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Priscila Spadinger, CEO da Aleve. Imagem: divulgação

Em meio às discussões sobre inteligência artificial (IA), automação e novos modelos de negócios no SXSW 2026, que acontece em Austin, nos Estados Unidos, uma venture builder brasileira dedicada ao setor jurídico busca mostrar que a inovação no direito também pode nascer no Brasil.

Fundada em 2021 e sediada em Belo Horizonte, a Aleve LegalTech Ventures participa do festival com o objetivo de aproximar investidores globais e antecipar tendências tecnológicas que podem transformar o mercado jurídico brasileiro.

A empresa opera em um modelo pouco comum no setor. Em vez de apenas investir capital, atua na criação e desenvolvimento de startups jurídicas, oferecendo estrutura de produto, marketing, vendas e captação de recursos para transformar ideias em negócios escaláveis.

“Nosso papel é construir pontes entre o que está surgindo no mundo e o que ainda precisa acontecer no Brasil”, afirma Priscila Spadinger, CEO da Aleve. “O SXSW não é apenas um evento de tendências. É um espaço de antecipação estratégica.”

A lógica da Aleve segue o conceito de venture builder. A empresa criar startups, desenvolver os negócios e, em muitos casos, vendê-los posteriormente para empresas maiores.

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Segundo Priscila, a holding reúne mais de cem investidores e tem como estratégia construir e escalar soluções tecnológicas para um setor que ainda passa por transformação digital.

“Somos uma máquina de construir startups e vender”, afirmou a executiva ao IT Forum durante conversa em Austin. “Não entramos apenas com dinheiro, mas com estrutura para fazer a empresa crescer.”

Desde a fundação, a venture builder já teve 17 startups em seu portfólio, com diferentes estágios de maturidade, algumas já vendidas e outras em processo de crescimento.

Entre os exemplos está a Cria.AI, plataforma de software como serviço (SaaS) que automatiza a produção de documentos jurídicos e atende mais de 20 mil advogados no Brasil. A empresa foi adquirida pela Preâmbulo Tech, marcando o início do ciclo de liquidez da venture builder. Hoje, o portfólio inclui 11 startups, com planos de chegar a 20 até 2026.

IA muda o jogo no setor jurídico

A transformação do mercado jurídico é um dos temas recorrentes do ano. O avanço da inteligência artificial vem ampliando a capacidade analítica de advogados e empresas, além de automatizar tarefas e organizar grandes volumes de processos.

Para Priscila, no entanto, a tecnologia não elimina o papel humano na prática jurídica. “A máquina nunca vai substituir o feeling humano”, afirmou. “Ela pode ajudar com análise e dados, mas decisões complexas ainda dependem da experiência e da percepção das pessoas”, aposta.

Esse entendimento orienta o tipo de negócio que a Aleve busca desenvolver, soluções tecnológicas que ampliem a produtividade dos profissionais do direito, sem substituir o trabalho intelectual do advogado.

Startups que nascem para ser vendidas

O modelo de venture building também reflete uma visão pragmática sobre inovação. Segundo a executiva, muitas startups são criadas já com o objetivo de crescer rapidamente e serem adquiridas por empresas maiores do setor.

“A Aleve nasceu para crescer e ser vendida”, diz. “O nosso mercado é criar negócios, desenvolver e entregar para empresas que podem escalar essas soluções ainda mais.”

Entre as possibilidades em análise estão a venda da empresa para uma corporação global de tecnologia jurídica ou sua transformação em um fundo estruturado.

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