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Essa venture builder transforma pesquisa acadêmica em startups de biotech

By junho 9th, 2026No Comments
Gabriel Bottos, CEO da Vesper | Foto: Divulgação
Gabriel Bottos, CEO da Vesper | Foto: Divulgação

O Brasil tem universidades reconhecidas mundialmente e uma produção científica de ponta, mas enfrenta um desafio de transformar essa produção acadêmica em soluções concretas para a sociedade. Com uma rodada aberta de R$ 75 milhões, a venture builder Vesperquer mudar esse cenário, ajudando a levantar empresas de biotecnologia voltadas para os setores de saúde e agro.

O modelo da Vesperé inspirado em iniciativas internacionais, como o fundo de venture capital norte-americano Flagship Pioneering investidor da farmacêutica Moderna, uma das fabricantes de vacinas contra a Covid-19. Em vez de apostar em empresas já existentes, porém, a Vesper as constrói do zero junto com os cientistas, tornando-se sócia desde o início e capturando o valor gerado ao longo de todo o desenvolvimento.

A origem da empresa mistura trajetória empreendedora e história pessoal. O fundador Gabriel Bottos e seu irmão gêmeo são engenheiros de Florianópolis, com passagem pelo Instituto Fraunhofer, na Alemanha. De volta ao Brasil, cofundaram a Exact Sales, empresa de software de aceleração de vendas vendida à RD Station, da TOTVS, em 2023. Mas foi um episódio familiar que redirecionou o olhar dos fundadores para a biotecnologia.

Em 2019, a sobrinha de Gabriel, Helena, foi diagnosticada com um neuroblastoma estágio 4, um tumor sólido quimiorresistente. Ela tinha quatro anos e menos de 3% de chance de sobreviver. No Brasil, não havia tratamento disponível com eficácia para o caso. A família conseguiu encaixá-la em um estudo experimental na Espanha, com um anticorpo que salvou sua vida. Hoje, Helena tem dez anos e está em remissão total.

“Foi literalmente um milagre. E, nesse processo todo, a gente começou a mergulhar nesse tema de biotecnologia. Primeiro, pela história pessoal, depois porque estamos no Brasil, um país continental com a maior biodiversidade do mundo e uma potência em agricultura, um país muito estratégico para estudos clínicos, porque você encontra todas as doenças em genéticas variadas. A gente tem grandes hospitais aqui no Brasil, a medicina brasileira é referência internacional. E no entanto a gente não tem grandes inovações sendo feitas na área de biotecnologia”, afirma Gabriel.

A resposta que os fundadores encontraram foi sistêmica. A pesquisa existia nas universidades, nos laboratórios, nas teses de doutorado. O que faltava era o elo entre a bancada e o mercado. As startups de biotech não nasciam, ou morriam no caminho, por falta de capital, gestão e estratégia. E os modelos convencionais de aceleração e venture capital não funcionavam para esse tipo de inovação, que exige anos de validação científica antes de qualquer receita.

“Não adianta chegar para um cientista, dar um curso de quatro meses em aceleradora e achar que está resolvido”, explica Gabriel. O processo exige imersão real: a equipe da Vesper se envolve diretamente em cada projeto, com um volume deliberadamente limitado de empresas para garantir qualidade.

Desde a fundação, em 2018, a holding avaliou mais de 4.500 projetos e selecionou oito – todos com potencial de competitividade internacional. Quatro atuam em saúde humana, desenvolvendo terapias para cânceres, doenças autoimunes, demências e condições ligadas ao envelhecimento. Três estão na agrobiotecnologia sustentável e uma é voltada a diagnósticos moleculares.

Entre as empresas do segmento de saúde, destaca-se a Aptah Bio, com o maior valuation do portfólio e plano de IPO no horizonte, cujo primeiro produto projeta US$ 7 bilhões em receita anual recorrente. A biotech realiza pesquisas de novas terapias de RNA, responsável pela síntese de proteínas nas células, voltadas para o tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento, como câncer e doenças neurodegenerativas.

No processo de captação de R$ 75 milhões, a venture builder já levantou cerca de R$ 25 milhões, com a participação de membros da família Lafer (grupo Klabin), da Rise Ventures – fundo focado em investimentos de impacto – e da ACNext Ventures, veículo de executivos da Accenture. Ao todo, desde a fundação, o portfólio mobilizou mais de R$ 200 milhões entre capital privado e subvenção econômica, com dois terços oriundos de fundos privados.

O ecossistema de apoio inclui o Prof. Paulo Arruda, membro da Academia Brasileira de Ciências, e a Profa. Mayana Zatz, da USP, além de parcerias institucionais com Fiocruz, BNDES e Finep. O chairman da holding, Rogério Vivaldi, mora em Boston há 17 anos e já conduziu quatro IPOs em Nova York.

A maior parte das empresas operam no hub da Vesper Bio, polo de biotecnologia com cerca de 3.000 m² de laboratórios e escritórios em Florianópolis, que reúne cientistas e gestores no mesmo ambiente.

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