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Startup de Pernambuco quer faturar R$ 50M com “esteira agêntica”

By maio 4th, 2026No Comments
Vinícius Guedes, CEO da Volund | Foto: Divulgação
Vinícius Guedes, CEO da Volund | Foto: Divulgação

Uma startup pernambucana quer provar que é possível construir software corporativo complexo em dias, não meses. A Volund, fundada oficialmente em fevereiro de 2026 e sediada no Porto Digital, em Recife, nasceu para operar com o que chama de “engenharia agêntica”: um modelo em que agentes de inteligência artificial não são apenas ferramentas de apoio, mas participam ativamente de todo o ciclo de desenvolvimento de software, do levantamento de requisitos à documentação final.

A meta de faturamento é de R$ 50 milhões, com uma equipe que deve chegar a 40 ou 50 pessoas até o final do ano — hoje são dez contratados e outros dez em processo de seleção.

“Vibe coding é legal, mas não é suficiente para operacionalizar uma empresa. Existe um gap técnico. Por exemplo, como você testa com a mesma velocidade? Ou, se não testa, não lança ou lança produtos mal acabados. O que a gente percebeu foi que a gente precisava criar uma esteira agêntica, de ponta a ponta”, conta Vinícius Guedes, CEO da Volund, em entrevista ao Startups.

Da Beyond à Volund

A empresa é um desdobramento do Extreme Group, ecossistema de tecnologia fundado há 12 anos, com cerca de 2 mil colaboradores e faturamento anual de R$ 600 milhões. Vinícius também está à frente da Beyond, outra empresa do grupo, criada em 2019 com foco em tecnologia de nuvem e que hoje atua como venture builder.

Foi dentro da Beyondque o modelo ganhou forma. Em março de 2025, a equipe criou uma versão inicial da esteira agêntica e a usou para reconstruir todos os produtos internos da própria empresa. O processo foi sendo refinado até que ficou claro que havia demanda de mercado, e que faria sentido criar uma empresa separada só para isso.

“Ao contrario da Beyond, que estamos fazendo um esforço para transformar em AI-first, remodelando processos, a Volund já nasce numa lógica em que todos os processos foram construídos para serem operacionalizados por IA”, aponta Vinícius.

Funcionários virtuais

Na prática, o modelo funciona como uma linha de produção automatizada. Agentes de IA analisam reuniões e documentações para levantar requisitos, geram propostas técnicas e comerciais, decompõem o escopo em tarefas, escrevem e revisam código, executam testes e produzem a documentação de entrega — tudo sob supervisão humana em pontos estratégicos.

O resultado declarado é uma operação até 15 vezes mais produtiva do que uma fábrica de software convencional. Projetos que exigiriam equipes de oito a dez pessoas ao longo de meses são entregues com dois a quatro profissionais em funções estratégicas.

Internamente, a empresa também opera com uma agente de IA chamada Vitória, uma espécie de chief of staff virtual com acesso a e-mails, reuniões e ao contexto completo da operação. “Ela tem autonomia para ler projetos e, com base no que ensinamos, consegue dar respostas que até hoje sempre foram corretas”, conta o CEO. A ideia é que ela ocupe formalmente o cargo de executiva dentro do organograma da empresa.

A Volundtambém criou um departamento chamado RHA (Recursos Humanos e Artificiais), partindo da premissa de que, no trabalho do futuro, as duas dimensões serão inseparáveis.

Não é SaaS

Segundo o CEO, a Volund se posiciona como uma empresa de serviços, não de SaaS. O modelo de cobrança é por entrega, e o cliente pode optar por manter o sistema internamente ou contratar a evolução contínua. “Clientes vão continuar tendo necessidade de soluções robustas em tecnologia. Agora é mais viável ter uma solução personalizada, o que não seria possível há dois anos”, argumenta Vinícius.

Estar dentro do ecossistema do Extreme Group é tratado como vantagem estrutural: a empresa herda relacionamentos com grandes clientes, dores já mapeadas e capacidade de distribuição imediata. A empresa tem hoje oito projetos em andamento com cinco clientes, foco nos setores público, de saúde e financeiro, e olha para expansão na América Latina e nos Estados Unidos.

A startup também está aberta a rodadas de investimento, mas sem urgência. “O negócio já caminha por conta própria, mas a gente entende que, para dar os próximos passos, pode fazer parte da nossa estratégia levantar uma rodada. No momento, a procura pelo serviço tem sido tão grande que estamos mais focados em amadurecer a operação”, diz o CEO.

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