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Imagem de close-up de um semicondutor sendo manuseado por uma pessoa usando luvas, com uma placa-mãe ao fundo. A cena destaca o componente essencial para o funcionamento de dispositivos eletrônicos (Chip, semicondutor, processador, chips, hardware, smicondutores, processadores, Intel, AMD, eletrônico, Gartner)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bloqueou nesta sexta-feira (2/1) um acordo envolvendo o setor de semicondutores (chips), ao vetar a aquisição de ativos da empresa norte-americana Emcore pela HieFo Corp. A decisão foi formalizada por meio de uma ordem executiva da Casa Branca, que aponta preocupações relacionadas à segurança nacional e a possíveis vínculos com a China.

O negócio, avaliado em cerca de US$ 3 milhões, previa a compra de ativos localizados em Nova Jersey, incluindo operações ligadas à produção de chips e à fabricação de wafers de fosfeto de índio, material estratégico usado em aplicações de telecomunicações, defesa e sistemas aeroespaciais. Segundo o governo norte-americano, a estrutura de controle da HieFo levantou alertas após análises conduzidas pelas autoridades federais.

Na ordem publicada, Trump afirma que a HieFo é “controlada por um cidadão da República Popular da China”, o que levou o governo a concluir que a transação poderia resultar em ações capazes de comprometer a segurança nacional dos Estados Unidos. O documento não identifica o indivíduo citado nem detalha quais riscos específicos foram mapeados durante o processo de avaliação.

Como consequência direta do veto, o presidente determinou que a HieFo desfaça integralmente qualquer interesse ou direito relacionado aos ativos da Emcore adquiridos no acordo. A empresa terá um prazo de até 180 dias para concluir o processo de desinvestimento, abrangendo todos os ativos, independentemente de sua localização.

A análise do caso ficou a cargo do Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS), órgão interagências responsável por revisar investimentos estrangeiros em setores considerados sensíveis. Após a decisão presidencial, o Departamento do Tesouro confirmou que o comitê identificou riscos à segurança nacional durante a investigação, mas não forneceu detalhes adicionais sobre a natureza dessas ameaças.

O episódio se insere em um contexto mais amplo de endurecimento da política americana em relação a investimentos com potencial ligação chinesa, especialmente em áreas estratégicas como semicondutores, inteligência artificial (IA), telecomunicações e defesa. Nos últimos anos, Washington tem ampliado o uso de instrumentos regulatórios para limitar o acesso de empresas estrangeiras, em especial chinesas, a tecnologias consideradas críticas para a soberania e a competitividade industrial do país.

Emcore + HieFo

Segundo a Reuters, a Emcore informou anteriormente que a HieFo havia adquirido seu negócio de chips e as operações de fabricação de wafers por aproximadamente US$ 2,92 milhões. À época, a Emcore ainda era uma empresa de capital aberto, mas posteriormente foi fechada. Já a HieFo declarou que foi cofundada por Genzao Zhang, ex-vice-presidente de engenharia da Emcore, e por Harry Moore, executivo que, segundo seu perfil profissional público, atuou como diretor sênior de vendas na própria Emcore.

Até o momento da divulgação da decisão, nenhuma das empresas havia publicado comentários oficiais em seus sites ou respondido a pedidos de posicionamento da imprensa. O silêncio das companhias ocorre em meio à crescente sensibilidade política e regulatória que envolve transações internacionais no setor de tecnologia avançada.

O bloqueio do acordo reforça o papel do CFIUS como um dos principais instrumentos do governo norte-americano para monitorar e restringir investimentos estrangeiros em cadeias produtivas estratégicas. Também sinaliza que, sob a atual administração, mesmo operações de menor valor financeiro podem ser alvo de veto quando envolvem tecnologias consideradas críticas ou estruturas de controle vistas como potencialmente problemáticas.

A decisão pode ter impactos mais amplos sobre o apetite de investidores internacionais no setor de semicondutores nos Estados Unidos, especialmente em um momento em que o país busca reforçar sua capacidade doméstica de produção de chips e reduzir dependências externas em áreas sensíveis da indústria tecnológica.

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