
O Z.ro Bank anunciou neste mês que está encerrando as contas de seus clientes pessoa física para focar no B2B – segmento que a fintech atende com soluções de pagamentos locais, cross-border e criptomoedas. Com o movimento, a empresa tem buscado se posicionar mais como uma infratech financeira e agora planeja focar na sua consolidação como player global, começando pela América Latina.
À frente dessas mudanças está Rafael Lavezzo, CEO do Z.ro International, que chegou no começo de 2025 para liderar a expansão internacional do Z.ro Bank. O executivo traz na bagagem uma trajetória sólida no setor de pagamentos, tendo passado por empresas como Cielo e Zoop – onde foi CRO antes da venda da companhia para o iFood –, além de Worldpay e Nuvei, onde liderou processos de internacionalização do zero.
“A saída gradual do B2C fazia parte do nosso desejo”, conta Rafael. “A infraestrutura que construímos era muito mais robusta do que o B2C precisava. Fazia muito mais sentido para empresas nacionais e globais que podiam se customizar.”
O diferencial que a empresa reivindica é uma infraestrutura própria de câmbio e criptomoedas, construída internamente. “A gente veio nativo de câmbio e cripto. Tenho possibilidade de reduzir custo de forma muito grande porque minha infra não é terceirizada”, afirma o executivo.
Fundado em 2019 em Recife, o Z.ro Bank entrou no “as a service” em 2022. Em 2023, o B2B já correspondia a 90% do faturamento.
Em menos de um ano após a chegada de Rafael, a empresa iniciou operações na Argentina, Peru e México – dois dos quais o executivo classifica como mercados propositalmente desafiadores. “Escolhi dois países difíceis: Argentina e México. Se a gente fizer bem nesses, os outros vêm naturais”, afirma.
O executivo vê no mercado de cross-border da América Latina uma oportunidade que ele chama de “gigantesca”: “O mercado hoje está em US$ 400 bilhões e a estimativa é chegar a US$ 1 trilhão em 2030. Quase metade disso está no Brasil, onde temos uma posição super sólida. A outra metade é a mais capturável”, avalia. A tese de penetração da empresa mira entre 1% e 2% desse volume.
O roadmap de expansão já está traçado: após Argentina, Chile, Peru e México – onde já opera –, a empresa tem Colômbia e Equador como próximos destinos, seguidos de América Central, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
A operação do México prevê uma projeção de volume mensal de R$ 1 bilhão processados até o fim de 2027, segundo a companhia, caminhando para se tornar um dos principais mercados do Z.ro Bank.
Experiência do cliente
O Z.ro Bankatende três perfis de clientes: merchants digitais globais, PSPs (Provedor de Serviços de Pagamento) e bancos tradicionais ou de câmbio que queiram movimentar dinheiro na região. Para todos eles, a promessa é a mesma: uma entrada na América Latina com o mínimo de fricção possível, via uma única API.
“A grande maioria que vem conversar comigo fala: estou há seis meses fazendo onboarding com um competidor”, conta Rafael. “Minha missão é fazer com que a entrada em Latam seja a menos dolorosa possível.”
Para ele, no entanto, a infraestrutura, por mais sofisticada que seja, está deixando de ser o principal campo de batalha. “Pagamento, câmbio e cripto são quase commodities. A guerra vai ser na experiência do cliente. Como você mantém, fideliza e evita o churn.”
Consolidação e M&A no radar
Com o crescimento acelerado – a expectativa é fechar o ano com 50% a mais em receita bruta do que no ano anterior –, o Z.ro Bank já começa a olhar para movimentos de consolidação de mercado. “Estamos sempre de olho em M&A, seja para complementar serviços ou para consolidar mercado, tanto no Brasil quanto fora”, revela Rafael.
Uma nova rodada de captação não está descartada, mas o foco está em parcerias estratégicas. “Se formos captar, estamos em busca de parceiros estratégicos. Pode fazer mais sentido do que funding puro, para acelerar a penetração de receita.”
A meta é ambiciosa, mas Rafael é direto sobre o horizonte: “Nos próximos 18 a 24 meses, vamos nos consolidar entre os três principais players de pagamentos cross-border da América Latina.”
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