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Brasil lidera em volume, mas perde espaço no equity latino-americano

By maio 13th, 2026No Comments
IA tem atraído investimentos de venture capital | Foto: Canva
Venture capital | Foto: Canva

A América Latina movimentou US$ 534 milhões em rodadas de equity para startups em abril, segundo dados do Sling Hub. O volume representa alta de 26% em relação a março e de 44% na comparação anual, consolidando abril como o mês mais forte de 2026 para o venture capital latino-americano até agora.

Embora o Brasil tenha liderado em número de rodadas – com 19 das 34 operações anunciadas no período – o protagonismo em volume ficou com o México. A principal responsável foi a série C de US$ 405 milhões da Plata Card, fintech focada em crédito. Sozinha, a rodada respondeu por mais de três quartos de todo o equity captado na América Latina no mês.

O Brasil respondeu por US$ 48,7 milhões do volume regional em abril, o equivalente a 9% do total. É a menor participação brasileira no equity latino-americano em 2026 até agora. Em janeiro, o país representou 18% dos investimentos, seguido por 17% em fevereiro e 24% em março.

O cenário muda ao considerar todas as modalidades de financiamento, incluindo debt, FIDCs e rodadas híbridas. Nesse recorte, a América Latina somou US$ 1,83 bilhão captados em abril, com o Brasil concentrando 63% do volume regional.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo FIDC de US$ 1,1 bilhão levantado pela CloudWalk. Segundo o Sling Hub, esta foi a maior operação desse tipo já realizada por uma startup na América Latina.

Os números reforçam uma dinâmica que vem ganhando espaço no ecossistema: startups mais maduras seguem acessando capital por meio de estruturas de crédito e recebíveis, enquanto o mercado de equity permanece mais seletivo.

México avança nas grandes rodadas

A rodada da Plata Card praticamente redesenhou o mapa do equity na região em abril. Segundo o Sling Hub, fintechs representaram 83% de todo o volume captado em equity na América Latina no período, somando US$ 446 milhões em investimentos.

O movimento reforça o apetite de investidores internacionais por startups ligadas a crédito, pagamentos e infraestrutura financeira – segmentos que continuam concentrando os maiores cheques da região. O desempenho de abril também evidencia o avanço do México nas grandes rodadas de venture capital latino-americanas, especialmente no setor financeiro.

Mercado segue concentrado em poucos cheques

Apesar da recuperação do volume de equity em abril, o número de rodadas caiu 23% na comparação mensal, passando de 44 para 34 operações na América Latina. Na prática, o dado indica que a retomada do venture capital na região ainda acontece de forma concentrada, puxada por poucas transações de grande porte – e não por uma recuperação disseminada do mercado.

A própria rodada da Plata Card ajuda a ilustrar esse cenário. Sozinha, a fintech respondeu por cerca de 76% de todo o equity captado na região no mês. Sem a operação, abril teria registrado um volume mais próximo dos patamares observados ao longo do restante de 2026.

O resultado reforça que os investidores seguem seletivos, priorizando startups mais maduras, setores considerados resilientes e empresas com maior previsibilidade de receita. O mercado ainda opera em um ritmo distante do observado entre 2020 e 2021, quando o aumento do capital disponível vinha acompanhado de uma distribuição mais ampla das rodadas.

Por enquanto, a recuperação do venture capital na América Latina continua concentrada em poucas operações de grande porte – e, neste momento, os maiores cheques da região estão acontecendo fora do Brasil.

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