
Há sete meses, a Firecrawl levantou um aporte de R$ 81 milhões em uma rodada Série A liderada pela Nexus VP, com follow-on daY Combinator, com a promessa de ampliar sua operação no Brasil. A startup de soluções de estruturação de dados para sistemas de inteligência artificial tem um brasileiro entre seus fundadores, mas até então tinha a maior parte da sua operação no mercado internacional. A crescente adoção de IA no país ajudou a impulsionar os planos da startup, que registrou crescimento de 750% no Brasil.
Nicolas Silberstein, cofundador e CTO da Firecrawl, afirma que empresas e desenvolvedores vêm recorrendo à plataforma para automatizar a coleta e organização de dados da web em aplicações de IA. O movimento tem impulsionado a expansão da startup não só no Brasil, mas também em mercados como Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Japão e Índia. Só em 2025, a companhia afirma ter conquistado mais de 12 mil empresas globalmente.
O brasileiro fundou a Firecrawl ao lado dos norte-americanos Caleb Peffer (CEO) e Eric Ciarla (CMO).
“Nosso foco sempre foi desenvolvedores e empresas, mas, de lá para cá, a adoção de agentes de IA cresceu muito. Isso fez com que mais empresas passassem a procurar o nosso produto”, relata Nicolas, em entrevista ao Startups.
Apesar do público brasileiro, no geral, estar mais “antenado” em inteligência artificial e buscar soluções, parte do aumento de clientes também vem de um fator menos tradicional: a própria IA. “Os agentes de IA passaram a recomendar a Firecrawl. Já tivemos mais de 30 mil usuários chegando por indicação do ChatGPT, por exemplo”, afirma Nicolas.
Para acompanhar a evolução das aplicações de IA, a Firecrawl também ampliou seu portfólio de produtos desde a captação da rodada. Um dos principais lançamentos foi uma API de busca voltada à navegação na web, que permite que agentes de inteligência artificial não apenas acessem páginas específicas, mas realizem pesquisas completas, identifiquem fontes confiáveis e retornem informações estruturadas para o usuário. A ferramenta já está em uso pelos clientes da startup, como Lovable,Gamma, Shopify, Replit e Zapier.
Em paralelo, a companhia começou a avançar no desenvolvimento do chamado /agent, um agente voltado à coleta e estruturação de dados a partir de comandos em linguagem natural. Ainda em estágio inicial e sendo o principal foco da startup para 2026, a solução busca permitir que sistemas de IA naveguem por páginas e extraiam informações mais complexas da web de forma automatizada.
Outro destaque é o Interact, ferramenta que acaba de passar por um soft launch e ainda está em estágio inicial. O recurso permite que agentes de IA interajam diretamente com páginas da web — navegando entre seções, clicando em elementos e acessando conteúdos dinâmicos, como avaliações e listagens paginadas em e-commerces.
A proposta é simplificar tarefas que ainda são complexas para sistemas automatizados, ampliando a capacidade de coleta de dados em ambientes mais estruturados. Ainda segundo o cofundador, maiores informações do produto devem sair nas próximas semanas.
Firecrawl aposta em “self-service” para escalar adoção
No modelo de monetização, a Firecrawl opera com uma estrutura baseada em créditos, no formato “self-service”, voltada tanto para desenvolvedores independentes quanto para empresas. A plataforma oferece um plano gratuito, com 500 créditos para testes iniciais, e opções pagas que escalam conforme o volume de uso.
Os planos começam no nível Hobby, a partir de R$ 80 por mês, com 3 mil créditos mensais, e avançam para o Standard, de R$ 413 mensais, com 100 mil créditos. Já para demandas mais robustas, o plano Growth chega a cerca de R$ 1,7 mil por mês, com 500 mil créditos e maior capacidade de requisições simultâneas.
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