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Stablecoins vão virar norma no mercado, diz CEO da Jeeves no Brasil

By janeiro 16th, 2026No Comments
Gustavo Gorenstein, CEO da Jeeves no Brasil | Foto: Divulgação
Gustavo Gorenstein, CEO da Jeeves no Brasil | Foto: Divulgação

Da mesma forma que o Pix praticamente aposentou o TED e o DOC, as stablecoins estão prestes a provocar uma ruptura semelhante no comércio internacional — desta vez, substituindo o tradicional sistema SWIFT. Essa é a visão de Gustavo Gorenstein, CEO da Jeevesno Brasil, que acaba de anunciar o lançamento da nova rota de stablecoins entre o país e os Estados Unidos.

“As transferências via stablecoins estão para o SWIFT como o Pix está para o cheque. É uma mudança estrutural. Ou o SWIFT se moderniza, ou vai acabar”, afirma o executivo. “Hoje, fazer uma remessa internacional ainda é como mandar uma carta. A rota de stablecoins é como enviar um e-mail”, explica.

Atualmente, as transferências via SWIFT podem levar até dois dias úteis para serem liquidadas, com aplicação de taxas de câmbio e spreads que frequentemente ultrapassam 5%. Com a plataforma de stablecoins, a Jeeves consegue liquidar o pagamento instantaneamente, com disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana e sem custos ocultos.

Apoiada por investidores de peso como Tencent, Andreessen Horowitze Y Combinator, a fintech norte-americana Jeeves chegou no Brasil em 2022, oferecendo um sistema operacional financeiro construído para negócios globais, incluindo cartões corporativos, pagamentos entre fronteiras e software de gestão de gastos em uma plataforma unificada. A nova rota de stablecoin integra o Brasil a uma rede global de pagamentos instantâneos da fintech, que já conecta operações entre México, Colômbia, Reino Unido e Europa.

Segundo o executivo, apesar de o Brasil ter sido incorporado agora à estratégia global de stablecoins da fintech, o país já desponta como um dos mercados mais promissores para a companhia. A fintech espera processar mais de US$ 500 milhões por ano por meio de sua infraestrutura de stablecoins e conectar 80% das rotas comerciais mais relevantes de seus clientes até o final de 2026.

“O Brasil é o filho mais novo nesse produto, mas talvez o mais preparado. A experiência do Pix criou uma familiaridade enorme com pagamentos instantâneos. O paralelo com stablecoins é muito fácil de explicar para as empresas”, afirma Gustavo.

A adoção, no entanto, ainda exige um trabalho educativo. “Muita empresa ainda acha que stablecoin é igual a Bitcoin, algo especulativo”, diz o CEO. “A regulamentação do Banco Central ajuda muito, porque traz chancela e segurança. Governança é algo positivo, especialmente quando se fala com o mercado tradicional.”

A Jeevesopera em parceria com instituições de câmbio locais e emissores de stablecoins regulamentados, garantindo conformidade com os padrões exigidos pelo BC.

Além do fluxo de pagamentos para o exterior, a empresa observa uma demanda crescente pela rota inversa: a repatriação de recursos. “Trazer dinheiro de fora também é um problema enorme hoje, inclusive para startups que levantam rodadas de investimento no exterior, por exemplo. Stablecoins resolvem isso com a mesma eficiência”, afirma o CEO.

Globalmente, o crescimento da vertical de stablecoins da Jeeves tem sido acelerado. De acordo com Gustavo, o volume transacional registrado na segunda semana de janeiro já superou todo o volume processado pela Jeeves no ano anterior.

O Brasil tem sido um mercado importante para a fintech desde a sua chegada por aqui. Em maio de 2024, a Jeeves chegou a levantar uma linha de crédito de US$ 75 milhões focada exclusivamente no país. A captação foi feita junto à Community Investment Management (CIM) com o objetivo de impulsionar o seu crescimento no país, financiando o limite liberado aos clientes da startup e apoiando a expansão de sua solução de pagamentos, batizada de Jeeves Pay.

No início do ano passado, a Jeevesanunciou sua entrada no mercado de soluções de crédito para viagens corporativas no Brasil, e chegou a afirmar que o país estava no “top five” dos aproximadamente trinta mercados em que a fintech opera.

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