto para liquid cooling (resfriamento a líquido) da HPE. Foto: Déborah Oliveira

Quando Jason Zeiler explica o que é liquid cooling, ou resfriamento a líquido, ele faz uma analogia simples: “Imagine que seu computador está fervendo. Em vez de usar um ventilador para tentar esfriar o ar em volta, você mergulha o calor diretamente em um banho gelado. É assim que o resfriamento a líquido funciona, e ele é muito mais eficiente”, resume o gerente de produto para liquid cooling da HPE.

Simplificando, o resfriamento a líquido é uma forma mais eficiente de retirar calor dos servidores. Em vez de usar apenas ventiladores e dissipadores de calor, que crescem de tamanho conforme a potência dos chips aumenta, o sistema utiliza água ou outro fluido condutor para manter a temperatura sob controle.

O impacto disso vai muito além da engenharia e ele tem efeito direto sobre a conta de energia, o tamanho dos data centers e o tipo de hardware que as empresas operam.

Durante o HPE Discover 2025*, em Las Vegas, nos Estados Unidos, Zeiler conversou com o IT Forum sobre o motivo pelo qual o resfriamento a líquido está rapidamente deixando de ser um nicho restrito ao High Performance Computing (HPC) para se tornar uma prioridade nos data centers corporativos.

Por mais de quatro décadas, o resfriamento a líquido foi território exclusivo dos supercomputadores. Agora, essa tecnologia avança para o centro da estratégia digital corporativa. A resposta para esse cenário, segundo o especialista, está na convergência de três fatores: aumento da densidade de chips, crescimento da inteligência artificial (IA) e pressão por eficiência energética.

O desafio que a tecnologia resolve começa no nível mais básico. Chips cada vez mais potentes geram calor em excesso, e GPUs modernas já ultrapassam 1000 watts de consumo, número três vezes maior do que há poucos anos, e não conseguem mais operar com sistemas de ar-condicionado convencionais sem demandar estruturas gigantescas.
“Hoje temos racks que pesam mais de 3 toneladas. Alguns ultrapassam 8 mil libras. Isso muda tudo no data center, do projeto do piso ao consumo de energia”, alerta Zeiler.

Com o ar, o custo da refrigeração cresce proporcionalmente. Um data center com Power Usage Effectiveness (PUE) de 1,7 gasta quase o dobro de energia só para resfriar os servidores. Ou seja, para cada watt consumido com computação, outros 0,7 são direcionados apenas para resfriamento. “Com o liquid cooling, conseguimos reduzir esse índice para 1,2. É uma economia brutal de energia elétrica e de dinheiro”, afirma o executivo.

Resfriamento a líquido: mais performance, menos carbono

O apelo do liquid cooling, portanto, vai além do desempenho. Ele ajuda a diminuir o consumo energético e a pegada de carbono. Para muitas empresas, trata-se de um diferencial competitivo. Para outras, é um imperativo legal ou reputacional.
“Mesmo quando o cliente não está preocupado com sustentabilidade, ele se importa com o custo de energia. Então, o argumento se mantém forte”, diz Zeiler. “A conta fecha dos dois lados”, completa.

E quanto aos medos relacionados ao resfriamento a líquido? Ainda há um estigma: e se vazar? E se der problema? “Essa era a grande dúvida há dez anos. Hoje, no mundo do HPC, isso já foi superado. Mas agora estamos tendo as mesmas conversas com o mercado corporativo. O importante é mostrar que não é uma tecnologia nova, é só nova para eles”, explica.

Zeiler afirma que os sistemas da HPE são entregues pré-configurados, testados, com cabeamento, racks e fluido já instalado. “É como comprar um carro pronto, não um kit para montar. Assim, garantimos desempenho, segurança e agilidade de implementação.”

Inteligência artificial chega para somar

Se havia alguma dúvida sobre a viabilidade do liquid cooling em larga escala, a inteligência artificial (IA) está resolvendo esse desafio. O volume de processamento exigido para treinar modelos de IA, como os LLMs (large language models), exige uma infraestrutura que aguente calor e carga elétrica. “Muitos dos chips voltados para IA não têm sequer versões com resfriamento a ar. Não é uma escolha. É liquid cooling ou nada”, garante Zeiler.

Segundo ele, o mercado acompanha um fenômeno parecido ao que ocorreu com o supercomputador há 30 anos, com aumento de densidade, mais rede e consumo elevado. “A IA segue o mesmo caminho. Só que em escala muito maior e mais rápida”, compara.

A IA vai mudar o jogo. Racks que antes comportavam GPUs de 300 watts agora recebem chips com mais de 1000 watts. “E isso pesa, literalmente”, brinca Zeiler. “Temos equipamentos que ultrapassam 3 toneladas por gabinete. Isso muda até o tipo de piso que o data center precisa ter.”

Essa tendência, no entanto, cria dilemas para empresas, aponta. Investir na adaptação dos próprios data centers, ou migrar para colocation, data centers compartilhados e já preparados para cargas líquidas, eis a questão. “Vai depender da maturidade, da infraestrutura existente e da ambição em IA de cada organização.”

O que vem pela frente

Apesar do crescimento da tecnologia nos data centers “maiores”, Zeiler não acredita em uma substituição completa do resfriamento a ar. “Empresas com cargas de trabalho mais leves, como sistemas de ponto de venda, não têm necessidade de mudar”, explica Zeiler. “Mas para cargas mais densas, como o treinamento de modelos de IA, esse tipo de tecnologia se torna essencial. Faz sentido para racks com menos de 30 kW. Mas entre 30 kW e 80 kW, é preciso decidir. Acima de 100 kW, o liquid cooling é inevitável”, diz.

Sobre o futuro, ele provoca. “Não se trata de prever o que vai acontecer, mas de estar pronto para qualquer caminho”, afirma. De acordo com ele, a HPE vem desenvolvendo infraestruturas modulares e flexíveis, preparadas para diferentes gerações de GPUs, novas placas frias (cold plates) e bombas mais potentes. “A ideia é estar pronto para o próximo chip da Nvidia ou AMD sem ter que redesenhar tudo”, exemplifica.

Com o crescimento da IA, a pressão por energia limpa e a limitação de espaço nos data centers tradicionais, a era do resfriamento líquido está só começando, e promete virar o padrão para quem busca performance de verdade. “Toda empresa de servidor vai dizer que oferece liquid cooling. A diferença está na experiência”, finaliza Zeiler.

*A jornalista viajou a convite da HPE

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