
A Neotrip, startup brasileira de tecnologia para o setor hoteleiro, captou R$ 2,5 milhões em rodada pré-seed liderada pela HotelInvest, empresa de gestão e investimento em hotelaria. O aporte será direcionado ao desenvolvimento da plataforma de inteligência artificial da companhia, com foco em aumentar a conversão e impulsionar reservas diretas de hotéis.
Fundada por Gustavo Meira (ex-Stone, XP e Magazine Luiza) e Pedro Henrique Santos (ex-Mercado Livre e Kanastra), a Neotrip surgiu a partir de conversas com Diogo Canteras, sócio-diretor da HotelInvest, em um momento em que ferramentas de IA começavam a ganhar espaço na busca por hospedagens.
“O turismo está entrando em uma nova fase, em que planejar e comprar uma viagem será um processo tão rápido e conversacional quanto pedir comida”, afirma Gustavo. “A Neotrip nasce para construir essa infraestrutura, começando pelo canal direto dos hotéis, onde existe uma oportunidade enorme de conversão e eficiência.”
A tese da startup parte de um gargalo conhecido do setor: a dificuldade de converter reservas nos canais próprios dos hotéis, o que mantém a dependência de intermediários. “Hoje, a hotelaria no Brasil ainda enfrenta um déficit tecnológico relevante, especialmente na experiência do usuário”, diz o fundador.
Segundo ele, hotéis chegam a pagar comissões entre 15% e 20% – ou mais, em alguns casos – por reservas feitas em plataformas intermediárias como o Booking. Ao mesmo tempo, quando investem em canais próprios, esbarram em experiências pouco eficientes, o que reduz a conversão.
A proposta da Neotrip é atacar esse problema com uma camada de infraestrutura baseada em IA, que busca reduzir fricções ao longo da jornada de reserva. A plataforma reúne chatbots de atendimento, motores de reserva e ferramentas de marketing, com agentes treinados a partir das regras e particularidades de cada hotel, de resorts a redes corporativas.
Embora existam soluções pontuais de chatbot no mercado, a startup aposta em uma abordagem mais ampla. “Não estamos construindo apenas um software, mas uma infraestrutura de inteligência artificial. A ideia é dar mais flexibilidade e garantir que os dados das interações fiquem com o hotel, não com intermediários”, afirma Gustavo.
Definindo as prioridades
A rodada acontece em um momento de mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais guiado por interações digitais e pelo uso de IA no planejamento de viagens. Nesse cenário, a Neotrip quer se posicionar como uma camada de conexão entre hotéis e viajantes ao longo de toda a jornada.
A maior parte do capital será destinada à expansão do time e ao desenvolvimento tecnológico. Hoje com 12 pessoas, a empresa pretende dobrar de tamanho até o fim do ano, chegando a pelo menos 25 funcionários.
As contratações devem se concentrar nas áreas de tecnologia, produto e comercial. O foco está na evolução dos agentes conversacionais, motores de reserva e ferramentas de marketing baseadas em IA. A empresa também prioriza investimentos em dados e segurança – outro ponto crítico para o setor. “Para o hotel, é muito difícil oferecer experiências realmente personalizadas. Queremos organizar o uso dos dados e devolvê-los ao hotel de forma segura”, afirma o fundador.
Esse ponto passa diretamente pela camada de dados. Hoje, grande parte das informações sobre hóspedes fica concentrada em agências de viagem online, limitando a personalização. A proposta da Neotrip é reverter essa lógica. Na prática, isso permitiria, por exemplo, que um hotel reconheça um hóspede recorrente e antecipe preferências já no check-in.
A startup utiliza modelos de linguagem de terceiros – como Claude, da Anthropic, Gemini e ChatGPT – como base conversacional, enquanto desenvolve internamente as ferramentas que estruturam esses agentes. Para otimizar custos, pagos em dólar, a empresa adota uma lógica de roteamento, escolhendo o modelo mais eficiente para cada tipo de interação.
Próximos passos
Lançada em março de 2026, a Neotrip já realiza pilotos com redes hoteleiras ainda não divulgadas. A expectativa é encerrar o ano com mais de 100 hotéis na plataforma e clientes pagantes ativos.
Embora o foco inicial seja o mercado B2B, a Neotrip prepara a entrada no B2C. A empresa planeja lançar, no segundo semestre, um aplicativo de planejamento de viagens com IA, disponível para iOS e Android. A proposta é permitir que usuários busquem hotéis, criem roteiros, comparem preços e recebam recomendações personalizadas.
A estratégia, segundo Gustavo, é avançar com cautela. “Queremos entrar no B2C, mas é um mercado muito competitivo. Primeiro, precisamos validar a tese no B2B para então escalar e avançar para o consumidor final”, diz.
A expansão para a América Latina e uma nova rodada de captação estão previstas para 2027, quando o produto deve entrar em fase de escala. “O plano não é parar no pré-seed. Queremos avançar com novas rodadas para expandir o impacto para além do Brasil”, afirma o fundador.
No curto prazo, a prioridade é ganhar tração no mercado brasileiro e consolidar a proposta de valor em um setor ainda em transformação digital. A empresa também prepara a abertura de um escritório na Faria Lima, em São Paulo, com inauguração prevista para maio.
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