Skip to main content
Notícias

Startup brasileira capta R$ 10M para criar “economia sem CEP”

By fevereiro 23rd, 2026No Comments
Tools for the Commons
Hugo Mathecowitsch, fundador da Tools for the Commons | Crédito: Divulgação

A ideia de que startups se limitam a criar softwares ou aplicativos ficou no passado. Para Hugo Mathecowitsch, fundador da Tools for the Commons, a próxima grande fronteira do empreendedorismo está em uma camada mais profunda: cidades, jurisdições e novos modelos de governança.

Essa tese acaba de ganhar fôlego com uma rodada pré-seed de R$ 10 milhões, levantada pela startup brasileira para acelerar a criação de zonas econômicas físicas e digitais, conectadas em rede, com regras próprias e infraestrutura baseada em blockchain.

Na prática, a Tools for the Commons funciona como um marketplace de jurisdições. Fundada em 2024, a startup desenvolve infraestrutura digital e institucional para zonas econômicas especiais e conecta empresas e trabalhadores da economia digital a esses ambientes, sem a dependência de um CEP fixo.

A proposta é permitir que esses usuários escolham o ambiente mais eficiente para operar e residir, com menos burocracia, carga tributária otimizada e modelos diferenciados de negócios e convivência. O conceito é o de um “estado em rede”, formado por múltiplas jurisdições descentralizadas que compartilham regras, governança e infraestrutura digital.

“A tese é que a próxima grande onda da década de 2030 não seja criar startups ou moedas, mas novas cidades e jurisdições”, afirma Hugo. “Cidades pensadas como Singapura, Dubai ou Shenzhen, com regras próprias, muito planejamento e tecnologia desde o início.”

Os primeiros testes

Hoje, a Tools for the Commons já opera ou distribui acesso a duas zonas. A primeira fica em Zanzibar, no leste da África, onde a startup firmou um acordo de longo prazo para desenvolver uma jurisdição com código comercial, civil e infraestrutura digital próprios. A segunda está em Honduras, em um estágio mais avançado. No país, a empresa atua como um dos braços de distribuição da Próspera, zona econômica especial e autônoma criada para acelerar inovações tecnológicas, científicas e empresariais.

Os aprendizados, segundo o fundador, vão além da tecnologia. “O ritmo de um governo é muito diferente do ritmo de uma startup”, diz Hugo. Para ele, o sucesso depende da parceria. “Quanto mais alinhado o jogo com os governos, maior a chance de dar certo.”

As operações já começaram a gerar receitas iniciais, com as primeiras dezenas de usuários em fase beta e contratos ligados ao desenvolvimento e à distribuição das zonas. A expectativa é acelerar a comercialização ao longo dos próximos meses.

Hugo destaca que a autonomia das zonas tem limites claros. “A gente separa o direito penal do direito civil. Questões como crimes continuam sob responsabilidade do Estado anfitrião. Já temas comerciais e cíveis podem ter alçada parcial ou total das zonas.”

Segundo ele, a proposta não é confrontar os Estados nacionais, mas atuar em parceria com governos, atualizando o modelo tradicional das zonas econômicas especiais para o mundo digital.

Para onde vai o dinheiro

A rodada da Tools contou com a participação do fundo 468 Capital, do ecossistema de deeptech Sthorm, da infraestrutura para contratos inteligentes Tanssi, da carteira digital multimoedas Coins e da holding de cidades inteligentes Grupo OSPA. A startup também recebeu apoio do programa de aceleração do escritório Pinheiro Neto e de investidores-anjo como Stephane Lopes, do Grupo Mata, além de Caetano Lacerda e Raphael Dyxklay, fundadores da Barte.

O capital levantado será usado principalmente para a atração de residentes e empresas, além da expansão do portfólio de zonas. “A maior parte dos recursos vai para o desenvolvimento comercial. Uma fatia menor segue para o desenvolvimento das zonas existentes, especialmente Zanzibar, e para trazer novas zonas para a plataforma”, explica Hugo.

A meta da startup é encerrar o ano com entre quatro e oito zonas ativas e entre 1.000 e 10.000 empresas operando na rede. O plano de expansão prevê novas zonas na América Latina, África e Ásia – regiões que, segundo o fundador, demonstram maior abertura para experimentar novos modelos institucionais.

Mesmo com atuação global, a Tools for the Commons concentra sua estratégia de comunicação no Brasil. “O time executivo é daqui, e o país já mostrou que consegue liderar o mundo em fintech e infraestrutura digital”, afirma Hugo, citando exemplos como o Pix, o GovBR e a digitalização do sistema financeiro.

Para o fundador, o Brasil não é apenas um mercado consumidor desse modelo, mas um potencial exportador de soluções institucionais, capaz de desenvolver suas próprias “Singapuras” e “Dubais” voltadas à economia digital.

Hugo acrescenta que a chamada economia desmaterializada – que reduz a intensidade de materiais na produção, promovendo eficiência via tecnologia – pode ser impactada pela reforma tributária. “É um tipo de negócio que não depende de um endereço físico para funcionar”, diz. A Tools mira justamente esse perfil de operação, com foco em negócios e empreendedores que operem de forma distribuída e busquem modelos institucionais cada vez menos vinculados a territórios físicos.

O post Startup brasileira capta R$ 10M para criar “economia sem CEP” apareceu primeiro em Startups.

Close Menu

Wow look at this!

This is an optional, highly
customizable off canvas area.

About Salient

The Castle
Unit 345
2500 Castle Dr
Manhattan, NY

T: +216 (0)40 3629 4753
E: hello@themenectar.com