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Adriana Aroulho é presidente da SAP América Latina e Caribe

Enquanto grande parte do mercado ainda tenta entender como transformar inteligência artificial (IA) em resultado concreto nas empresas, a SAP assumiu o papel de acelerar essa virada, reposicionando seu sistema de gestão empresarial (ERP) no cérebro operacional da nova era agêntica.

Para Adriana Aroulho, presidente da SAP América Latina, esse movimento não representa apenas mais uma atualização tecnológica. Ele vai além. “Não se trata de uma inovação incremental. Estamos reinventando o cérebro das empresas”, afirmou durante conversa com jornalistas latino-americanos no Sapphire 2026, em Orlando, nos Estados Unidos.

A executiva resumiu a principal tese apresentada pela SAP em seu evento que este ano reúne mais de 15 mil participantes: o futuro da IA corporativa não será definido apenas por modelos generativos, mas pela capacidade de conectar inteligência artificial a processos, governança e contexto empresarial.

Segundo Adriana, é justamente aí que boa parte dos projetos de IA empresarial falha hoje. “Noventa e cinco por cento dos projetos de IA empresarial fracassam porque perdem o contexto de negócios”, afirmou, citando estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT). A fala ajuda a explicar por que a SAP vem insistindo tanto em posicionar o ERP como “o cérebro da empresa” e não apenas como sistema transacional.

ERP deixa de ser sistema de registro e vira conversa

Ao longo da conversa, Adriana repetiu diversas vezes que a visão da empresa autônoma, conceito apresentado pela fabricante durante o evento, nasce da transformação do ERP em um “sistema de execução”, indo muito além de um sistema de registro.

Na nova era do ERP, agentes de IA são usados diretamente sobre processos corporativos críticos, mas sem retirar o humano da tomada de decisão. “É colocar IA para executar, mas sob controle do ser humano. As pessoas seguem no controle das decisões importantes”, explicou.

De acordo com ela, autonomia não significa ausência de supervisão humana, mas uma nova divisão entre execução operacional e decisão estratégica. “A empresa autônoma é uma visão em que existe muito mais fluidez entre a decisão humana e a capacidade de execução dos agentes”, afirmou.

Uma das maiores mudanças apresentadas pela SAP no evento foi a evolução da Joule, assistente de IA da companhia. “A visão é a de que o novo ERP não se navega, se conversa com ele”, indica. Adriana explicou que a partir do Joule Work, usuários deixam de acessar diferentes telas, módulos e aplicações isoladas para interagir com processos corporativos em linguagem natural.

Segundo a SAP, a IA passa a buscar informações, executar tarefas, coordenar agentes e devolver respostas contextualizadas sem exigir navegação tradicional no sistema. Mas Adriana insistiu no ponto de que esse novo modelo só funciona quando existe uma base empresarial consistente por trás. “Se você não puder confiar no dado, nunca vai escalar”, indicou.

Durante a conversa, Adriana deixou claro que a SAP não pretende competir diretamente na guerra dos modelos fundacionais. “A SAP nunca quis jogar o jogo dos modelos de linguagem”, assinalou.

Segundo ela, modelos estão se tornando commodity. O diferencial passa a ser o acesso ao contexto corporativo. “Os dados públicos são muito limitados. Por isso o ERP é o cérebro da empresa.” A executiva argumenta que o verdadeiro desafio da IA corporativa é organizar dados SAP e não SAP sem perder semântica, governança e rastreabilidade. “Os dados precisam conversar sem perder contexto de negócio”, afirmou. Essa é justamente a base da nova SAP Business AI Platform anunciada no Sapphire.

IA sem governança não escala

Outro ponto recorrente na fala da executiva foi governança. Adriana reconhece que existe uma ansiedade crescente das áreas de negócios para acelerar projetos de IA dentro das empresas, especialmente na América Latina. Mas alertou que autonomia sem governança pode gerar exatamente o efeito oposto. “Sem isso, fica muito superficial. Não escala”, afirmou ao comentar projetos isolados de IA sem integração empresarial.

Segundo ela, a SAP diferencia sua abordagem justamente pela rastreabilidade dos agentes. “Hoje podemos garantir o que um agente SAP faz, como faz, quem faz. Tudo isso é auditável e rastreável.”

A executiva também destacou que a governança se torna ainda mais crítica em um cenário com milhares de agentes operando simultaneamente. “Imagine um milhão de agentes entrando e saindo o tempo inteiro. Nós somos responsáveis pelos dados dos nossos clientes.”

Nuvem como pré-requisito

A estratégia de IA apresentada pela SAP também reforça outra prioridade da companhia, a de acelerar a migração dos clientes para cloud.

Segundo Adriana, boa parte das capacidades agênticas anunciadas no Sapphire depende dessa modernização. “A nuvem é a única forma de manter inovação contínua para os clientes”, contou. Ela explicou que clientes em Rise with SAP terão acesso inicial a assistentes agênticos, enquanto clientes do Grow with SAP receberão acesso mais amplo ao catálogo completo.

A empresa também aposta que os próprios agentes ajudarão a acelerar projetos de transformação ERP. Segundo executivos da SAP, novos agentes poderão reduzir significativamente tempo e custo de migrações ao automatizar análise de sistemas, configuração e testes.

*A jornalista viajou a convite da SAP

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