
Um trabalho que levaria dois anos de desenvolvimento saiu do forno em poucas semanas, e sem linhas de código escritas por mãos humanas. Foi com esse pitch que a fintech Clara fez o anúncio do Clara Global durante o Web Summit Rio. Segundo o fundador Gerry Giacoman Colyer, a solução marca um novo estágio na jornada da empresa, permitindo que companhias latino-americanas gerenciem despesas em qualquer país e em qualquer moeda.
A solução é a primeira da fintech de gestão de gastos corporativos, que tem Brasil, México e Colômbia como mercados-chave, desenvolvida inteiramente com IA. “Cada linha de código foi gerada com ferramentas de IA, por um time de três pessoas, em um período de semanas, fazendo o que estimamos que levaria dois anos ou mais na era pré-IA”, destacou Gerry, em coletiva no evento.
Batizado internamente de Lighthouse Squad, o pequeno time usou ferramentas como o Claude Code, da Anthropic, como principal ambiente de desenvolvimento, e a maior parte do tempo, segundo o CEO, foi gasta em infraestrutura, segurança e compliance.
“Isso só ilustra a velocidade com que empresas inovadoras como nós podem se mover”, avaliou Gerry, frisando que o esquadrão documentou suas novas formas de trabalho, que agora estão sendo replicadas em toda a companhia.
Além de processar pagamentos feitos com cartões de outras bandeiras, o Clara Global será combinado com cartões lastreados em stablecoins, que funcionam em qualquer moeda. Nessa frente, a fintech aposta na parceria já existente com a Bitso, anunciada no começo deste ano. “É uma parceria muito bem-sucedida, e nossos clientes podem usar sua tesouraria em stablecoins para executar pagamentos através da Clara”, explicou.
Roadmap no acelerador
Questionado pelo Startups sobre como esse novo ritmo de desenvolvimento impacta os planos da companhia, Gerry não escondeu o entusiasmo. “O que nos deixa incrivelmente animados é que estamos vendo que podemos realmente acelerar bastante a nossa visão”, disparou.
O conceito também inclui o que a empresa chama de “software que se aprimora sozinho”: o feedback dos usuários é agregado por IA e convertido em tickets de desenvolvimento, com a promessa de que funcionalidades pedidas possam ser entregues no mesmo dia. Segundo o CEO, o diferencial da Clara está em combinar melhores práticas de pagamentos com software, e é na segunda parte que a IA muda o jogo.
“Na parte de pagamentos, você não pode ir muito rápido: temos uma licença de Instituição de Pagamento no Brasil, operamos como membro principal da Mastercard, temos compliance de PCI. É importante ter tudo isso certo. Mas aí vem a parte de software, onde a IA realmente acelera o que é possível”, pontuou.
Na prática, planos que antes ocupavam anos no roadmap, como reconciliação completa de pagamentos e novas experiências de gestão, devem chegar à fase de deployment bem mais cedo. “O Clara Global é um farol, uma prova inicial dessa nova velocidade. Vamos em breve anunciar muitos produtos que antes teriam tomado muito mais tempo”, avisou o executivo.
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