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Google inaugura centro de engenharia em SP com foco em IA e segurança

By maio 28th, 2026No Comments
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Espaço tem capacidade para 400 funcionários e oportunidades para aproximar empreendedores, pesquisadores, universidades e grandes empresas | Crédito: Divulgação

O Google ampliou sua aposta no Brasil com a inauguração do segundo centro de engenharia da empresa no país, localizado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária, em São Paulo. Com capacidade para 400 colaboradores, o espaço nasce de uma cooperação técnica firmada entre Google, IPT e governo de São Paulo em fevereiro de 2024, integrada ao programa IPT Open, voltado à promoção de parcerias de pesquisa e inovação.

A nova unidade reforça uma trajetória de duas décadas da companhia no país. O primeiro centro de engenharia do Google opera em Belo Horizonte desde o início dos anos 2000, enquanto a empresa já soma mais de 2 mil funcionários no Brasil.

Segundo Alexandre Freire, diretor sênior de engenharia para privacidade, segurança e proteção aos usuários do Google, a expectativa é que o espaço funcione como um ambiente onde ideias possam evoluir até se tornarem produtos.

Além das áreas tradicionais de escritório, o complexo abriga as primeiras unidades da América Latina do Accessibility Discovery Center (ADC), dedicado ao desenvolvimento de produtos e ferramentas para pessoas com deficiência, e do Google Safety Engineering Center (GSEC), focado em soluções de segurança digital.

A infraestrutura também recebe o novo Google Campus, voltado a startups que têm inteligência artificial no centro do modelo de negócio. Após acelerar mais de 450 startups no Brasil, o programa agora passa a atuar em três frentes: Deep Tech, com foco em pesquisas científicas e IA avançada para saúde, agro, clima e energia; Soluções Agênticas, voltadas ao desenvolvimento de agentes inteligentes para automação de processos; e Martech, direcionada à transformação do mercado publicitário.

O espaço terá capacidade rotativa para 120 pessoas por semana, aproximando empreendedores, pesquisadores, universidades e grandes empresas.

As instalações do Campus reforçam essa proposta de integração com o ecossistema. As salas receberam nomes inspirados em computadores históricos, como Deep Blue, Colossus, ENIAC e Altair. Há ainda um estúdio voltado à gravação de podcasts por startups e um café aberto à comunidade da USP, pensado como ponto de encontro com a academia.

Para os funcionários, a estrutura inclui ainda salas de massagem, área de jogos, redes de descanso, espaços de convivência, dois ambientes colaborativos, salas para tech talks com capacidade para 70 pessoas e um auditório central para até 170 participantes.

Do Brasil para o mundo

As equipes que ocuparão o prédio atuarão principalmente no desenvolvimento de tecnologias ligadas à privacidade, segurança digital e inteligência artificial.

Para Eduardo Tejada, vice-presidente global de privacidade e segurança do Google, o Brasil ocupa uma posição estratégica nesse cenário. Durante evento para jornalistas realizado nesta quarta-feira (27), o executivo classificou o país como “um dos mercados mais fortes em inovação digital”, capaz de desenvolver “soluções que vão impactar milhares de usuários, nascendo do Brasil para o mundo inteiro”.

O Google Safety Engineering Center funcionará como um hub de colaboração estratégica, reunindo eventos, pesquisas e discussões sobre proteção de usuários online. A unidade brasileira passa a integrar a rede global de centros já existentes em Munique, Málaga e Dublin.

Já o Accessibility Discovery Center aposta em uma abordagem mais participativa no desenvolvimento de tecnologia assistiva, colocando pessoas com deficiência no centro do processo de criação. O laboratório conta com estações interativas dedicadas à área de gaming, onde produtos e soluções assistivas poderão ser desenvolvidos e validados em parceria com os próprios usuários. A estrutura inclui ainda um UX Lab para testes em contexto real, identificação de barreiras e aprimoramento de experiência.

O espaço também reúne jogos adaptados para pessoas com deficiência visual, auditiva e cognitiva, além de áreas destinadas a workshops e sessões de brainstorming entre engenheiros, pesquisadores universitários e comunidades de usuários.

Fábio Coelho, presidente do Google Brasil e vice-presidente global da companhia, situou a inauguração na trajetória da empresa no país. “A abertura do nosso Centro de Engenharia em São Paulo é uma verdadeira celebração do impacto positivo que geramos no Brasil ao longo dos últimos 20 anos”, afirmou.

Segundo o executivo, o objetivo da operação vai além da geração de empregos e busca consolidar um polo permanente de pesquisa e desenvolvimento no país. “É um processo que garante perenidade, coisas que vão servir para o mundo todo”, disse.

Bruno Pôssas, vice-presidente global de engenharia para a Busca do Google e um dos primeiros funcionários da companhia no Brasil, reforçou a visão de integração entre os escritórios brasileiros. Para ele, o novo espaço em São Paulo funciona como “um celeiro de talentos em engenharia” que poderá acelerar o crescimento da operação em conjunto com o centro de Belo Horizonte.

Curiosidades do espaço

O prédio que abriga o novo centro — o Edifício Adriano Marchini, no IPT — foi construído na década de 1940. Em vez de demolir a estrutura, o Google optou por um projeto de reuso adaptativo, preservando características arquitetônicas originais enquanto modernizava sistemas hidráulicos, elétricos, de climatização e automação.

O edifício foi projetado para reduzir consumo energético, com painéis solares no topo responsáveis pela geração de energia limpa e um sistema de captação de água da chuva utilizado em banheiros e irrigação. Como contrapartida ao IPT, o Google também financiou a renovação de espaços como biblioteca, área maker e acervo.

Um dos elementos mais simbólicos do projeto está nas tapeçarias que revestem a estrutura acústica interna. As peças foram produzidas pela cooperativa mineira Fios do Cerrado, sob coordenação do artista Edmar de Almeida. A técnica artesanal utilizada segue uma lógica matemática rigorosa, baseada em contagem precisa de pontos, cores e cruzamentos de linhas — um processo que a empresa relaciona à lógica da programação computacional. Em homenagem às artesãs, algumas salas do centro receberam nomes inspirados nos pontos utilizados na tecelagem.

A praça interna do complexo homenageia Luiz André Barroso (1964–2023), engenheiro carioca que se tornou o primeiro brasileiro contratado pelo Google e alcançou o posto de Google Fellow, o mais alto nível técnico da companhia. O espaço reúne fotografias feitas por Luiz André, organizadas em curadoria conduzida por sua esposa. A ambientação sonora da sala também carrega um aspecto pessoal: o ambiente reproduz um álbum de bossa nova gravado pelo próprio engenheiro, que conciliava a atuação em tecnologia com a música e a fotografia.

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