
O crescimento acelerado do uso de inteligência artificial tem gerado um aumento de demanda por energia que a Terra pode não ser capaz de suprir. A maior parte desse consumo vem dos data centers, instalações que processam e armazenam os dados necessários para treinar e rodar modelos de IA. Para funcionar, esses sistemas exigem chips altamente especializados operando em larga escala, sem parar, o que gera calor intenso e exige refrigeração constante. O resultado é uma infraestrutura que consome eletricidade de forma contínua, e cuja demanda cresce junto com o avanço dos modelos.
Para resolver esse problema, empresas de tecnologia – de big techs a startups – estão buscando no espaço a solução.
Entre elas, está a Meta, que acaba de fechar um acordo com a startup Overview Energy para receber energia solar gerada no espaço em seus data centers até o fim desta década. O contrato garante à empresa de Mark Zuckerberg acesso antecipado a até 1 gigawatt de capacidade do sistema da Overview. Os termos financeiros não foram divulgados.
Para ter uma ideia, só em 2024, os data centers da Meta consumiram mais de 18.000 gigawatt-horas de eletricidade, o suficiente para abastecer mais de 1,7 milhão de residências americanas por um ano inteiro. E a tendência é de alta.
A big tech já firmou parcerias com startups como Vistra, Oklo e TerraPower para compra de energia nuclear, de modo a suprir sua demanda energética. No entanto, mesmo a energia nuclear possui limitações, além de preocupações com a segurança.
Como funciona a tecnologia da Overview
A startup, fundada há quatro anos e sediada em Ashburn, na Virgínia, emergiu do modo stealth em dezembro de 2025. Ela está desenvolvendo espaçonaves capazes de coletar energia solar em órbita e transmiti-la continuamente para a superfície terrestre.
O diferencial está na forma de transmissão: em vez de usar lasers de alta potência ou micro-ondas – o que levanta problemas sérios de segurança e regulação –, a Overview converte a energia coletada no espaço em luz infravermelha próxima e a direciona para fazendas solares terrestres de grande porte, que já convertem luz em eletricidade. O CEO Marc Berte afirma que é possível olhar diretamente para o feixe do satélite sem nenhum risco.
A solução resolve um dos maiores entraves da energia solar convencional para data centers: a necessidade de baterias ou fontes complementares para operar à noite. Com satélites em órbita geoestacionária, o feixe acompanha as fazendas solares ao longo da rotação da Terra, garantindo geração mesmo na madrugada.
A empresa planeja lançar um satélite em janeiro de 2028 para realizar a primeira transmissão espacial, com entrega comercial de energia a partir de 2030. A meta é operar uma frota de mil espaçonaves cobrindo cerca de um terço do planeta – inicialmente da Costa Oeste dos EUA até a Europa Ocidental. Cada satélite deve operar por mais de dez anos.
Espaço é o novo território
Com o aumento da demanda por energia, o espaço se tornou o novo território a ser explorado pelas empresas de tecnologia. Recentemente, a Orbital, uma startup fundada em Los Angeles, recebeu um investimento de valor não divulgado da Andreessen Horowitz (a16z) para construir e operar data centers em órbita terrestre baixa.
Cada satélite abrigará um cluster de servidores com GPUs da Nvidia, alimentado por painéis solares e resfriado de forma passiva – simplesmente irradiando calor para o vácuo. A primeira missão da Orbital está programada para abril de 2027, a bordo de um Falcon 9 da SpaceX.
A startup aeroespacial de Elon Musk, inclusive, também estava avaliando a possibilidade de enviar data centers para o espaço, mas concluiu que o modelo pode não ser comercialmente viável no curto prazo.
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