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Gustavo Sabato, CIO da Aeropuertos Argentina. Foto: Divulgação

Em boa parte dos aeroportos do mundo, neve ainda é tratada quase da mesma forma que décadas atrás: monitoramento manual, decisões fragmentadas e respostas reativas diante das mudanças climáticas. Na Aeropuertos Argentina, o cenário mudou com inteligência artificial (IA).

Em conversa com jornalistas da América Latina durante o Sapphire 2026, em Orlando*, Gustavo Sabato, CIO da Aeropuertos Argentina, contou que a empresa usa agentes de IA integrados ao ERP da SAP para automatizar decisões operacionais críticas durante o inverno.

O projeto, batizado de S.N.O.W. Agent– Smart Network for Operative Winter -, nasceu para resolver o desafio de operar aeroportos em condições climáticas extremas sem depender de processos manuais e, por vezes, onerosos. Rapidamente, no entanto, o projeto evoluiu para algo maior. “Estamos passando de um modelo reativo para um modelo pró-ativo”, sintetizou o executivo.

Quando chega o inverno

A Aeropuertos Argentina administra 52 aeroportos em países como Argentina, Uruguai, Brasil, Equador, Itália e Armênia. Só na Argentina, são 35 aeroportos sob gestão da companhia. Durante o inverno, oito desses aeroportos enfrentam operações críticas ligadas a neve e gelo.

Segundo Sabato, aproximadamente 1,4 milhão de passageiros e 14 mil voos sofrem impactos diretos dessas condições em apenas uma estação do ano e o problema vai muito além de atrasos.

Durante períodos de neve, as equipes precisam intervir constantemente nas pistas para remoção de gelo e aplicação de químicos. “É necessário intervir nas pistas mais de 250 vezes nesse período”, explicou.

Historicamente, esse processo acontecia de maneira fragmentada, baseado em decisões humanas e informações dispersas. “Muitas vezes os administradores literalmente colocavam o dedo para cima para entender o clima e decidir o que fazer”, lembrou o executivo. Além da baixa eficiência operacional, o quadro elevava custos, aumentava riscos e gerava impacto ambiental pelo uso excessivo de químicos nas pistas.

Agente do clima

A resposta encontrada pela companhia foi criar um agente de IA integrado aos sistemas SAP para orquestrar toda a operação em tempo real. O S.N.O.W. Agent reúne dados meteorológicos, sensores das pistas, informações operacionais e processos de manutenção em uma única camada inteligente.

Com isso, o sistema consegue analisar continuamente as condições dos aeroportos e automatizar decisões críticas.
Segundo a empresa, o agente dispara alertas automaticamente; verifica disponibilidade de recursos; aciona ordens de trabalho; movimenta equipes; coordena comunicação operacional; e acompanha tudo em tempo real via workflows móveis. “Ele orquestra clima, sensores de pista, operação e manutenção ao mesmo tempo”, explicou o CIO. O objetivo é reduzir drasticamente o tempo de resposta durante eventos climáticos extremos.

Menos custo

Os primeiros resultados já começaram a aparecer. Segundo a Aeropuertos Argentina, o projeto tem potencial para reduzir em 16% os custos operacionais diretos ligados às operações de inverno.

A companhia também projeta redução significativa nas emissões de carbono ao diminuir o uso de químicos e deslocamentos desnecessários. Outro ganho importante está na disponibilidade das pistas. “Com 20% menos intervenções ficamos satisfeitos”, projetou Sabato.

Segundo ele, o impacto mais relevante talvez esteja justamente na previsibilidade operacional. “Os passageiros vão reclamar menos porque as pistas serão menos interrompidas”, resumiu.

Próximos passos

O que começou como um projeto voltado ao inverno acabou abrindo novas possibilidades para a companhia.
Durante o desenvolvimento, a equipe percebeu que o mesmo modelo poderia ser usado em praticamente qualquer operação baseada em sensores, alertas e manutenção automatizada.

Hoje, a Aeropuertos Argentina já avalia expandir o agente para detecção de objetos nas pistas; monitoramento de fauna; iluminação aeroportuária; segurança perimetral; monitoramento ambiental; e infraestrutura operacional.

Segundo o executivo, um fator foi decisivo para acelerar o projeto foi a modernização prévia do ERP. A companhia já havia migrado para SAP S/4Hana em 2023, revisando processos e limpando parte significativa do ambiente tecnológico.

Isso permitiu que o MVP fosse construído em apenas três meses em parceria direta com a SAP. “Foi rápido porque já tínhamos uma base muito mais limpa”, afirmou ele. A companhia agora pretende expandir gradualmente a solução para os demais aeroportos da operação global.

*A jornalista viajou a convite da SAP

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