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“Esperamos vir para o Brasil em breve”, afirma cofundadora da Kalshi

By junho 9th, 2026No Comments
Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi | Foto: divulgação/ Web Summit
Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi | Foto: divulgação/ Web Summit

A Kalshi é hoje uma das startups “non-AI” mais valiosas do mercado, avaliada em mais de US$ 22 bilhões. Com presença em mais de 140 países, detém mais de 90% do mercado de previsões regulado nos Estados Unidos e tem entre seus investidores o filho do presidente Donald Trump. Entretanto, todo esse cacife não foi suficiente para a companhia trazer sua operação para o Brasil, mesmo possuindo uma fundadora brasileira.

Já com planos de “aterrissagem” para o Brasil em 2026, inclusive em parceria com a XP, a Kalshi tomou uma ducha de água fria em abril passado, quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) barrou a criação de plataformas de mercado preditivo no país. Entretanto, para a cofundadora Luana Lopes Lara, o desafio não chega a ser político, e sim de educação.

Na noite de abertura do Web Summit Rio, Luana deu sua opinião sobre o perrengue enfrentado para abrir negócios em seu país natal, mantendo o otimismo. Segundo ela, o que a Kalshi está passando por aqui é uma situação conhecida.

“O que está acontecendo não só no Brasil, mas em outros países, é um processo similar ao que aconteceu nos Estados Unidos em 2018 e 2019, quando começamos a empresa”, avalia a executiva.

Segundo ela, foram anos de negociações e educação junto aos reguladores americanos, que repetidamente diziam não. A persistência, que Luana atribui diretamente ao otimismo em seu “DNA brasileiro”, rendeu uma vitória histórica: em 2020, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) aprovou a Kalshi como mercado de contratos designados, e em 2024 um tribunal de apelações decidiu que futuros ligados a eleições “não constituem apostas sob a lei federal americana”.

Apesar de ainda estar “barrada” no Brasil, Luana confirma que o país está no roadmap de expansão global da Kalshi, e a empresa está disposta a trabalhar com o governo local para estabelecer operações dentro das regulações necessárias.

“Esperamos vir ao Brasil em breve, mas vamos trabalhar com o governo para ver. Não tem nada definido, mas estamos analisando o caminho que vamos tomar”, avalia.

Educação antes de regulação

Perguntada sobre como a Kalshi quer chegar ao mercado brasileiro, Luana revela que a estratégia passa pelo mesmo caminho que funcionou nos EUA.

“Foram anos de educação que tivemos que fazer — dos reguladores, do público, da mídia e da indústria — para chegar a um ponto em que é muito aceito que estes mercados são melhores, mais seguros e diferentes de cassinos e apostas esportivas”, explica.

Para sustentar sua tese, Luana trouxe números, destacando que a taxa de perda em mercados de previsão é de aproximadamente 70%. No day trading e em futuros tradicionais, chega a 95%.

“No final do dia, há risco em qualquer um destes mercados, mas os mercados de previsão, por serem muito mais intuitivos, acabam sendo um ambiente significativamente mais seguro”, avalia.

Nesse caminho de expansão, também está nos planos da Kalshi ir além dos contratos de previsão e, segundo a executiva, o objetivo é se estabelecer como uma das maiores, senão a maior, exchange de derivativos do planeta.

“Queremos chegar lá, mas só vamos conseguir se todo mundo, do varejo ao Goldman Sachs, estiver negociando no mesmo pool de liquidez”, afirma Luana.

O passo mais recente nessa direção foi o lançamento dos Perpetual Futures — contratos em que o usuário pode apostar se um determinado ativo vai subir ou cair de valor. Essa é a primeira vez que esses contratos poderão ser negociados de forma legal nos EUA, e a Kalshi quer expandir essa oferta para além das criptomoedas.

A adoção institucional também está crescendo: bancos e fundos começam a operar na plataforma, atraídos pela liquidez acumulada.

De olho nessas possibilidades, tanto no varejo quanto no “atacado”, Luana acredita que plataformas de previsão podem se tornar até maiores que o mercado de ações. A declaração foi feita por ela no começo do ano e, perguntada no palco do Web Summit Rio sobre isso, manteve a posição.

“Quando você senta à mesa de jantar, você não fala sobre se a ação da Meta vai cair por causa de mais data centers. Você fala sobre eleições, sobre pandemias, sobre esportes. É muito mais intuitivo e muito mais humano pensar em mercados de previsão. É só uma questão de tempo”, dispara.

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